A idade não perdoa. As responsabilidades, os “putos”, a vida já não permite noitadas como noutros tempos. Mas mesmo assim, anunciado o lançamento da demo de FIFA 16, eis que o mesmo conjunto de sempre de pré-quarentões se organizou (agora por whatsapp, ao menos isso) de modo a testar mais uma edição de um “vício” de cerca de anos. A noite foi longa, a (minha) prestação vergonhosa (o que talvez recomende não levar esta antevisão demasiado a sério, longe vão os meus tempos de glória “fifense”), mas ainda assim ficam as conclusões (preliminares) de mais uma edição de FIFA.

FIFA 16
O FIFA 16 estará disponível a partir de sexta-feira, 25 de Setembro

SERÁ SEMPRE O MESMO JOGO?

Ao encarar o primeiro encontro, sobretudo para quem, como era o meu caso, não jogava há algum tempo, tudo parece mais ou menos a mesma coisa. Nada mais enganador. Um breve regresso posterior a FIFA 15 clarificou rapidamente a evolução gráfica desta segunda incursão futebolística da EA Sports na nova geração de consolas. Tudo parece mais fotográfico, realista e agradável, antes mesmo de observarmos qualquer sprint, drible ou duelo individual entre os craques do pixel. Um dos pormenores mais positivos passa pela melhor iluminação, sobretudo nos jogos nocturnos. Mas adiante porque numa era de brilhantismo gráfico já não será pela qualidade neste domínio que o FIFA nos surpreende.

“THE PACE ABUSING KING IS DEAD”

O FIFA 15 ainda me divertiu mas quase sempre em modo carreira (definindo, a meias com um amigo, o destino de um dos maiores “mercenários” que o futebol digital já viu, capaz de um único defeso trocar duas vezes de clube) ou em “meetings” de amigos, ambos offline. O online não me cativou, por não me parecer transpor toda a riqueza do motor de jogo para a vertente.

Por outro lado, a predominância dos passes aéreos de ruptura e a tradicional valorização da velocidade como desbloqueador de resultados tornavam as partidas de Ultimate Team monótonas, com quase todos os gamers a partilharem uma fórmula comum de sucesso. A julgar pela demo tudo isso desaparece em FIFA 16, resta saber se no equilíbrio perfeito ou em algum exagero. A verdade é que quem se habituou a lançar bolas longas para verdadeiras “setas” como Cristiano ou Aubemayang terá de desenvolver outras estratégias bastante mais trabalhosas, caso queira causar pânico nas defesas adversárias. A somar a estas mudanças surge a velocidade do próprio jogo, perceptivelmente reduzida, a bem do realismo.

FIFA 16
As meninas marcam presença num videojogo de futebol pela primeira na nova edição de FIFA

Um factor que a anterior edição não realçava e que me parece retomado em FIFA 16 é a possibilidade de cada gamer um desenvolver a sua forma de jogar, algo que marcou as melhores versões de FIFA. Na noite de teste (e descalabro competitivo) apercebi-me de estilos e estratégias diferentes, tanto ofensivas como defensivas (embora neste último ponto com maior ajuda da inteligência artificial do que no passado), à medida que ia defrontando diferentes jogadores. Caso a EA tenha conseguido transpor esta versatilidade para o online, creio que FIFA 16 poderá ser muito mais divertido do que a edição anterior.

As exigências que a EA coloca este ano ao nível da construção são também acompanhadas de novos recursos: novos gestos técnicos, um novo sistema de fintas de corpo e um novo estilo de passe oferecem novas soluções, mas todas elas terão de se medir com toda uma nova filosofia defensiva muito mais eficaz e pouco misericordiosa, tanto na intercepção de passes “pingue pongue” como no anular das já referidas bolas pelo ar no espaço vazio. Surge também uma nova opção de tackle útil, no qual, apertando rapidamente o mesmo botão de desarme, conseguimos que o defesa se levante do relvado com muito maior rapidez, evitando os prolongados “deslizares” de carrinho. Em suma: o sistema que o vai ajudar a defender é o mesmo que lhe vai dificultar a vida caso queira ganhar o jogo. E para ajudar à “festa”… a IA dos guarda-redes parece estar francamente melhor, outro ponto nem sempre bem conseguido no passado.

Outro pormenor que parece estar claramente diferente são os cruzamentos para a área, outra estratégia de ataque popular sempre que uma nova edição de FIFA o permite. Com o aumento de eficácia da IA defensiva e com uma aparente alteração (a confirmar) da execução dos cruzamentos, também aqui FIFA 16 exigirá aprendizagem ou mesmo adaptação e alteração de estratégias de jogo.

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