(Nota: este artigo de antevisão publicado antes da 1ª mão da eliminatória)

O Sporting é, chegados a Abril, a única equipa portuguesa ainda em competição nas provas europeias. E olhando para o nome do adversário dos “leões” nos quartos-de-final da Liga Europa, não é descabido afirmar que, caso os “verde-e-brancos” avancem para as meias-finais, terão então ultrapassado uma verdadeira “etapa de montanha”, daquelas que sinalizam os campeões.

Equilíbrio… só à primeira vista

Sporting e Atleti têm em comum o facto de terem chegado à Liga Europa oriundos da fase de grupos da Champions. As semelhanças já não são tantas nos percursos que ambos seguiram até se encontrarem nos “quartos”. O Atlético cruzou-se com o Copenhaga (5-1 agregado) e ultrapassou depois o Lokomotiv de Manuel Fernandes, actual líder do campeonato russo (8-1), com vitórias em todos os jogos. Já o Sporting teve um percurso teoricamente mais acessível, mas nem por isso mais fácil, eliminando o Astana (6-4) e o Plzen (3-2), num caminho no qual somou duas vitórias, um empate e uma derrota. Logo aqui percebem-se as diferenças entre um Atlético que avançou com facilidade (e muitos golos) e um Sporting que teve de se esforçar, em alguns momentos, para chegar a esta fase (sobretudo frente ao Plzen).

E números?
Eis o resumo do que produziram as duas equipas nestes quatro encontros:

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Uma primeira análise na diagonal deixa uma imagem de equilíbrio. No entanto, e a não ser no brilhantismo individual com que Bruno Fernandes “pede meças” a Antoine Griezmann (detalhado mais abaixo), o equilíbrio é apenas aparente. É que mais do que atentar na relativa proximidade em alguns indicadores apresentados, importa reparar no registo Atleti no que realmente interessa (e preocupa): os poucos golos que concedeu (imagem de marca dos “colchoneros” na era Simeone) e os muitos que vai marcando, a uma cadência de mais de três por encontro.

Não deixa de ser curioso verificar que o Sporting remata mais do que o Atleti, com 17 disparos por jogo contra 14 dos espanhóis, mas essas diferenças esbatem-se na hora de apurar quantos desses remates acertam na baliza, com a agulha a mudar claramente a favor dos espanhóis na hora de medir a eficácia de concretização: os “índios” concretizaram 23% dos seus remates, contra cerca de 13% dos “leões”. O registo leonino é normal, já o desempenho madrilenho é… astronómico.

Bruno e mais dez

Na Liga Europa tem sido Bruno e mais dez, da parte do Sporting. O médio-ofensivo leonino, que por vezes ocupa funções quase de segundo avançado, tem tido um desempenho superlativo na Liga Europa (participou em nada menos que seis dos nove golos leoninos), ao ponto de nada ficar a dever (pelo contrário) à “estrela” do ataque do Atlético, Antoine Griezmann, que regressará amanhã certamente à titularidade, fazendo dupla com o regressado Diego Costa.

GoalPoint-Antoine_Griezmann_2017_vs_Bruno_Fernandes_2017-infog
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O Sporting enfrenta assim uma “montanha” de difícil escalada, esta quinta-feira, em Madrid. E caso regresse a Lisboa com boas hipóteses de hastear bandeira no seu cume, serão ainda vários (e importantes) os “leões” que terão de escapar a um amarelo impeditivo de alinhar na segunda mão, são eles Acuña, Coentrão, Gelson, Battaglia, Dost e o essencial Bruno Fernandes.