A busca leonina de um jogador que pudesse compensar a grave lesão de Lukas Spalvis e as saídas de Teo Gutiérrez e Hernán Barcos (e quem sabe, no momento em que escrevemos, de Islam Slimani), foi uma das temas que mais capas de jornal alimentou.

Muitas dezenas de rumores e nomes depois, un mais atingíveis que outros, o Sporting tem finalmente um novo homem de área. Chama-se André, chega do Corinthians, e já vestiu a camisola da “canarinha” em quatro ocasiões, a última das quais há cinco anos.

Talento precoce

André começou a destacar-se muito cedo na sua carreira e com apenas 18 anos fez a sua estreia na equipa principal do “peixe” (Santos, do Brasil). Se na primeira época em 2009 marcou apenas dois golos, a segunda viria a ser tão auspiciosa que lhe valeria, no final da época, uma chamada à selecção principal do Brasil e uma transferência no valor de €8M para os ucranianos do Dinamo Kiev.

Essa época de 2010 continua a ser até hoje a melhor da sua carreira, tendo marcado um total de 26 golos entre Brasileirão, Taça do Brasil e Campeonato Estadual Paulista. No entanto a primeira aventura europeia não lhe correu bem, e após sucessivos empréstimos foi “resgatado” em 2012 pelo Atlético de Mineiro.

Habitualmente titular por onde foi passando, a folha de serviço de André apresenta quase sempre um mínimo de dez golos por época e tem a curiosidade de chegar ao Sporting com um total de exacto de 100 golos marcados em competições oficiais na carreira.

Passagem para esquecer no “Timão”

André representou o Corinthians, a última camisola que envergou antes de chegar ao Sporting. O avançado chegou ao clube de São Paulo em Janeiro de 2016 a “custo zero”.

A primeira metade da corrente época no “timão” não lhe correu particularmente bem, e para além do escasso tempo de utilização (foi titular apenas seis vezes em 20 jogos no Brasileirão), a sua passagem pelo Corinthians fica marcada por uma grande penalidade falhada num jogo decisivo da Copa Libertadores e por alguns episódios polémicos fora das quatro linhas. Até pelos comentários que chegaram do Brasil nas redes sociais, pode-se dizer que André não deixa muitas saudades entre os adeptos do “Timão”.

Devido a essa mesma pouca utilização, a época que analisamos de seguida é a de 2015, ano em que André, ao serviço do Sport Recife, apontou 13 golos num total de 29 jogos disputados.

GoalPoint | Reforços 2016/17 | André | Sporting CP
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Comparando os números de André com os de Slimani e Teo Gutiérrez na época passada, pode-se dizer que o brasileiro mistura um pouco de cada um dos jogadores, mas não necessariamente as melhores facetas.

Com mais seis centímetros do que Teo Gutiérrez, André apresenta naturalmente números melhores que o colombiano no que concerne à eficácia nos duelos aéreos, no entanto não se pode dizer que o brasileiro tire muito partido disso na hora de rematar à baliza. Apenas 0,4 remates de cabeça a cada 90 minutos estão longe de validar André como um bom “target man”, mas o preocupante é que, ao contrário de Teo Gutiérrez, André não compensa isso com uma mais constante participação no restante jogo ofensivo da equipa.

O ex-corinthians faz menos passes para ocasião ou dribles eficazes que o colombiano e ainda apresenta uma eficácia menor na hora de rematar à baliza. No entanto, o brasileiro é mais voluntarioso na hora de apoiar as obrigações defensivas.

Alternativa de banco?

Se em quantidade André está longe de ser tão activo como Islam Slimani, rematando cerca de metade das vezes do argelino, em qualidade e eficácia esse menor número de “balas” não é necessariamente compensado com eficácia de remate ou mesmo participação nos outros momentos da fase ofensiva.

Por esse motivo, não nos parece que André tenha, num primeiro momento, características para se assumir como titular dos “leões”, restanto ver como corre a sua adaptação e até que ponto Jorge Jesus consegue enaltecer as suas virtudes e trabalhar os seus defeitos na perspectiva de o tornar uma solução mais séria.

A verdade é que o técnico assumiu conhecer bem o brasileiro e até se referiu a ele como um dos exemplos do seu “scouting”, o que faz acreditar que Jesus tem ideias bem específicas sobre como aproveitar as suas características dentro do modelo que preconiza.

Novo Liedson, mais um Tiuí ou algo pelo meio? O destino de André reside nas mãos de Jorge Jesus.

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