PSV: os analytics, forças e fraquezas do perigo neerlandês

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(este artigo foi originalmente publicado a 17 de Agosto de 2021 e actualizado a 24 de Agosto do mesmo ano)

O Benfica arranca esta quarta-feira o primeiro de dois capítulos que irão definir o seu destino europeu, seja ele a fase de grupos da Champions ou então a mesma fase mas na Liga Europa. Pela frente estará um velho conhecido, o PSV Eindhoven, que já defrontou, sem sucesso, numa final da Liga dos Campeões, naquele que foi o duelo mais importante entre os dois emblemas. Desta vez o duelo não é de final mas provavelmente vale muito mais dinheiro, do que o dessa noite de 1988, em Estugarda.

O resumo do primeiro capítulo

Esta antevisão foi publicada antes do primeiro embate entre Benfica e PSV, que os “encarnados” venceram por 2-1 no Estádio da Luz. Os alertas, forças e fraquezas sobre o adversário continuam no entanto válidos, e foram até confirmados neste primeiro jogo, desde a dificuldade que o Benfica teve em travar os extremos do adversário à forma como aproveitou um canto para ampliar a vantagem. Deixamos os ratings do jogo, sendo que podes conferir neste link tudo o que escrevemos sobre a partida, e neste a imprevista “novela” Odysseas que surgiu, qual bónus, nos dias seguintes.

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Arranque-relâmpago 

Já passou tanto tempo desde a célebre final que os neerlandeses já nem sequer trazem a mítica Phillips na camisola. No entanto, não é por isso que este PSV deixa de prometer ser um “bico de obra”, sobretudo tendo em conta os resultados recentes que a receita do treinador alemão Roger Schmidt tem garantido, no plano interno e externo, com seis vitórias noutros tantos jogos oficiais em 2021/22.

Pelo caminho o PSV já despachou o Ajax com uma goleada (4-0) na Supertaça neerlandesa e enviou de volta para casa o Midtjylland e o Galatasaray, este último com direito a um agregado de 7-2. Em seis jogos os de Eindhoven apenas permitiram golos em dois encontros e nunca mais do que um. Golos a favor? 17. Está bom de ver o porquê do desafio ser de monta para o Benfica.

Ora nada disto se consegue sem jogadores e é precisamente deles que vamos falar, destacando as forças (mas também algumas fraquezas) identificáveis no desempenho do adversário do Benfica.

Eran Zahavi 🇮🇱, o homem-golo

Aos 34 anos é tudo menos um novato nestas andanças. O israelita é o homem-golo dos quatro jogos de qualificação dos neerlandeses, a marcar e a oferecer, com seis acções para golo no total. Quase inofensivo pelo ar (18% de duelos aéreos ganhos e zero golos de cabeça), é com a bola no pé que vira ameaça, e não só a rematar, como mostra o rácio de passes ofensivos valiosos que oferece. Conseguir anulá-lo (ou a quem lhe faz chegar a bola) pode ser tarefa complicada mas é meio caminho andado para os “encarnados” cumprirem o objectivo.

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Mario Götze 🇩🇪, o arquitecto

A última vez que o vimos brilhar a sério tínhamos acabado de nascer e cobríamos o nosso primeiro Mundial, torneio que o alemão decidiu com um golo de ouro (2014). Desde então a sua carreira esmoreceu, com as lesões a não ajudarem, mas neste arranque de época Mario parece de volta aos seus tempos de glória.

Jorge Jesus pode não atinar com o seu nome mas acertou no que os seus pupilos terão de evitar, se quiserem discutir a eliminatória: Götze não pode aparecer entre-linhas, com espaço para criar o pânico, através do passe ou até mesmo do remate (leva três golos) senão a coisa complica-se.

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Noni Madueke 🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿, o craque em erupção

O inglês com raízes nigerianas fugiu da formação do Tottenham para crescer no Futebol neerlandês a sua aposta começa a dar frutos e dos bons, assumindo-se como uma das maiores revelações do futebol europeu, neste início de época. Não nos vamos repetir sobre os seus predicados pois acabámos de publicar um artigo detalhado sobre Noni, que te convidamos a ler. Fica só o aviso: cuidado quando ele ganha balanço, a partir da direita, em direcção à área.

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Marco Van Ginkel 🇳🇱, o pilar do miolo

Jorge Jesus sabe a importância de contar com um bom médio-centro, ou não tivesse feito finca-pé por João Mário. Ora no PSV é Marco Van Ginkel o homem que assume o patronato do meio-campo. O neerlandês não cumpriu as previsões de carreira que o seu trajecto inicial prometia, ele que foi contratado em 2013 pelo Chelsea para viver uma sequência de empréstimos, o último deles recorrente, desde 2016, precisamente ao PSV, onde chegou a título definitivo neste Verão. No entanto, carreiras gloriosas à parte, o médio de 28 anos assumiu neste início de época a responsabilidade que se lhe exige, com os números que o comprovam.

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Os outros… e as fraquezas

Cody Gakpo é um produto da formação do PSV e até tem uma valorização de mercado superior a Madueke mas, apesar dos bons números, não tem tido tanta influência como o seu colega de ataque pelos flancos. Ainda assim o melhor é ter cuidado com ele, a taxa de dribles eficazes e passes ofensivos valiosos assim o recomenda.

Ibrahim Sangaré é o “músculo” que acompanha Van Ginkel no miolo, um trinco como Jesus gosta (1.91m) e a excepção que quebra a tendência neerlandesa deste início de época de não se mostrar brilhante no jogo aéreo.

Nos corredores laterais defensivos surgem dois Philipps: Max e Mwene, ambos contratados no futebol germânico, o primeiro é mesmo alemão, o segundo austríaco.

Curiosamente, apesar da ineficácia de Max no desarme neste início de época e do desempenho globalmente mais positivo de Mwene, é pelo flanco deste último (e de Madueke) que os adversários levaram mais perigo à baliza do PSV. É também pelo flanco do austríaco que o PSV perde mais vezes a posse, no seu terço defensivo.

[ O mapa das acções ofensivas perigosas permitidas (esquerda) e perdas de posse (direita) do PSV, nos quatro jogos de qualificação ]

É no eixo defensivo que encontramos os indícios mais promissores para o Benfica. Apesar de ter sofrido apenas dois golos, o PSV não é um portento a defender, como ficou confirmado no primeiro embate, na Luz.

[ O mapa de duelos aéreos ganhos/perdidos (esquerda) e passes para finalização permitidos (direita) pelo PSV ]

André Ramalho é claramente o homem com sinal mais da dupla de centrais e o que mais apoia na construção, mas repare-se que até ele demonstra uma preocupante (ou promissora, na perspectiva do Benfica) eficácia nos duelos aéreos. Boscagli, o companheiro habitual, compensa nesse capítulo mas, tal como uma manta que nos destapa, mostra lacunas na eficácia de desarme. Atrás deles surge Joel Drommel, um guardião neerlandês relativamente jovem para a posição (24 anos). O mapa de passes para finalização permitidos pelos neerlandeses (acima) mostra uma curiosa fragilidade na hora de defender pontapés de canto originados no seu flanco esquerdo, bem como cruzamentos, de uma forma geral.

Conseguirá o Benfica suster, em Eindhoven, os pontos fortes do adversário e aproveitar as fraquezas com o mesmo grau de eficácia que mostrou na Luz? Mais logo descobriremos, por agora terminamos com o comparativo estatístico entre os adversários nesta fase de qualificação.

GoalPoint
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