Entre Dezembro de 2016 e Janeiro de 2017 o Sporting operou aquilo a que muitos chamam de uma “limpeza de balneário”. O “leão” vendeu ou cedeu jogadores, retirou outros das opções e fez regressar alguns “miúdos” emprestados no início da época. Que efeitos tiveram tantas mexidas no desempenho leonino na Liga NOS? Fomos à procura da resposta.

O afastamento de quase todos os objectivos a que o “leão” se propunha nesta época foi determinante na opção, aliado à provável conclusão de que muitas das opções de mercado tomadas no defeso de 2016 não foram as mais felizes.

Mas vamos ao que interessa: quais são as principais diferenças (e semelhanças) que identificamos no Sporting, comparando os (15) jogos da Liga NOS 16/17 que o “leão” disputou entre Agosto e Dezembro de 2016 com as 12 que jogou desde 1 de Janeiro 2017? Aqui estão elas, com o desempenho desde Janeiro 2017 a “amarelo GoalPoint”.

1. O Sporting remata menos mas…

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O Sporting fazia, até final do ano, uma média de quase 14 remates por jogo. Desde então o “leão” baixou a cadência de tiro para os 11 disparos por partida. Já no que toca à perícia com que os “verde-e-brancos” enquadram os remates, tudo se mantém igual e em bom nível: o Sporting continua a ser a equipa com melhor percentagem de disparos enquadrados da Liga, com 43,9% (41,9% até Janeiro), embora com o Porto muito perto (43,6%). Mas terá a menor frequência de tiro prejudicado os “leões”? A resposta vem a seguir.

2. …está muito mais eficaz

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Os “leões” melhoraram muito a percentagem de remates convertidos em golo a partir do ano novo, liderando aliás a Liga em 2017 neste capítulo com quase 18% de concretização, seguidos pelo FC Porto (16,5%). Na primeira “metade” da Liga (até Dezembro), o conjunto de Jorge Jesus rematou mais, mas ficou-se pelos 12,3%, atrás de Braga, V. Guimarães e Benfica.

3. O “leão” cria menos ocasiões flagrantes…

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Tal como sucede com a cadência de remate, o Sporting cria também menos ocasiões flagrantes* de golo por jogo, exactamente uma a cada 90 minutos, muito longe das 2,5 criadas pelos “dragões” desde Janeiro, colocando o “leão” num modesto quinto lugar nesta variável e em quebra face à produção até Dezembro (1,4 ocasiões). Mas tal como sucede com os disparos…

* definição: ocasião de golo frente ao guarda-redes ou baliza desocupada, sem qualquer outro jogador de campo entre o rematador e o golo

4. … aproveita-as como ninguém

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O Sporting pode criar menos ocasiões de golo iminente desde Janeiro, mas aproveita o cara-a-cara com o golo como ninguém, uma qualidade em muito influenciada por Bas Dost, mas não só. Se até Dezembro o “leão” se ficava pelo sexto posto no ranking do aproveitamento destas ocasiões, com 55,2%, dispara agora para os quase 79%, um registo muito superior aos atingidos pelos candidatos Benfica (51,9%, sexto) e Porto (44,4%, 11º). Garras letais.

5. Mas nem tudo são “rosas”, porque lá atrás…

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Apesar da maior eficácia ofensiva leonina, há algo que não mudou ou mudou muito pouco desde Janeiro: a facilidade com que os “leões” sofrem golos, face ao número de remates que permitem. O Sporting permitiu, até ao ano novo, 96 remates em 15 jogos, sofrendo 13 golos, o que corresponde a 13,5% de disparos que deram golo na baliza “verde-e-branca”. Nos 12 encontros já disputados em 2017, os números não mudam muito: 14 golos sofridos em 106 remates, o que corresponde a 13,2% de “encaixe”, mas atesta até uma maior permissividade, com mais remates permitidos e mais golos sofridos em menos jogos.

Continuaremos a acompanhar o desempenho leonino no que falta disputar na Liga NOS, numa fase em que o Sporting vai cumprindo e esperando mais “escorregões” do pelotão da frente, preparando-se ainda para assumir um papel central na discussão do título já este mês, aquando da visita do Benfica a Alvalade.