A segunda final 100% inglesa das competições europeias desta temporada é já este sábado (20h00). Após o Chelsea golear o Arsenal e conquistar a Liga Europa, na passada quarta-feira, desta feita Tottenham e Liverpool entram em campo em Madrid para decidir quem será o vencedor da edição 2018/19 da Liga dos Campeões. Se para os “reds” a presença na final da Champions não é propriamente uma novidade, para os “spurs” trata-se de uma estreia absoluta.

[Os ratings da última final da Champions. Tudo sobre o jogo neste link]

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O favoritismo parece pender para o emblema de Merseyside, pelo seu historial da prova (é cinco vezes campeão europeu) e pelo poder que tem demonstrado de ano para ano desde que Jürgen Klopp assumiu o comando técnico da equipa. Esta será a segunda final consecutiva para os “reds” – que perderam a última edição para o Real Madrid -, e a nível interno alcançaram o segundo lugar da Premier League, com 97 pontos, tornando-se no melhor vice-campeão na História da Premiership. Já o Tottenham terminou em quarto lugar, 26 pontos atrás, mas numa época em que não realizou qualquer contratação. É obra. Ainda assim, nos dois embates a contar para a Liga inglesa entre as duas formações, os homens de Anfield levaram a melhor em ambos.

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Os números das duas formações nos últimos cinco jogos da Champions contam histórias diferentes. Em termos de remates as duas formações equiparam-se, mas o Liverpool ganha vantagem nalgumas das principais estatísticas. A começar pela maior facilidade com que entrou nas áreas contrárias e criou perigo. Os expected goals (xG) mostram isso mesmo, com os “reds” a registarem 2,3 a favor, bem acima dos 1,6 do Tottenham. E também permitiram menos aos adversários. Aliás, os xG de ambas as formações aproximam-se sobremaneira da realidade das equipas, quando se mede a média de golos marcados e sofridos. O Liverpool concedeu ainda menos remates aos seus oponentes (11,0), uma consistência defensiva que tem em Virgil van Dijk o seu protagonista. Ele que foi o melhor jogador nos últimos cinco embates da equipa na competição.

Esta final chega com o Liverpool a ocupar o segundo lugar entre as equipas com mais ocasiões flagrantes por jogo (3,0), quando olhamos para a competição como um todo – apenas atrás das 3,1 do Real Madrid. Os “spurs”, com 2,3, surgem bem atrás. Não será, assim, descabido esperar um jogo dominado pelos “reds”, donos das principais ocasiões do jogo, perante um Tottenham mais na expectativa e a explorar as transições. Mas isso é se seguirmos a lógica pura, esquecendo que numa final, em especial de grandes competições, tudo pode acontecer e as equipas superam-se.

Uma das curiosidades estatísticas desde jogo é o facto de os dois jogadores em melhor forma nas suas equipas nos últimos cinco jogos serem defesas, o lateral Kieran Trippier, do lado dos “spurs”, o central Virgil van Dijk, nos “reds”, com clara vantagem para o holandês quando olhamos para os GoalPoint Ratings. Porém, a situação muda de figura quando estendemos a análise à competição desde o início da fase de grupos.

Aqui, o inglês mostra números mais sólidos. Nos 531 minutos que esteve em campo, Trippier realizou 3,9 passes para finalização por cada 90 minutos, números de grande nível, segundo mais elevado entre jogadores com pelo menos 500 de utilização – atrás dos 4,1 de Toni Kross, um médio… Os seus 2,9 desarmes e 1,5 intercepções são também valores a considerar, num jogador habituado não só a defender, como a ser um dos principais criadores de lances de finalização para os seus colegas.

Do lado dos “reds”, a consistência de Van Dijk é à prova de crítica. O holandês chega a este jogo com o extraordinário registo de ter sido o único defesa que não foi ultrapassado em drible uma única vez. Por outro lado, apresenta uma eficácia nos duelos aéreos defensivos muito acima da média (82% ganhos), pelo que um dos desafios do Tottenham será descobrir forma de ultrapassa Van Dijk.

Factos e curiosidades

  • O Liverpool disputa a sua nona final da Taça dos Campeões/Champions League, mais do que qualquer outro emblema inglês. Os “reds” conquistaram cinco das oito anteriores decisões, mas perderam as últimas duas (2007 e 2018).
  • O Tottenham, por seu turno, joga a primeira final da prova e é a oitava formação inglesa a conseguir chegar à decisão. As cinco últimas formações a estrearem-se em finais acabaram por perder – Chelsea em 2008, Arsenal 2006, Mónaco 2004, Bayer
    Leverkusen 2002 e Valência 2000.
  • Esta será a segunda final 100% inglesa da Taça dos Campeões/Champions League, com o Manchester United a bater o Chelsea nos penalties em 2008, na primeira vez.
  • A única final anterior entre Liverpool e Tottenham aconteceu na Taça da Liga inglesa de 1982, com os “reds” a recuperarem de desvantagem e a vencerem por 3-1 no prolongamento.
  • O Liverpool foi finalista vencido na Champions da época passada. A última formação a perder finais consecutivas na prova foi o Valência em 2000 e 2001.
  • Esta é a primeira grande final europeia do Tottenham desde a Taça UEFA de 1984. Caso vença este sábado, os “spurs” tornam-se no terceiro emblema inglês a vencer as três principais competições europeias, depois de Chelsea e Manchester United (Taça dos Campeões/Champions Leagie, Taça UEFA /Liga Europa, Taça das Taças).
  • O Tottenham não venceu nenhum dos três primeiros jogos na fase de grupos esta temporada na competição, tornando-se na segunda equipa com registo semelhante a chegar à final – aconteceu o mesmo ao Inter em 2010, acabando a equipa de José Mourinho por arrecadar o troféu.
  • Apenas o FC Porto (10) tem mais marcadores diferentes (excluindo autogolos) na Liga dos Campeões esta época do que o Liverpool (9).
  • Nenhuma equipa sofreu mais golos esta época na prova do que o Tottenham (17), sendo que 41% desses tentos aconteceram nos primeiros 15 minutos dos jogos (7/17).
  • O treinador do Liverpool, Jürgen Klopp, está na sua terceira final da Champions, tendo perdido pelos “reds” na época passada e pelo Borussia Dortmund em 2013. O único treinador a perder três finais consecutivas na competição foi Marcello Lippi (1997, 1998 e 2003, todas pela Juventus).
  • Esta é a terceira grande final de Klopp na Europa pelo Liverpool, sendo que apenas Bob Paisley (4) conseguiu mais.
  • Mauricio Pochettino é o terceiro treinador a levar o Tottenham a uma final europeia, depois de Bill Nicholson e Keith Burkinshaw. Esta é a segunda final que o argentino atinge desde que é treinador na Europa, após a final da Taça da Liga inglesa de 2015 pelos “spurs” (derrota de 2-0 com o Chelsea).
  • O avançado do Liverpool, Sadio Mané, marcou o golo dos “reds” na final da época passada e poderá tornar-se no segundo jogador do clube a marcar em mais do que uma final da Taça dos Campeões/Liga dos Campeões, depois de Phil Neal (1977 e 1984). Mané poderá tornar-se também no primeiro jogador a marcar em finais consecutivas da prova, desde Franz Roth pelo Bayern de Munique em 1975 e 1976.

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