Análise: Quem é o guardião da Liga?

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A posição de guarda-redes é talvez aquela em que a expectativa e o consequente desempenho é mais influenciada pelas reais aspirações do clube onde se joga. Guardiões de emblemas que lutam por objectivos mais humildes estão usualmente sempre em jogo, enquanto aos seus congéneres de “equipa grande” se exige a maior concentração e eficácia, na hora de corresponder às menos frequentes mas determinantes ocasiões em que são chamados a intervir. Esta diferença separa muitas vezes os guarda-redes capazes de jogar ao mais alto nível. Decidimos assim analisar os guardiões dos primeiros quatro classificados da Liga, no fundo aqueles que mais demonstram (ou espera-se que demonstrem) o estatuto de guarda-redes de um clube com maiores aspirações. Analisamos assim o desempenho comparado de Fabiano (FC Porto), Rui Patrício (Sporting CP), Matheus (SC Braga) e de Artur e Júlio Cesar, atendendo à especificidade da utilização equilibrada que o SL Benfica fez dos seus guarda-redes ao longo desta época.

BENFICA… DIVIDIDO

No caso do Benfica o contexto é desde logo especial: a baliza “encarnada” foi dividida, ao longo desta Liga, de forma quase igual entre Artur Moraes e Júlio César, embora o brasileiro tenha conquistado já a titularidade, interrompida por uma lesão, tendo participado em 15 jogos contra 12 de Artur. Olhando para a prestação dos guarda-redes “encarnados” sobressaí o equilíbrio. Júlio César sofreu menos golos por jogo disputado mas também enfrentou menos remates enquadrados (Artur iniciou a época, uma fase em que defensivamente o Benfica foi mais permissívo). Já Artur, sendo mais permeável, realizou mais defesas por jogo e defendeu a única grande penalidade que enfrentou.

TITULARES INDISCUTÍVEIS

Fabiano e Patrício foram ao longo da época titulares indiscutíveis das suas redes (Fabiano apenas não o foi em duas partidas, uma por castigo) mas com prestações bastante distintas. Rui Patrício é claramente o grande perdedor deste comparativo a cinco, com a maior percentagem de golos sofridos versus remates enquadrados defrontados, um abaixamento de forma que tem sido mais evidente desde o início do ano de 2015. O guardião da selecção nacional é também o que mais golos sofreu por jogo (quase um por partida) e o que menos defesas realiza entre cada golo sofrido (2,4). Já o brasileiro do FC Porto surge num patamar mediano: irrelevante nas grandes penalidades encaradas, mantém um desempenho apesar de tudo superior a Rui Patrício, mas ainda assim inferior a Júlio César e Artur na hora de ponderar a percentagem de remates enquadrados que permitiu serem convertidos em golo (quase 20%).

E O REI… MORA EM BRAGA

A surpresa do comparativo acaba por ser Matheus Magalhães, o jovem guardião do SC Braga que, aos 21 anos, demonstra, pelos números e exibições, um potencial elevado dada a longevidade da posição. O jovem brasileiro destaca-se de imediato pelo facto de ter defendido duas das três grandes penalidades que enfrentou, mas não se fica por aí na hora de suplantar os colegas. Matheus apresenta uma média de golos sofridos idêntica a Fabiano, embora enfrente o número mais elevado de remates enquadrados por partida (3,8), realizando também mais defesas por desafio do que qualquer outro guardião (3,1). Talvez por isso Matheus se supere também no facto de realizar praticamente oito defesas entre cada golo sofrido e apenas ter concedido em pouco mais de 10% dos remates enquadrados que encarou.

Mas nem tudo são rosas: Matheus é o guarda-redes do comparativo que mais golos sofreu de fora da área (seis, com os restantes a sofrerem apenas um com excepção de Fabiano que não permitiu tentos de longa distância) sendo no entanto natural que um guardião tão jovem tenha ainda muito a melhorar. De referir também que o brasileiro cedeu a baliza dos “gverreiros” ao russo Kritciuk em seis ocasiões, o autor de uma vistosa exibição na Luz, em eliminatória a contar para a Taça de Portugal. Os números do suplente fazem crer que o Braga poderá ter a posição bem resolvida nos anos vindouros, assim o permita o mercado: concedeu apenas 2 golos, representando 14,3% dos remates enquadrados que enfrentou, um registo digno de pódio caso não tivessemos limitado a mais de 10 o número de jogos necessários para constar deste comparativo.

Terminamos com alguns dados complementares à infografia:

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Legenda: GS – golos sofridos; RE – remates enquadrados enfrentados     (powered by OPTA)

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