Análise: Porque não é Quaresma titular?

Extremo reclama titularidade, mas até agora há pouco que possa pôr em causa a opção do treinador espanhol. A estatística justifica-o... mesmo que Lopetegui diga que os números não interessam.

A situação do "Mustang" promete gerar controvérsia durante toda a época (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
A situação do “Mustang” promete gerar controvérsia durante toda a época (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Enquanto a estatística não tiver um segmento para medir o carisma e a empatia com os adeptos, Ricardo Quaresma tem pouco que se queixar quanto à sua actual condição de suplente. Dito de uma forma pragmática, é isto.

O Goalpoint analisou os oito jogos do campeonato até ao momento e comparou os dados estatísticos dos seis futebolistas já usados por Lopetegui na posição de extremo, o único lugar onde Quaresma se propõe ser titular.

Os jogadores envolvidos na amostra, para que se entenda, são Brahimi (608 minutos de utilização), Oliver (333), Tello (323), Quintero (268) e Adrián (197). Deste quinteto, apenas Tello tem o mesmo problema de Quaresma (255) – passe o que passe estará sempre confinado à posição de extremo.

Tanto tiro para nada

Uma coisa parece certa, Ricardo Quaresma, na flor dos seus 31 anos, está a tentar mostrar que pode ser uma mais-valia. Isso pode ser apreciado pelo número de remates efectuados. São 11 no total, apenas menos dois que Brahimi. Mas os disparos do português são feitos com pouco critério, pois nenhum deles foi direccionado à baliza.

Este aproveitamento de 0% pode também ser sinal do nervosismo que está a afectar o internacional português por não ser primeira opção. Uma percentagem, por exemplo, bem diferente de Quintero, que em sete remates quatro foram enquadrados, e de Brahimi – três à baliza em 13. Pode ser também sinal da menor paciência de Quaresma para se envolver no jogo coletivo, preferindo visar a baliza em detrimento das trocas de bola de que Lopetegui parece ser defensor.

Há dois números favoráveis a Quaresma; a percentagem de eficácia de passe no último terço (80%), onde é preciso arriscar decidir bem, apenas atrás de Brahimi – aliás, o argelino parece competir num campeonato à parte e talvez por isso tenha mais minutos que os demais.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Outro dado interessante para Quaresma é o número de cruzamentos, 28, sete dos quais com sucesso. Ninguém tem tantos e Quintero, o segundo nesta variante, conseguiu apenas dez.

Mas depois nada favorece o extremo formado em Alvalade.

O mustang concretizou apenas seis recuperações de bola, a par de Adrian. Ninguém tem menos. Óliver (32) e Brahimi (33) são autênticos campeões na reacção à perda da bola em termos comparativos. Depois, no campo contrário, Quaresma, como atesta o quadro, é, de longe, o elemento deste sexteto aquele que mais vezes perde a bola, isto se ponderarmos os minutos jogados – o português tem 14,6, Brahimi 16 e Tello 8,4…

Uma característica inata que deu a conhecer Quaresma foi a forma como saía do um-contra-um. Pois bem, nos duelos individuais Quaresma obteve apenas 37,8% de sucesso, somente à frente de Quintero (37,5%). Este valor é complementado ainda pelos escassos 22% de eficácia de drible. Números estranhos tendo em conta a técnica individual do antigo capitão portista, que mesmo assim soma uma assistência para golo, precisamente a do 0-5 de Aboubakar no encontro de sábado em Arouca quando tudo já estava decidido.

Perante isto, Lopetegui não estará apenas a ser justo? Fica a questão.