Análise: Marco Silva rima com risco?

Os números da época 2013/14 parecem fundamentar a pertinência da dúvida: estará Marco Silva preparado para assumir um a iniciativa de jogo como se impõe num candidato ao título?

Parece ser o treinador da moda e o seu nome já tinha sido colocado como sucessor de Jorge Jesus e de Paulo Fonseca. Afinal, acabou em Alvalade e com a pesada herança de Leonardo Jardim nas mãos.

Não se conhecem publicamente os fundamentos que levaram Bruno de Carvalho a apostar no antigo treinador do Estoril para os próximos quatro anos, naquele que é o contrato mais longo de um treinador com um grande do futebol português. Percebia-se que o trabalho desenvolvido por Marco Silva, em dois anos e meio com uma subida de divisão e dupla qualificação europeia, não podia ser fruto do acaso, mas há um pormenor que costuma ser vital para quem escolhe um treinador de clube grande e que ficou talvez um pouco escondido neste casting leonino – o estilo de jogo.

Vejamos, um treinador de um clube grande sabe que vai enfrentar em 70 a 80% dos jogos que tem para realizar adversários fechados na sua defesa, um pouco à semelhança do que aconteceu ao Estoril em casa. Resumindo-nos a factos, Marco Silva e o seu Estoril, se fossem contabilizados tão-somente os jogos realizados na condição de visitado, tinha ficado em 8.º lugar neste campeonato, com 23 pontos. Atrás, por ordem crescente, do Sporting de Braga (24) de Jesualdo e Jorge Paixão, do V. Setúbal (26) de José Mota e José Couceiro, do Nacional (27) de Manuel Machado, do Marítimo (30) de Pedro Martins, do Sporting (34) de Leonardo Jardim, do Benfica (39) de Jorge Jesus e, pasme-se, do FC Porto (40) de Paulo Fonseca e Luís Castro.

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clique para ler em detalhe (foto: João Trindade / Infografia: GoalPoint)

Ou seja, em ataque organizado/planeado, como o Sporting necessitará de jogar frequentemente no campeonato (e mesmo noutras competições), o Estoril de Marco Silva foi mediano e muito dependente de um número 10, Evandro, que esteve em 17 dos 42 golos, o que pressupõe um meio-campo diferente daquele que o Sporting tem vindo a utilizar.

O que o tempo se encarregará de esclarecer é se Marco Silva é um treinador que sabe apenas rentabilizar o espaço nas costas dos adversários (foi a terceira melhor equipa fora de casa atrás dos grandes de Lisboa) ou, com outros intérpretes à disposição, consegue fornecer ao Sporting a paciência e automatismos necessários para jogar no último terço do terreno sem desequilibrar os princípios defensivos. Para quem quiser uma linguagem mais corrente; Marco Silva tem em Alvalade a possibilidade de mostrar que é mais do que um treinador de contra-ataque… tal como Nuno Espírito Santo, o pior técnico a jogar em casa mas que neste defeso já foi conotado com Benfica e Valência.

(foto: João Trindade / Infografia: GoalPoint)

Como interpreta estes números? Que outros factores identifica como indicadores do grau de preparação de Marco Silva para lutar pelo título? Deixe-nos a sua opinião.