Análise: O Mundial dos verdadeiros treinadores

-

2. Paulo Bento, o grato

 

a participação portuguesa deixou muito em que pensar a Paulo Bento (foto: J. Trindade)
a participação portuguesa deixou muito em que pensar a Paulo Bento (foto: J. Trindade)

Jogos: 3
Golos sofridos: 7
Remates concedidos (m p/jg): 15
Duelos aéreos ganhos (m p/jg): 39%
Ordenado anual: 1,28 milhões de euros

Portugal tinha, alegadamente, o melhor jogador do Mundo entre os seus 23. E talvez tenha sido aí, nessa esperança incontrolada depositada em Ronaldo, que começou a derrocada portuguesa. Paulo Bento nunca conseguiu convencer Ronaldo a defender. Ou então, nunca soube encontrar uma forma que pudesse disfarçar a menor aptidão do capitão para ajudar a equipa a recuperar a bola. Seja qual for a razão, Portugal foi uma selecção desequilibrada. Outro problema, a gratidão do seleccionador, que admitiu que o registo dos últimos dois anos pesou na convocatória. Por isso, Portugal chegou ao Brasil com um “onze” base envelhecido, dependente de Ronaldo e com muitos jogadores, incluindo o próprio Ronaldo, afectados por problemas físicos. E isso devia ter sido antecipado, o que não aconteceu. A finalizar, o seleccionador, grato aos jogadores que o levaram às meias-finais do EURO, demorou até ser tarde demais a renovar o “onze” titular.

Bruno Pires
Bruno Pires
Jornalista desde 1997, passou pelos jornais O Jogo, A Bola e Expresso entre outros. É actualmente editor adjunto de Desporto no Diário de Notícias.