Análise: O Mundial dos verdadeiros treinadores

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2. Van Gaal, o camaleão

 

O treinador holandês voltou a mostrar o porquê de ser uma lenda viva dos bancos (foto: AGIF/Shutterstock)
O treinador holandês voltou a mostrar o porquê de ser uma lenda viva dos bancos (foto: AGIF/Shutterstock)

Jogos: 7
Golos: 15
Remates concedidos (m p/jg): 8,7
Posse de bola: 49,6%
Remates efectuados (m p/jg): 13,5
Ordenado anual: 1,63 milhões de euros

Se há treinador pragmático, este chama-se Louis Van Gaal. E narcísico. Ele gosta de deixar a sua marca. Mas costuma fazê-lo com razão de ser. Ao perder por lesão, antes do Mundial, o médio Strootman, Van Gaal anunciou que ia deixar cair o 4x3x3 para jogar num 5x3x2 que também pode ser olhado como um 3x4x3 ou 3x5x2 – naquilo que foi entendido como uma necessidade defensiva. E considerou que, para chegar o mais longe possível, precisava colocar as três unidades do meio-campo a marcar individualmente. Isso dava uma almofada de segurança à defesa e no ataque privilegiava a aposta total em Van Persie e Robben, que deixou, com este sistema, de jogar preso a uma faixa. A Holanda parecia um camaleão. Só para se ter uma ideia, De Kuyt, contra o México, começou a lateral-direito, passou para lateral-esquerdo e terminou a ponta-de-lança. A mensagem de Van Gaal passou, só assim se entende que a Holanda, que nunca privilegiou muito a posse de bola, saia do Mundial sem perder, com goleadas a Espanha e Brasil e protagonista de três reviravoltas. Já agora é lembrar que Van Gaal pegou numa Holanda destroçada com três derrotas em três jogos no Euro.

Bruno Pires
Bruno Pires
Jornalista desde 1997, passou pelos jornais O Jogo, A Bola e Expresso entre outros. É actualmente editor adjunto de Desporto no Diário de Notícias.