Com um clique sabemos rapidamente quem marca mais golos na Liga. Desde que surgiu o GoalPoint sabemos também quem faz não só mais assistências como também cruzamentos e outros passes para ocasião eminentemente decisiva nas partidas do nosso campeonato. Mas como é que todos esses indicadores ofensivos, os mais directamente influentes (no plano ofensivo) no resultados das partidas se conjugam? Como podemos identificar, com base nos dados OPTA que trabalhamos, os elementos com maior produtividade e influência directa no bom percurso das suas equipas? E já agora quem são? Foi este o exercício a que nos propusemos e que vamos desenvolver nos próximos dias.

Em primeiro lugar restringimos o âmbito da análise aos jogadores dos primeiros cinco classificados da Liga (Benfica, Porto, Sporting, Braga e Guimarães). Os jogadores analisados teriam também de cumprir os seguintes requisitos mínimos: participação em pelo menos 13 jogos com não menos de 650 minutos realizados na competição e uma média mínima (combinada) de remates enquadrados e passes para ocasião não inferior a um evento a cada 90 minutos. Desde critério resulta um conjunto de 44 jogadores que, à luz dos dados acumulados até à jornada 26, irão basear a nossa busca pelos mais ofensivos, influentes e produtivos jogadores do topo da tabela da prova.

OS MAIS OFENSIVOS

Antes de entrarmos na produtividade propriamente dita (golos e assistências) analisamos a quantidade, conjugando dois factores essenciais: remates e passes para ocasião de golo dos 44 eleitos. Quanto ao remate restringimos o comparativo à quantidade média de remates enquadrados com a baliza de modo a apurar o mais possível os resultados (pois há quem muito remate e pouco acerte). Eis o resultado que obtemos:

Clique  no gráfico para ampliar (gráfico: GoalPoint)
Clique no gráfico para ampliar (gráfico: GoalPoint)

Desde logo sobressaem os extremos e algumas curiosidades. No domínio do disparo, Montero e Slimani (Sporting CP) rematam à baliza com mais frequência até do que Jackson (FC Porto) ou Jonas (SL Benfica) a cada 90 minutos embora provavelmente a forma como o fazem explique uma menor produtividade face a outros avançados da Liga: Slimani remata muitas vezes de cabeça, fruto do estilo de jogo leonino, muitas delas para a defesa fácil dos guardiões, enquanto o colombiano recorre frequentemente ao pontapé de média e longa distância, um gesto que executa com qualidade mas que diminui drasticamente a real perigosidade dos remates enquadrados que faz comparativamente a outros avançados.

O caso do colombiano do Sporting permite a passagem para outro indicador relavante: os passes para ocasião. Os maiores apreciadores do estilo de Montero referem muitas vezes a crença na sua maior utilidade como segundo avançado, um elemento mais colaborativo e até municiador do que concretizador mas os factos demonstram que o colombiano realiza muito poucos passes para ocasião para o que os defensores desta tese deveriam esperar, pouco mais até que pontas-de-lança “puros” como Slimani, Jackson ou Jonas, embora em linha com Lima, outro avançado bastante mais participativo no jogo colectivo da sua equipa.

No capítulo dos passes para ocasião, Quaresma e Pizzi lideram o comparativo, seguidos de perto pelo “rei” das assistências da Liga NOS, o benfiquista Gaitán. No caso do portista o registo poderá surpreender aqueles que identificam no extremo um estilo de jogo excessivamente individualista: o “Mustang” é dos jogadores que mais cruza na prova e joga actualmente de forma bem mais altruísta do que no início de carreira, embora fique a dúvida (desfeita ainda esta semana) sobre até que ponto o que produz é devidamente aproveitado e influente nos resultados dos “dragões”.

Focando a nossa atenção no quadrante superior direito do quadro identificamos assim os nove jogadores que mais situações ofensivas produzem a cada 90 minutos, surgindo talvez com únicas surpresas Salvador Agra (SC Braga) e Carlos Mané (Sporting CP), uma espécie de suplentes decisivos que saltando muitas vezes do banco acabam por produzir acima da média e de forma equilibrada.

Prosseguimos esta quarta-feira, com a análise dos jogadores mais influentes, comparando o somatório das duas variáveis aqui analisadas com o número de golos e assistências que realmente ofereceram às suas equipas.