OFC Porto regressa esta terça-feira à grande “montra” do futebol europeu. Os “azuis-e-brancos” deslocam-se a Itália para defrontar a Roma, na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Um embate que já começou com um jogo de palavras entre responsáveis dos dois conjuntos, mas o único jogo que nos interessa é mesmo o das quatro linhas.

Frente a frente estarão duas equipas com percursos diferentes na fase de grupos. Os romanos terminaram no segundo lugar do Grupo G, com nove pontos, fruto de três vitórias e outras tantas derrotas. Os “dragões” arrasaram no Grupo D, com cinco triunfos e um empate (16 pontos), resultado de um domínio completo e uma superioridade em praticamente todos os jogos da fase inicial da competição e que as estatísticas das seis jornadas mostram inequivocamente. Ainda assim, o comparativo de alguns desses números com o adversário desta fase aconselha cautelas.

VariávelRomaPorto
Golos marcados1115
Golos sofridos86
Remates p/ 90m14,411,2
Remates enquad. p/ 90m5,53,5
% Remates convertidos9%9%
Ocasiões flagrantes p/ 90m2,01,5
% Ocasiões flagr. convertidas25%22%
% Posse de bola51%54%
% Eficácia passe82%74%
% Eficácia drible59%46%
Desarmes p/ 90m16,422,1
Recuperações posse p/ 90m52,152,6
Defesas p/ 90m5,52,7
% Rem. enquad. defendidos75%52%

Fonte: GoalPoint/Opta

O FC Porto terminou a fase de grupos com mais golos marcados, menos sofridos, maior percentagem média de posse de bola, uma taxa de conversão de remates em golo semelhante à da Roma e um aproveitamento das ocasiões flagrantes muito aproximado, com ligeiro ascendente italiano.

Alguns dos números apontam até para alguma superioridade transalpina, mas o “dragão” foi de uma eficácia e capacidade competitiva notáveis, olhando outras métricas, como por exemplo os Expected Goals (xG).

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O balanço dos Expected Goals (xG) da fase de grupos da Champions 18/19

 

Como já sublinhámos num artigo dedicado no final da fase de grupos, o Porto foi “rei” absoluto na relação entre os expected goals (xG) a favor nos seis encontros que disputou e os golos marcados – pode encontrar uma explicação sobre esta métrica aqui (link). Esta variável estatística dá-nos a probabilidade de cada remate ser convertido em golo e os lances de finalização construídos pelos “dragões” apontavam para um xG de 10,3. Ora os portistas fizeram 15 golos, mais 4,7 do que as suas situações de finalização fariam prever.

Nenhuma outra equipa na fase de grupos da Champions – nem de perto – teve uma diferença tão acentuada entre os tentos esperados e os marcados e apenas o Barcelona, com 3,4 xG positivos, aproximou-se um pouco, muito por culpa de Lionel Messi, que marcou seis golos em apenas 2,2 xG. Este é, portanto, um ponto que joga a favor da equipa portuguesa, se esta conseguir manter a tendência. O problema é que os “azuis-e-brancos” chegam a esta fase da prova sem o seu goleador máximo.

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Moussa Marega lesionou-se e vale um terço dos golos que o Porto marcou no Grupo D. São cinco tentos de um jogador que fez a diferença pela sua capacidade de desgastar as defesas contrárias. Aliás, Marega facturou nos últimos cinco jogos que fez na prova, igualando o feito de Mário Jardel pelo clube, sendo o quarto jogador de origem africana a marcar em cinco desafios seguidos – os outros são George Weah, Didier Drogba e Marouane Chamakh.

Por seu turno, a Roma apresenta o seu goleador-mor, Edin Dzeko, em perfeitas condições, com um pecúlio igual ao do portista – cinco golos. Dzeko marcou mesmo por oito vezes nas últimas cinco partidas da Champions no Olímpico de Roma, num total de 15 tentos pelos transalpinos na competição – está a dois do recordista Francesco Totti (17 golos).

Dois jogadores com características muito diferentes, mas que chegam a esta fase com um peso finalizador semelhante, sendo que o bósnio tem mais uma assistência que o maliano (2-1). Terá esta ausência influência na eliminatória?

Outras curiosidades

  • A Roma nunca bateu o Porto em competições europeias (duas derrotas e outros tantos empates). Os italianos foram afastados pelo emblema luso nas duas anteriores eliminatórias a duas mãos (na segunda eliminatória da Taça das Taças de 1981/82 e no “play-off” de acesso à Champions League de 2016/17).
  • O Porto perdeu seis dos sete jogos fora que disputou ante clubes italianos, na Liga dos Campeões, tendo a excepção acontecido em Setembro de 1996, graças a uma vitória por 3-2 no reduto do AC Milan.
  • A Roma chegou à fase a eliminar na Champions pela sétima vez nas últimas oito participações. Os transalpinos ganharam os três jogos em casa nestas fases adiantadas da prova da época passada, rumo às meias-finais.
  • Desde que ganhou a Champions League em 2004, o Porto passou os oitavos-de-final apenas duas vezes (2008/09 e 2014/15) e nunca além dos quartos-de-final.
  • Os “azuis-e-brancos” não ganharam nenhum dos últimos cinco jogos das fases a eliminar na competição (um empate e quatro derrotas) e não marcaram nos últimos quatro.
  • O Porto é apenas uma de cinco equipas que não perdeu na fase de grupos da Liga dos Campeões desta temporada, a par do Ajax, Barcelona, Bayern e Lyon. Os “dragões” ganharam mesmo os últimos cinco compromissos, a sua melhor sequência de sempre na prova.
  • Os jogos da Champions envolvendo o Porto produziram oito penáltis esta época, quatro a favor e outros tantos contra, o dobro do que aconteceu com qualquer outra equipa.
  • Todos os golos da Roma esta temporada na Liga dos Campeões foram marcados de dentro das áreas adversárias (11/11). O Bayern (15/15) e o Liverpool (9/9) são as outras equipas que ainda não marcaram com disparos de fora da área entre as 16 formações ainda em competição.