Análise: O Mundial dos verdadeiros treinadores

-

3. Fabio Capello, o renovador precoce

 

(foto: realmadrid.pl/WC)
(foto: realmadrid.pl/WC)

Remates à baliza (m p/jg): 4
Remates concedidos (m p/jg)o: 10
Duelos aéreos ganhos (m p/jg): 43%
Posse de bola: 52%
Ordenado anual: 6,69 milhões de euros

A Rússia deu a clara sensação de que foi ao Brasil preparar o próximo Mundial do seu país. Fabio Capello pode sempre ter a atenuante de ver o seu guarda-redes dar o “frango” da competição, mas o italiano deixou fora do “onze” elementos com a experiência e a qualidade de Denisov, Dzagoev, Kerzhakov ou Zhirkov para já não falar da discutível titularidade de Akinfeev depois de uma excelente temporada de Lodygin. Ou seja, parece que quis dar experiência a elementos a pensar nas próximas provas importantes. Possivelmente julgou que Argélia e Coreia do Sul não eram adversários de monta. Nunca desmontou o seu 4x2x3x1 largo e com pouca versatilidade, que expunha os centrais trintões e lentos como são Ignashevich e Berezutskiy. Depois, quando quis recompor-se do empate comprometedor da jornada inicial com os coreanos, não o conseguiu. Primeiro, por manifesto azar com a Bélgica, depois por mérito argelino. Capello chegou à Rússia e foi amplamente contestado, estando a ser estudada a sua chamada ao parlamento para se justificar. Porém, a confiança da federação russa parece inabalável em contar com o seleccionador mais bem pago do Mundial até ao evento que a Rússia vai acolher em 2018.

 

Bruno Pires
Bruno Pires
Jornalista desde 1997, passou pelos jornais O Jogo, A Bola e Expresso entre outros. É actualmente editor adjunto de Desporto no Diário de Notícias.