Análise: O pecado maior de Espírito Santo

Em Espanha questiona-se, primeiro, a dispensa de Pizzi e, depois, a contratação do português Nuno Espírito Santo, com apenas dois anos de profissão, que apresenta como trunfos duas finais em 2013/14.

Analisando a carreira recente de Nuno Espírito Santo como treinador – leva dois anos a solo ao comando do Rio Ave –, poucos esperavam o salto que o antigo guarda-redes deu para o Valência e para a mediática Liga espanhola.

Não está em causa a ideia de jogo, muito menos a qualidade do futebol apresentado do Rio Ave nas duas últimas temporadas, mas sim os dados estatísticos que podem levar à surpresa perante a aposta do emblema espanhol.

Analisemos o desempenho doméstico do Rio Ave de Espírito Santo comparado com os emblemas das principais ligas europeias com pior registo caseiro no final do campeonato:

ClubeLigaTreinadorJVEDPGMGSPPJMGMMGS
BétisBBVA (Esp)Três treinadores1953111819310,951,01,6
FulhamP. League (Ing)Três treinadores1953111824380,951,32,0
SassuoloSerie A (Ita)Dois treinadores1952121723390,891,22,1
NurembergaBundesliga (Ale)Três treinadores173591416320,820,91,9
AjaccioLigue 1 (Fra)Dois treinadores1936101523330,791,217,
Rio AveLiga Zon/Sagres (Por)Nuno E. Santo152581110200,730,71,3
Legenda: GM - golos marcados, GS - golos sofridos, PPJ - pontos por jogo (média), MGM - golos marcados por jogo (média), MGS - golos sofridos por jogo (média)

Nuno Espírito Santo não foi só o pior treinador em jogos caseiros no campeonato português. Foi também o pior se englobarmos a Liga nacional mais as cinco competições mais mediáticas do Velho Continente – Espanha, Itália, Inglaterra, França e Alemanha. E se olharmos um pouco mais atentamente, a pior equipa em termos pontuais nos jogos em casa destes países desceu de divisão, com a honrosa excepção do Sassuolo em Itália.

Aliás, o treinador português foi o único que usufruiu de estabilidade – começou e terminou a temporada. As restantes cinco formações tiveram, pelo menos, dois técnicos, e os plantéis de Bétis, Fulham e Nuremberga até conheceram três.

Na outra face da moeda está a boa campanha de Nuno nas Taças. Chegou a duas finais, perdeu ambas para o Benfica e no campeonato não passou do 11.º lugar. Beneficiando de defrontar o campeão no Jamor qualificou os vilacondenses para a Europa, mas em Espanha questiona-se, primeiro, a dispensa de Pizzi e depois a contratação do português de origem timorense com apenas dois anos de profissão, apesar de ter sido orientado, como jogador, por treinadores de gabarito como José Mourinho, John Toshack, Oleg Romantsev, Yuri Semin, Carlos Alberto Silva ou Jesualdo Ferreira, de quem foi adjunto no Málaga e no Panathinaikos.

Como encara o desafio de Nuno Espírito Santo à frente do Valência? Deixe-nos a sua opinião, obrigado.