Análise | Os dois pecados que fazem tremer o Sporting

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Três empates em quatro jornadas. O Sporting continua invencível, como realça Rúben Amorim, mas já não dá para disfarçar: o “leão” vive a sua pior fase na Liga 20/21, e logo na fase decisiva. No final de mais um empate, que até teve sabor a vitória dadas as circunstâncias, o foco dos media centrava-se na ineficácia ofensiva dos “leões”, uma tendência natural face ao elevado número de remates somados pelos “verde-e-brancos” frente ao Belenenses. Mas será a suposta ineficácia ofensiva o único “alerta” leonino ou o mais relevante?

Os Expected Goals não dizem tudo (mas também não mentem)

Os Expected Goals das últimas quatro partidas dos “verde-e-brancos” dizem algo mais.

JornadaAdversárioResultadoxGfxGaResultado xG
28Belenenses2-23.21.13-1 ❌
27Farense1-01.60.82-1
26Famalicão1-11.30.41-0 ❌
25Moreirense1-11.60.22-0 ❌
Legenda: xGf – Expected Goals a favor, xGA – Expected Goals contra; Resultado xG – Resultado final do jogo com base nos xG criados pelas equipas

Mais do que indicar que os “leões” fizeram o suficiente para vencer os três deslizes que somam nas últimas rondas, os Expected Goals mostram algo bem mais interessante: apenas frente à Belenenses SAD podiam os “leões” ter evitado o empate à custa dos golos que deviam ter marcado, à luz das probabilidades de golo que criaram. E mesmo nessa partida sobressai o mesmo problema dos outros dois tropeções: o “leão” está a permitir golos com uma facilidade não justificada pela produção ofensiva dos adversários. E não, o lapso de Adán não explica tudo.

[ Os principais dados dos últimos quatro duelos do Sporting na Liga ]

Esta realidade não surpreenderá os GoalPointers que leram o nosso recente check-up aos quatro primeiros classificados da Liga, no qual referimos que o Sporting precisa de rematar melhor, o que significa também criar situações de remates mais promissoras. Os “leões” somaram nestes últimos quatro encontros 65 remates para apenas cinco golos a favor ou seja, precisaram de alvejar a baliza adversária 13 vezes por cada golo somado (ou quatro vezes, caso tenhamos em conta apenas os disparos enquadrados). Pelo caminho desperdiçaram oito ocasiões flagrantes de golo, ou seja, perderam uma média de dois golos “fáceis” por encontro.

[ O Sporting acentuou o diagnóstico feito à 26ª jornada: precisa de cada vez mais remates para marcar e permite cada vez mais golos em menos disparos ]

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Com uma média de quase 28 acções na área adversária nos últimos quatro jogos, superior à sua média tanto na primeira como na segunda volta, é correcto dizer que o Sporting está a revelar tudo menos eficácia no aproveitamento da sua produção ofensiva que, ao contrário do que se diz, não é quantitativamente fraca, mas sim qualitativamente inconsequente.

O corredor dos pesadelos de Amorim

Mas mais uma vez chamamos a atenção para o lado oposto do processo, menos focado na hora de discutir os alertas lançados aos “leões”, o lado defensivo. A turma de Rúben Amorim sofreu neste período quatro golos quando, pelos Expected Goals, devia ter sofrido apenas dois. O Sporting permitiu somente 18 remates, para quatro golos sofridos, o que dá aos adversários a esperança de marcar um golo ao Sporting a cada cinco remates que somam, um registo actualmente incompatível com a fama de melhor defesa da prova. O indicador é, aliás, ainda mais promissor (para os adversários, claro está) ao percebermos que lhes basta fazer apenas cerca dois remates enquadrados para esperar um golo contra os “verde-e-brancos”, nesta fase.

[Mais uma vez, frente ao Belenenses, foi pelo lado direito dos “leões” que nasceram os dois golos do adversário ]

E agora a última curiosidade e, provavelmente, a mais específica de toda esta análise. Os quatro golos sofridos pelo Sporting nesta fase negra nasceram todos em situações de jogo com génese no corredor defensivo direito dos “leões”, inclusive a falha mais atípica de Adán, frente ao Belenenses. Certamente um ponto de preocupação específico para Rúben Amorim e um promissor factor de curiosidade aos olhos de Carlos Carvalhal, a poucos dias do duelo que terá lugar na Pedreira.

A verdade é que, a esta hora, o Sporting até pode vir a ganhar pontos ao perseguidor directo na Liga, mas a falta de acutilância ofensiva e a súbita fácil permissividade defensiva, acompanhada da curiosa “geolocalização” do erro, não deixarão de ser motivos de alerta, caso o conjunto leonino queira finalizar em alta a Liga surpreendente que vem assinando.

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