O bragantino Pizzi, com as boas exibições dos últimos jogos, parece ter ultrapassado definitivamente Talisca na corrida à posição “8” do esquema de Jorge Jesus. Mas nós quisémos saber se estará Pizzi realmente à altura de Enzo, e quais são as principais diferenças entre ele o seu colega brasileiro quando este joga atrás de dois avançados (ou à frente do número “6”). Os números, mais uma vez, dão uma grande ajuda.

 

POSSE e CIRCULAÇÃO

Sabemos que Jesus gosta de médios completos. O seu “8” tem que saber fazer um pouco de tudo. Mas começemos por analisar aquilo que separa um bom médio de um mau médio: o passe.

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Pizzi é um homem de posse. Por cada 90 minutos de jogo passa a bola 87 vezes. Número impressionante sobretudo quando comparado com o de Talisca que tem quase metade. Por cada toque na bola decide passar 80% das vezes, e quando o faz fá-lo melhor que ambos os colegas em comparação.

Quisémos saber se isso teria alguma coisa que ver com a zona do terreno onde os passes são feitos e…

[vc_table vc_table_theme=”simple” el_class=”table{ width: 100% !important; }”],[align-center]Pizzi,[align-center]Enzo,[align-center]Talisca|%25%20Passes%20no%20%C3%BAltimo%20ter%C3%A7o,[align-center;bg#9ad66f;b]39%2C4%25,[align-center]30%2C6%25,[align-center]33%2C3%25|%25%20Passes%20eficazes%20no%20%C3%BAltimo%20ter%C3%A7o,[align-center]81%2C3%25,[align-center]75%2C3%25,[align-center;bg#dd6e6e;b]60%25|Passes%20para%20ocasi%C3%A3o%20p%2F%20jogo,[align-center;bg]2%2C2,[align-center]1%2C5,[align-center]0%2C4[/vc_table]

…não. Pizzi até é dos três quem faz mais passes nas zonas mais avançadas do terreno e a sua eficácia não diminui: 81% dos passes feitos próximos da grande área adversária são bem-sucedidos, o que se reflecte no número de oportunidades de golo criadas por jogo. Cinco vezes mais que Talisca.

 

REMATE E DRIBLE

Onde Talisca se tem destacado é no momento ofensivo. Não incluímos os jogos em que Talisca jogou ao lado do ponta-de-lança para não distorcer a análise e fomos mais uma vez olhar os números.

[vc_table vc_table_theme=”simple” el_class=”table{ width: 100% !important; }”],[align-center]Pizzi,[align-center]Enzo,[align-center]Talisca|Remates%20p%2F%20jogo,[align-center;bg]1%2C7,[align-center]0%2C7,[align-center;bg#9ad66f;b]2%2C4|%25%20Remates%20enquadrados%20(efic%C3%A1cia),[align-center;bg#9ad66f;b]50%25,[align-center]29%25,[align-center;bg]37%25|Dribles%20p%2F%20jogo,[align-center;bg]2%2C2,[align-center]3%2C1,[align-center]2%2C4|%25%20Dribles%20bem-sucedidos%20(efic%C3%A1cia),[align-center]13%25,[bg#9ad66f;b;align-center]41%25,[align-center]16%25[/vc_table]

Estes confirmam que Talisca remata mais que os outros dois, mas Pizzi não fica muito atrás e até acerta mais vezes na baliza. A comparação com Enzo ganha ainda mais uns pontos ao nível do remate, mas é quando olhamos ao drible que o argentino dispara. A sua capacidade de romper era das características mais apreciadas pelos benfiquistas e os números confirmam. Não só Enzo apostava muito mais na finta como era bem-sucedido em quase metade das tentativas. Muito acima dos 13% e 16% de Pizzi e Talisca, respectivamente.

 

DEFESA E RECUPERAÇÃO

Era mais uma das grandes virtudes apontadas a Enzo Pérez. Para quem começou como ala-direito a sua evolução neste aspecto foi tremenda e importa saber se Pizzi está neste momento à altura do agora jogador do Valencia.

