À porta está um dos derbies mais “quentes” dos últimos anos. De um lado o SL Benfica, o “corpo” ao qual Rui Vitória procura dar cérebro. Do outro, o Sporting CP de Jorge Jesus, o “cérebro” que os “leões” foram roubar ao grande rival de Lisboa e que procura dar corpo a um projecto. E se um simples derby costuma justificar o ambiente relativamente hostil que se gera, o do próximo domingo tem tudo para ficar na história devido aos acontecimentos dos últimos tempos.

Mas como os jogos se definem dentro das quatro linhas, e não fora delas, analisámos alguns números que permitem perceber as diferentes realidades que se vão defrontar no próximo domingo. As forças e as fraquezas dos dois grandes conjuntos de Lisboa e as ações que podem definir o desfecho do jogo do próximo domingo. E como a partida é referente à Liga NOS, os dados que analisámos também se referem única e exclusivamente a esta competição. Assim, é importante referir que as equipas têm um diferente número de jogos realizados mas que isso acaba por não impactar nas médias por 90 minutos e eficácias percentuais que apresentamos. Vamos ao “substrato”.

Até ao momento, sempre que joga em casa, o Benfica ganha. Essa parece ser a regra de ouro do Benfica de Rui Vitória. São quatro jogos e outras tantas vitórias com uma média de quatro golos marcados por jogo. A fortaleza da “águia” parece ser um excelente tónico para que o ataque do Benfica se torne demolidor.

Mas as visitas a terrenos adversários também têm sido profícuas à equipa de Jorge Jesus. Em quatro jogos, três resultaram em vitória para os “verde-e-brancos”. Um Sporting capaz de cumprir os serviços mínimos, uma vez que possui apenas sete golos marcados e três sofridos nesses quatro jogos.

Na véspera de um derby interessa sempre recuperar o Barómetro GoalPoint semanal, que acompanha o desempenho comparado dos três candidatos ao título da Liga NOS 2015/16.

Barómetro GoalPoint 2015/16: Jornada 7
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Mas como dada a importância do jogo a coisa não basta, nada como irmos mais fundo na análise, que nos mostra alguns pormenores curiosos.

ESTILOS DIFERENTES

Benfica vs Sporting Agenda
foto: J. Trindade

O Benfica tem menos um jogo mas isso não impede que domine no número de remates que já totaliza (119 contra 103) e de disparos a cada 90 minutos (19,8 contra 14,7). E se os dois clubes partilham o mesmo número de golos dentro da grande-área (13), a diferença aparece nos golos concretizados através dos remates realizados fora da mesma, com o Benfica a sair vencedor (três contra um).

E como os números não mentem, há outros aspetos que também saltam à vista e que refletem as diferenças existentes nos estilos de jogo adotados por cada um dos treinadores e pelas equipas. Enquanto o Sporting procura chegar com a bola controlada às zonas de finalização, o Benfica recorre mais vezes aos remates de fora da área e aos cruzamentos. Apesar de rematarem menos vezes, podemos perceber que os “verde-e-brancos” possuem uma menor percentagem de remates bloqueados (24,4% contra 28,6%) e um número maior de enquadrados (40,8% contra 32,8%). “Leão” de pontapé mais apurado, aparentemente.

E mais do que um Benfica contra Sporting, existe um duelo de Slimani contra Mitroglou, os dois jogadores-alvo dos cruzamentos, onde o grego sai a ganhar. As “águias” totalizam 25 remates de cabeça, contra 17 dos “leões” e isso reflete-se no maior número de golos conseguidos através de um cabeceamento (quatro contra três). O peso que os remates de cabeça têm no número total de remates é mais do que evidente. E o domínio do Benfica neste campo é claro, com 21% dos remates a serem realizados através de cabeceamento.

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