Este poderá ser “um passeio no parque” para a França. Após a dolorosa derrota em sua própria casa na final do Euro 2016, frente a Portugal, os gauleses vão tentar redimir-se neste Mundial da Rússia e afastar os fantasmas do trauma parisiense. E nada melhor que um Grupo C aparentemente acessível para uma das selecções em melhor forma nesta altura.

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O principal adversário da favorita França deverá ser, se a lógica imperar, a Dinamarca. Mesmo sem “Lord” Bendtner, os nórdicos são sempre um osso duro de roer, pela sua capacidade colectiva e espírito de luta – com uma qualidade de processos e ideia de jogo muito próprias. O embate entre estas duas selecções acontecerá somente na derradeira jornada do agrupamento, numa altura em que poderá haver já decisões. Ou então, se Peru e Austrália mostrarem mais argumentos do que o esperado, o Dinamarca vs França de dia 26 de Junho, às 15h00, poderá ser o duelo mais interessante do grupo.

Este é já uma espécie de “clássico” de grandes competições internacionais – se levarmos em conta apenas Campeonatos da Europa e do Mundo -, pois será o sexto embate entre os dois países em fases finais, após já terem acontecido três em Europeus (1984, 1992 e 2000) e dois em Mundiais (1998 e 2002). Os gauleses têm vantagem, com três vitórias, duas para os dinamarqueses.

Nada como conferir o calendário do Grupo C, em baixo, para se organizar neste mês de bola quase ininterrupta. E aproveite para conhecer a Figura, a Aposta e três nomes a ter em conta em cada uma destas quatro selecções.

DataJogoHoraEstádio
Sáb. 16 JunFrança vs Austrália11h00Kazan Arena
Sáb. 16 JunPeru vs Dinamarca17h00Mordovia Arena
Qui. 21 JunDinamarca vs Austrália13h00Samara Arena
Qui. 21 JunFrança vs Peru16h00Stadion Central’nyj
Ter. 26 JunAustrália vs Peru15h00Olimpiyskiy Stadion Fisht
Ter. 26 JunDinamarca vs França15h00Olimpiyskiy stadion Luzhniki
Identificados os jogos que marcam o calendário deste grupo, passamos aos destaques GoalPoint, equipa a equipa.

França 🇫🇷

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França é, claramente, uma das candidatas ao título mundial. Após a “geração de ouro” de Zinédine Zidane, que venceu tudo o que havia para ganhar, surgiu novamente uma fornada de jogadores de grande talento, liderada por jovens que ainda têm muita margem de progressão na sua já elevada qualidade. Aliás, França é, juntamente com Inglaterra, a segunda equipa com a mais baixa média de idades, 26 anos, apenas suplantada pela Nigéria (25,9).

Esta é a 15ª presença da selecção que venceu em casa o troféu em 1998, tendo garantido a qualificação ao vencer o Grupo A da zona europeia, à frente da Holanda.

A selecção francesa dispõe, de acordo com o Transfermarkt, do plantel mais valioso do Mundial. Ao todo são mais de mil milhões de Euros, distribuídos pelos 23 jogadores, com Kylian Mbappé (€120M) e Antoine Griezmann (€100M) à cabeça. O avançado do Atlético de Madrid, que tem sido dos mais cobiçados neste início de mercado, é mesmo a grande figura dos franceses hoje em dia e tentará repetir as excelentes performances do Euro 2016.

Kylian Mbappé terá, aos 19 anos, a sua primeira aparição numa fase final de competições internacionais. A época do “golden boy” no Paris SG foi um pouco ofuscada por Neymar, mas na selecção tem sido regularmente dos melhores, com três golos e seis assistências em apenas 14 aparições, algo de que poucos se podem gabar em tão tenra idade.

Outro nome muito falado no que ao mercado diz respeito é Nabil Fekir, médio-ofensivo e capitão do Lyon. Apesar de não ter sido presença regular na qualificação, as últimas performances do franco-argelino praticamente obrigaram Didier Deschamps a dar-lhe um lugar nos 23. Djibril Sidibé, de quem se diz estar a caminho do Manchester United, é talvez dos nomes menos sonantes do “onze” titular, mas isso deverá ter os dias contados após este Verão. Se realmente acabar na Premier League, será adversário de N’Golo Kanté, o “baixinho” que continua a mostrar que os “trincos” também não se medem aos palmos.

Dinamarca 🇩🇰

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“Dinamite Dinamarquesa” é a alcunha por que é conhecida a selecção deste pequeno país – que, ainda assim, nunca deixou de produzir extraordinários talentos. Segunda classificada no Grupo E da Qualificação Europeia, atrás da Polónia, afastou a República da Irlanda rumo à Rússia no “play-off”, garantindo a quinta presença em fases finais do Mundial.

Muito do que se pode esperar da Dinamarca depende de Christian Eriksen. Foi isso que se viu na fase de qualificação, onde foi o melhor médio da fase de grupos, e também no “play-off”, onde destruiu praticamente sozinho as aspirações irlandesas, ao anotar um “hat-trick” em Dublin.

Atrás de si, Eriksen terá um médio-defensivo que tem vindo a ver a sua cotação subir em flecha. Thomas Delaney chegou em Janeiro do ano passado ao Werder Bremen e, apenas sete meses depois, já capitaneava a equipa. Um autêntico “guerreiro” recuperador de bolas, que ainda desequilibra bastante nas bolas paradas ofensivas graças ao seu excelente jogo aéreo. Não seria de espantar que valorizasse ainda mais neste Mundial.

À Bundesliga, onde joga Delaney, foi onde o Chelsea foi buscar Andreas Christensen e não se arrependeu. Faça ele dupla de centrais com Kjaer ou Vestergaard, esta será uma das mais fortes do Mundial. A aproveitar as “bombocas” de Eriksen deverá estar Nicolai Jorgensen, agora que se conheceu a lesão impeditiva de Bendtner. O elegante goleador do Feyenoord, que até começou por ser extremo, somou 31 golos na Eredivisie nas últimas duas épocas, onde foi melhor marcador em 2016/17. Pelos flancos, a Dinamarca contará com o rapidíssimo e muito ágil Pione Sisto, autor de nove assistências na Liga espanhola 17/18.

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