[vc_table vc_table_theme=”simple” el_class=”table{ width: 100% !important; }”],[align-center]Pizzi,[align-center]Enzo,[align-center]Talisca|Recupera%C3%A7%C3%B5es%20p%2F%20jogo,[align-center;bg]5%2C0,[align-center]5%2C0,[align-center;bg;b]5%2C2|Intercep%C3%A7%C3%B5es%20p%2F%20jogo,[align-center;bg]0%2C0,[align-center]1%2C1,[align-center;bg]1%2C0|Desarmes%20p%2F%20jogo,[align-center;bg]3%2C9,[align-center]3%2C0,[align-center]2%2C3|%25%20Desarmes%20ganhos%20(efic%C3%A1cia),[align-center]57%2C1%25,[bg;align-center]74%2C2%25,[align-center]72%2C2%25|Duelos%20a%C3%A9reos%20p%2F%20jogo,[align-center;bg#dd6e6e;b]0%2C8,[align-center]3%2C2,[align-center]3%2C7|%25%20duelos%20a%C3%A9reos%20ganhos%20(efic%C3%A1cia),[bg#dd6e6e;b;align-center]33%2C3%25,[align-center]51%2C5%25,[align-center]44%2C8%25[/vc_table]

A resposta é não, como aliás já havia indicado Jorge Jesus há algum tempo, quando disse: “”Ele não conhece bem os momentos defensivos daquela posição. Está melhor neste aspecto porque ofensivamente tem muita qualidade. Em cinco passes falha um. Mas defensivamente é pouco agressivo“.

Se nas recuperações de bola os números não destoam, e Pizzi até se tem esforçado no desarme pelo solo apesar da menor eficácia, é no jogo aéreo que a diferença (até mesmo para Talisca) é preocupante. Apenas 0,8 duelos por jogo com 33% de eficácia são números bem abaixo do que Jesus espera do seu número “8”, e o principal aspecto em que Pizzi tem que evoluir. Se dúvidas havia está explicada a opção de o deixar no banco no derby em detrimento de André Almeida.

 

CONCLUSÃO

À luz dos indicadores recolhidos decidimos ensaiar uma classificação, irremediavelmente subjectiva mas sustentada o mais possível nos dados apresentados, das forças e fraquezas de Pizzi, Talisca e da “bitola” que ficou na memória recente do futebol português, Enzo Pérez.

[vc_table vc_table_theme=”simple” el_class=”table{ width: 100% !important; }”]Classifica%C3%A7%C3%A3o%20(de%201%20a%204%20valores),[align-center]Pizzi,[align-center]Enzo,[align-center]Talisca|Qualidade%20de%20passe,[align-center;bg]4,[align-center]3,[align-center;bg;b]2|Oportunidades%2F%20Assist%C3%AAncias%20para%20golo,[align-center;bg]4,[align-center]3,[align-center;bg]1|Remate,[align-center;bg]3,[align-center]1,[align-center]3|Ruptura,[align-center]2,[bg;align-center]4,[align-center]2|Recupera%C3%A7%C3%A3o,[align-center;bg]2,[align-center]4,[align-center]3|Jogo%20a%C3%A9reo,[bg;align-center]1,[align-center]3,[align-center]3|[b;bg#dd8f1a;14px]Avalia%C3%A7%C3%A3o%20final,[align-center;b;bg#dd8f1a;14px]16,[align-center;b;bg#dd8f1a;14px]18,[align-center;b;bg#dd8f1a;14px]14[/vc_table]

Pizzi tem as qualidades essenciais de um bom médio. É excelente no passe e na visão de jogo e apesar de ainda não o ter concretizado em golos tem um bom remate de fora da área. No entanto faltam-lhe a capacidade de ruptura com bola que Enzo dava e também o poder de choque no momento defensivo, sobretudo ao nível do jogo aéreo. No entanto, globalmente, neste momento parece estar mais bem preparado para a posição do que Talisca, e se Jorge Jesus fez o que fez com Enzo Pérez, porque não acreditar que pode fazer qualquer coisa parecida com Pizzi? Até ver… os indicadores são promissores.