Antevisão: “Dragão” pode esbarrar no “castelo”

A superioridade do FC Porto nos seus jogos poderá esbarrar no dinamismo e eficácia do V. Guimarães, num confronto em que os detalhes podem ajudar o "castelo" a repelir o "dragão".

Dois dos três líderes da Liga portuguesa defrontam-se na quarta jornada da competição. O V. Guimarães recebe o FC Porto e ambas as formações atravessam excelentes momentos de forma. Antevê-se um embate de bom nível, com a intensidade a caracterizar o futebol das duas formações. No entanto, ambas têm abordagens totalmente distintas ao jogo, o que abre inúmeras possibilidades tácticas.

A história está do lado portista, claramente, sendo que nas últimas cinco temporadas (desde 2009/10) os “azuis-e-brancos” oito dos dez encontros entre as duas formações a contar para a Liga, registando-se dois empates (1-1 em 2010/11 e 2-2 na última época), e 25 golos dos “dragões” contra cinco dos vimaranenses. Como poderão os da casa inverter esta tendência?

Aparentemente não deverá ser pelo domínio do meio-campo ou ataque continuado. Os comandados de Rui Vitória apresentam, neste arranque de época, uma média de posse de bola de 41,4%, contra Porto 71,3% do FC Porto. E também não será pela qualidade do passe: os pupilos de Julen Lopetegui somam 1851 nos três encontros disputados, 1612 deles certos, o que corresponde a 87,1% de eficácia, contra 786 do V. Guimarães (547 certos, 69,6% de eficácia). Cerca de metade dos passes portistas acontecem no meio-campo adversário, 928 (80,7% certos), contra 500 do Guimarães (64% eficazes), o que mostra bem a forma como o FC Porto “sufoca” os seus opositores, em contraponto com uma atitude mais expectante e clássica dos da casa.

Clique na infografia para ler em detalhe (fotos: J. Trindade; infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (fotos: J. Trindade; infografia: GoalPoint)

Vitória eficaz

Será por aqui, certamente, que o jogo se irá desenrolar. Não é de esperar duas equipas perfeitamente encaixadas. O Porto assenta o seu jogo na posse de bola e passe, num meio-campo forte que faz pressão bem à frente, e uma defesa ambiciosa que sobe para tentar cortar espaços aos adversários – em especial as transições ofensivas. Por seu turno, o V. Guimarães tem-se mostrado forte no contra-ataque, no jogo aéreo e na eficácia frente à baliza, pelo que deverão ser estas as armas que tentará colocar em campo para contrariar o claro favoritismo do “dragão”.

Olhemos para os números que sustentam esta ideia: os minhotos somam nove golos contra seis do FC Porto nesta altura, embora nos remates os valores sejam idênticos (50 contra 52 dos portistas). Isto demonstra eficácia atacante. De facto, o Guimarães apresenta um excelente índice de remates enquadrados, 51,2% contra 38,5. E os “dragões” constroem ainda mais oportunidades de golo, 39 contra 27 –  o Vitória tem assim 33,3% de aproveitamento das ocasiões que cria, contra 15,4% portista. Quatro dos nove golos dos minhotos foram apontados de cabeça, e oito conseguidos dentro da área (contra cinco do Porto). Números que se explicam, também, com a capacidade do V. Guimarães nos duelos aéreos: 104 contra 73 do Porto, sendo que os da casa ganharam 53 deles (50,9%) e os “dragões” 30 (41,1%).

André André e Jackson Martínez

Não será de espantar, portanto, que o Vitória aposte nos lances de bola parada para tentar chegar ao golo. Em futebol corrido a estratégia deverá ser a contenção e o contra-ataque, para tentar recuperar a bola e explorar o adiantamento da defesa contrária, através de passes a rasgar. Neste capítulo André André poderá ser fundamental. O médio português está em grande forma e é pedra fulcral na equipa, a par de Bernard Mensah. André soma um golo, uma assistência e cinco passes para oportunidade. É quem soma mais passes na equipa (116, mais 22 que Mensah), com 79,3% de eficácia; tem mais toques na bola (184 para 168 de Mensah) e destaca-se também na recuperação de bola, com 13 (Mensah tem 22). A forma como o colectivo vimaranense conseguir soltar André André da pressão portista poderá ter um peso significativo do desempenho dos anfitriões.

Ao invés, se o FC Porto conseguir anular o médio contrário, poderá ter um dia tranquilo na “cidade berço”. Vai necessitar de estar muito concentrado nas bolas paradas e o posicionamento defensivo terá de ser imaculado, para evitar que os avançados contrários consigam fugir nas duas costas. O facto de o influente Yacine Brahimi poder ser poupado para a Liga dos Campeões poderá trazer benefícios ao jogo do Vitória, mas se o FC Porto conseguir manter o elevado nível de cruzamentos (57 em futebol corrido) e Jackson Martínez voltar a estar em destaque (soma quatro golos em três jogos), até a competência vimaranense nos alívios (76 contra 37 do Porto) poderá não ser suficiente para travar os “dragões” e o atacante colombiano.