Análise: O Mundial dos verdadeiros treinadores

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 3. Jorge Luis Pinto, o grande “tico”

 

Pinto liderou a equipa "surpresa" deste Mundial (foto: C. Pupo/Shutterstock)
Pinto liderou a equipa “surpresa” deste Mundial (foto: C. Pupo/Shutterstock)

Desarmes (m p/jg): 21
Intercepções (m p/jg): 6,85
Remates à baliza (m p/jg): 3
Posse de bola: 40%
Ordenado anual: 0,26 milhões/ano

O seleccionador da Costa Rica, equipa denominada por “Ticos”, terá, certamente, vários clubes interessados nos seus serviços. Poucos conheciam este colombiano de 61 anos que obteve o feito de qualificar uma modesta selecção da América Central no primeiro lugar do “grupo da morte”, que incluía ainda Itália, Uruguai e Inglaterra. E esta última foi a única a não ser batida pelos costa-riquenhos. Pinto percebeu que tinha uma selecção muito limitada, por isso optou por cinco jogadores concentrados na defesa – e eram mesmo cinco -, um guarda-redes de “top” mundial, Keylor Navas, um médio que fazia de treinador nas quatro linhas, Tejeda, e dois rapazes velozes lá na frente; Joel Campbell e Bryan Ruiz. Mas o que deixou marca foi a maneira como Pinto conseguiu mecanizar a sua defesa. Criar um automatismo para cinco defesas dá trabalho, muito trabalho, que o houve seguramente ou a Holanda não teria sido apanhada inacreditáveis 13 vezes em fora de jogo. E convém lembrar que a Costa Rica saiu do Brasil sem perder um único jogo, tendo sofrido apenas dois golos.

Bruno Pires
Bruno Pires
Jornalista desde 1997, passou pelos jornais O Jogo, A Bola e Expresso entre outros. É actualmente editor adjunto de Desporto no Diário de Notícias.