Análise: O brilho de Neymar e o ocaso de Hulk

O Brasil jogou apenas o suficiente para golear os Camarões e vencer o Grupo A, destacando-se o brilho intenso de Neymar e o "apagão" completo de Hulk.

O triunfo categórico do Brasil sobre os Camarões, que valeu o primeiro lugar no Grupo A, não guarda grandes segredos. A “canarinha” foi largamente superior em praticamente todos os indicadores e sem ter de se esforçar muito. Colectivamente nem foi uma exibição muito conseguida, destacando-se o talento individual dos seus jogadores como factor de desequilíbrio. Neymar voltou a ser a figura principal, mas vale a pena olhar também para um caso de… ocaso: Hulk.

Antes talvez seja importante analisar a forma como o Brasil chegou ao triunfo. Mais uma vez o meio-campo sentiu dificuldades no primeiro momento de construção, pela utilização de dois médios-defensivos recuados, L. Gustavo e Paulinho. Tal como com a Croácia, Gustavo e o quarteto defensivo tiveram muita bola e apostaram no passe longo (Thiago Silva e David Luiz efectuaram 30 no somatório, 20 com eficácia). Porém, o Brasil foi lesto a ganhar as segundas bolas lá na frente, construindo assim muito perigo. Depois, a qualidade individual fez o resto.

No final, a “canarinha” somou 19 remates, 11 deles directos à baliza (nenhum para fora, tendo oito sido bloqueados), arrasou nos duelos aéreos, com uma eficácia de 80% contra 20% do adversário, e teve mais bola (54% contra 46%). E não falhou nos cortes, com 22 – 100% de aproveitamento.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Tânia Rêgo/ABr / Infografia: GoalPoint)
Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Tânia Rêgo/ABr / Infografia: GoalPoint)

Estrelas resolvem… ou nem por isso

Assim torna-se fácil os craques resolverem. Neymar bisou e esteve sempre muito em jogo, somando quatro remates, todos enquadrados. Teve 83% de passes completos e foi quem mais cruzou do Brasil (cinco, embora sem sequência). Luiz Gustavo foi o esteio defensivo do meio-campo com três desarmes, quatro intercepções e um corte, e Fred marcou finalmente neste Mundial.

Em contraciclo esteve Hulk. O jogador do Zenit, ex-FC Porto, esteve irreconhecível, sem explosão e nem o seu remate assustou os Camarões. Em dois jogos fez apenas cinco disparos, três frente à formação africana e apenas um em direcção à baliza. Mas olhemos para outros valores que o caracterizam: por exemplo, no drible esteve desastrado, tentando cinco, nenhum com consequências práticas – aliás, teve quatro perdas de bola para o adversário; efectuou um cruzamento apenas em dois encontros; com os Camarões, e no capítulo do passe, destacou-se a jogar para trás e para os lados, com quatro completos (em cinco) em cada caso – apenas um para a frente. Fica a questão: onde anda o Hulk que arrasou nos relvados portugueses? Trata-se de desadaptação ao estilo de jogo da selecção ou simples má forma física? Talvez ambos.

Por que motivo Hulk tarda em aparecer neste Mundial a níveis minimamente aceitáveis? Deixe-nos a sua opinião?