A temporada de 2018/19 nas competições europeias foi totalmente dominada por um só país, Inglaterra. No próximo sábado joga-se a final da Liga dos Campeões, entre o Liverpool e o Tottenham, mas esta quarta-feira é dia da grande decisão da Liga Europa. Em Baku, no Azerbaijão, disputa-se a primeira final 100% inglesa desta semana, com Chelsea e Arsenal a decidirem entre si quem leva para casa o segundo mais cobiçado troféu europeu.

Este é um dos casos em que se apresenta como muito difícil apontar um favorito à vitória final. Na Premier League é certo que os “blues” terminaram no terceiro lugar e os “gunners” no quinto, mas apenas dois pontos separaram as duas formações na tabela, e até no confronto directo, cada uma das formações ganhou o seu jogo em casa. Na Liga Europa, os números das duas equipas, no entanto, poderão dar alguma luz sobre o que esperar do jogo desta quarta-feira, com arranque marcado para as 20h00.

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O Chelsea tem-se mostrado bem mais concludente ao longo da competição esta temporada, nos diversos momentos de jogo. As equipas de Maurizio Sarri são conhecidas pela sua obsessão pela posse de bola e pelo passe; não espanta, por isso, que os “blues” sejam a equipa com mais posse de bola esta época na prova, com 63%, sendo que nos últimos cinco encontros registou cerca de 60% (vide infografia acima). Um contraste grande com o Arsenal, que não surge sequer no “top 5” desta variável e que nos últimos cinco jogos não foi além de 46%.

A média de golos e os próprios expected goals (xG) a favor estão do lado dos “gunners”, equipa que se faz valer da velocidade nas transições para criar perigo. São, portanto, duas formações com filosofias muito distintas, pelo que é de esperar um Chelsea dominador, perante um Arsenal na expectativa e à espreita de espaços na retaguarda contrária para atacar de forma clínica e letal. Os comandados de Sarri vão tentar explorar as conhecidas fragilidades defensivas dos homens de Unai Emeri, que permitem mais xG aos seus adversários (1,0) do que conseguem construir (0,7) – os 13,6 remates permitidos por 90 minutos pelo Arsenal nos últimos cinco jogos são demonstrativos disso mesmo.

Quanto a individualidades, poderíamos falar de muitos nomes, à cabeça Eden Hazard, o melhor jogador da Premier League com base nos GoalPoint Ratings. Contudo, nos últimos cinco desafios do Chelsea na Liga Europa foi o brasileiro Willian a estrela maior. Aliás, o brasileiro é mesmo, à entrada para a final, o jogador com melhor GoalPoint Rating de todos em prova – com um mínimo de 631 minutos disputados. Leva 2,5 remates a cada 90 minutos, 3,8 passes para finalização (máximo da prova), 4,8 tentativas de drible (quarto mais alto), com 61% de eficácia, três golos e sete assistências (também máximo, a par de Ihar Stasevich, do BATE Borisov). Números que falam por si sobre a importância de Willian.

Do outro lado temos Pierre-Emerick Aubameyang. No lote dos segundos melhores marcadores da prova, com oito golos (menos dois que Girou e Jovic), o gabonês tem estado em grande forma, sendo o jogador com mais remates a cada 90 minutos até ao momento (4,6), e mais enquadrados (2,4). O Arsenal conta com a sua vertigem ofensiva para apanhar o Chelsea em contra-pé e aproveitar os espaços concedidos pelos “blues”.

Factos e curiosidades

  • O embate de Baku será a segunda final 100% inglesa da Taça UEFA/Liga Europa, após o confronto entre Tottenham e Wolves na Taça UEFA de 1972.
  • Este será o 198º encontro entre o Arsenal e o Chelsea em todas as competições, mas apenas o terceiro nas provas europeias – defrontaram-se nos quartos-de-final da Liga dos Campeões de 2003/04, com os “blues” a seguirem em frente com 3-2 na eliminatória.
  • O Chelsea-Arsenal será a primeira final entre duas equipas a acontecer na Taça de Inglaterra, Taça da Liga Inglesa e numa grande final europeia.
  • Esta será a sexta final europeia tanto para Arsenal como para Chelsea. Apenas o Manchester United (7) e o Liverpool (14 – incluindo a final da Champions de 2019 – têm mais em termos de clubes ingleses.
  • O Arsenal perdeu quatro das cinco finais europeias em que participou, tendo a única vitória acontecido na Taça das Taças de 1994, ante o Parma.
  • O Chelsea venceu quatro das cinco finais em que participou (duas Taças das Taças, uma Liga Europa e uma Liga dos Campeões). Entre ingleses, apenas o Manchester United (5) e o Liverpool (8) venceram mais provas europeias.
  • Esta será a terceira final da Liga Europa disputada por equipas do mesmo país, depois do Porto-Braga em 2011 e do Atlético de Madrid-Athletic de Bilbau em 2012.
  • O treinador do Arsenal, Unai Emery, tem mais troféus da Liga Europa do que qualquer outro técnico, com três títulos pelo Sevilha em 2014, 2015 e 2016.
  • O avançado Olivier Giroud, do Chelsea, marcou dez golos na presente Europa League, o máximo que um jogador dos “blues” conseguiu numa só temporada na Europa (excluindo fases de qualificação) e o máximo conseguido por um francês numa só época numa competição da UEFA, igualando os números de Nestor Combin na Taça das Taças de 1963/64 e Just Fontaine na Taça dos Campeões de 1958/59.
  • Unai Emery poderá tornar-se no quarto treinador a vencer a Taça UEFA/Europa
    League por dois emblemas diferentes, depois de Giovanni Trapattoni (Juventus e Inter), José Mourinho (Porto e Manchester United) e Rafael Benítez (Valência e Chelsea).