Análise: Porque o Barça escolheu Vermaelen?

O Barcelona contratou Thomas Vermaelen para o eixo da defesa e fomos saber por que motivos os catalães avançaram para uma aquisição de certa forma surpreendente.

Thomas Vermaelen chega ao Nou Camp como terceira opção para o eixo da defesa (foto: FCB)
Thomas Vermaelen chega ao Nou Camp como terceira opção para o eixo da defesa (foto: FCB)

O FC Barcelona já procurava um central há algum tempo. Após perder a corrida por Thiago Silva para o PSG em 2012, o Barcelona foi sempre ameaçando interesse pelos centrais brasileiros do PSG, primeiro novamente por Thiago em 2013 e já neste defeso pelo jovem Marquinhos. O problema é que o emblema de Paris apresenta hoje dois obstáculos que tornaram impossíveis os desejos “blaugrana”: igual ou mesmo superior capacidade financeira e semelhantes ambições. Pelo caminho, os de Paris capturaram ainda outro suposto objectivo dos “culés”, o brasileiro David Luiz, embora como veremos mais adiante talvez tenha sido melhor assim, na perspectiva dos catalães.

Perdendo Puyol, que na prática já havia perdido há algum tempo por motivos físicos, o Barça decidiu este ano efectivamente reforçar o eixo da defesa, entregue nas últimas duas épocas maioritariamente a Piqué e a um adaptado, mas cumpridor, Mascherano. Após um interesse prévio no promissor Aymeric Laporte (que com apenas 20 anos já realizou 50 jogos na Liga BBVA), o Barcelona virou-se em definitivo para o belga Thomas Vermaelen (Arsenal FC), disputando-o primeiro com o Manchester United de Van Gaal e garantindo a sua aquisição por uma verba a rondar os 19 milhões de euros.

Mas será Vermaelen detentor do perfil que justifique a opção desportiva e o investimento financeiro dos “blaugrana”? As dúvidas são naturais. Atingindo os 29 anos em Novembro, Thomas já não constituirá uma aposta na evolução por parte do Barcelona mas sim uma da qual esperam rendimento imediato. Por outro lado o central belga não vem de uma época positiva, tanto ao nível de clube como de selecção. No Arsenal já havia perdido o estatuto de titular na época 2012/13 sendo que 2013/14 apenas reforçou o seu estatuto de ocasional apoio à parceria Koscielny/Mertesacker, realizando apenas 14 jogos, sete deles como suplente utilizado. Talvez por isso o central tenha iniciado o Mundial 2014 a partir do banco, sendo chamado apenas para um jogo, frente à Rússia, e ainda assim na função de lateral-esquerdo, mas uma lesão precoce resultou na sua saída logo aos 30 minutos e o fim do sonho brasileiro para Thomas.

Para lá das dúvidas que o seu passado recente lança, Thomas não é também, pelo seu perfil, um reforço que à primeira vista justifique por inteiro a aposta “culés”: é relativamente baixo para a posição de central (1,80m) e comete demasiados erros de concentração que custaram caro ao Arsenal (na época 2012/13 cometeu três erros defensivos que resultaram em golo adversário). Posto tudo, isto resta-nos apenas um caminho para tentar compreender a aposta catalã: analisar o desempenho de Vermaelen, comparando-o não só com os defesas-centrais mais utilizados pelo Barcelona na última época (Piqué e Mascherano), como também com os principais alvos de mercado dos “blaugrana” nas últimas duas épocas (Thiago Silva, David Luiz, Marquinhos e Laporte).
 

 

Thomas oferece mais do que a “embalagem”

Mesmo tendo em conta que a última época esteve longe de ser positiva para Vermaelen, a verdade é que a comparação de diversas variáveis de eficácia importantes num defesa-central demonstram que o belga não só não tem um desempenho inferior como até se demonstra superior em alguns domínios face a “concorrentes” com suposto valor de mercado mais elevado. E a variável que salta de imediato à vista é aquela que mais explica o interesse não só do Barcelona, mas de Louis Van Gaal no central belga: a eficácia de passe, na qual Vermaelen se equipara a Marquinhos (91%) e é apenas ultrapassado por aquele que sobressaí neste comparativo como comprovadamente o melhor central da actualidade: Thiago Silva. O novo central do “Barça” é, aliás, suplantado pelos dois centrais brasileiros do PSG, Marquinhos e Silva, em cortes, disputas aéreas e no balanço geral de duelos travados com adversários, mas mostra-se superior a Javier Mascherano, que irá encontrar no plantel, em todos estes domínios (vide infografia). E mesmo naquela que será a iniciativa menos recomendável num central, o drible (pelo menos em terrenos recuados), o belga apresenta uma eficácia (75%) apenas suplantada pelo mesmo suspeito de sempre: Thiago Silva.

O FC Barcelona não tem sido particularmente eficaz (sobretudo na era Rosell e posteriores derivações) na hora de contratar jogadores que complementem, com rendimento, o que produz na sua cantera. O tempo o dirá se Vermaelen demonstra ser uma aquisição superior à imagem de “terceira opção” que naturalmente traz à sua chegada ou se engrossa a longa lista de contratações catalãs cujo rendimento não foi directamente proporcional ao investimento, fruto sobretudo das suas clássicas dificuldades de concentração durante os 90 minutos. A análise do seu desempenho apenas resulta numa conclusão: Luis (Enrique) e Louis (van Gaal) não estariam loucos quando decidiram disputar o recentemente “apagado” central.