A fechar a primeira volta da Liga NOS com “chave de ouro” nada melhor que um “clássico” crucial na corrida ao título. De um lado o Sporting que, após duas derrotas nas últimas três partidas, precisa de vencer para reduzir a distância para o topo da tabela. Do outro o FC Porto, com oportunidade de somar a sua 19ª vitória consecutiva – batendo o recorde nacional de vitórias seguidas em todas as competições – e expandir a sua vantagem no topo da tabela. As emoções estão marcados para este sábado, pelas 15h30, no Estádio José Alvalade.

Os “leões” marcaram por 11 vezes nos três jogos em casa com Marcel Keizer ao comando, mas a veia goleadora do “Keizerball” estava a produzir bem acima do que o que os números ditavam – os resultados menos impressionantes das últimas jornadas são reflexo daquilo que se esperava de uma equipa ainda em transição para um novo sistema. Já os comandados de Sérgio Conceição mantém uma produção ofensiva bem ajustada com o que vão criando.

Nas últimas oito partidas – que vamos utilizar como base estatística durante este artigo para avaliar a “forma” recente dos dois clubes –, o Sporting até é a equipa da Liga que mais remata (17,2 por jogo), mas os “dragões” lideram claramente o campeonato tanto em remates na área (11,8, contra 9,0 do Sporting) como em ocasiões flagrantes criadas (3,4). O Sporting é só a 12ª equipa com mais oportunidades claras criadas (1,1), mas é a formação com mais golos marcados (2,4) neste período. Enquanto os homens de Sérgio Conceição criam muitas chances de qualidade para avançados com taxas de conversão medianas (15% tanto para Marega como para Soares), os “leões” entram nessas zonas de perigo com menor frequência, mas têm na frente Bas Dost, o jogador com a mais alta percentagem de remates convertidos no campeonato (39%).

Focando a atenção agora no desempenho comparado nos últimos cinco encontros disputados pelos rivais os números variam, mas não as tendências:

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Um “leão” com mais bola

Com Keizer ao comando, o Sporting tem-se vindo a transformar numa equipa com maior domínio da bola,  e, com tanta necessidade de ganhar e a jogar em casa, nada indicia que neste “clássico” vá ser diferente. Ao longo das últimas oito partidas, os “verde-e-brancos” foram a segunda formação com mais passes (458,3), com mais passes no meio-campo contrário (250,4) e com maior eficácia nas entregas (83%) – mesmo no meio-campo adversário (77%) e último terço (70%). Foram ainda a equipa com menos passes longos (44,7), enquanto o FC Porto procura-os com muito maior frequência (53,5). Apesar do menor volume de passes, os homens de Conceição fazem uma percentagem mais elevada de passes para a frente e é com esse jogo directo que vão tentar ferir o Sporting em transição.

De um ponto de vista individual, nesta fase do jogo, Mathieu de um lado e a dupla Danilo Pereira e Herrera do outro serão peças-chave. O defesa-central francês é essencial na saída em construção do Sporting: com 80% eficácia de passe no meio-campo contrário e 75% de acerto de entregas para a frente (mais do que qualquer outro jogador do campeonato), estará certamente em foco se os “leões” controlarem a partida. Já os médios do Porto serão pedra basilar na organização defensiva dos “dragões”, o internacional português tem mais recuperações de bola (7,7) e recuperações de posse no meio-campo (4,9) do que qualquer outro dos prováveis titulares. Hector Herrera é o jogador com mais desarmes completos (2,3) e mais acções defensivas no terço intermédio (3,0) dos “azuis-e-brancos”. Será por eles que os campeões irão tentar roubar a bola em zonas fulcrais e partir em perigosas transições.

Explorar fraquezas

Entender como as equipas irão explorar as fraquezas do seu adversário será outro factor de relevo e, curiosamente, ambas têm nos seus laterais-direitos os jogadores em momentos de forma mais delicados, que podem ser aproveitados. Com um Goalpoint Rating médio de 5.34 (o mais baixo dos habituais titulares leoninos), Bruno Gaspar parece ainda não ter convencido os adeptos do Sporting. Aqui terá um grande desafio, enfrentar um dos criativos de excelência do campeonato: Brahimi lidera a Liga em dribles (3,3 eficazes por noventa minutos) e é o quarto do campeonato com mais passes de ruptura (0,4).

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Mas o campeão nacional sofre de problemas similares: Maxi Pereira é o defesa do Porto que mais dribles consente (0,6), para além de ser o jogador – dentro da poderosa defesa “azul-e-branca” – que menos duelos aéreos defensivos vence (59%, na área apenas 40%). O uruguaio irá ter pela frente o jogador do Sporting que mais dribles completa (Nani com 1,6) e poderá ainda ser um alvo de interesse para Dost procurar nos duelos aéreos.

Mais do que um “clássico” ou uma rivalidade, em Alvalade teremos um confronto de ideias de jogo, com implicações enormes na luta pelo trono do futebol nacional.