A madrugada desta terça para quarta-feira em Portugal reserva-nos um dos mais aclamados jogos de futebol no que a selecções diz respeito. Brasil e Argentina vão encontrar-se no “fatídico” Mineirão – onde o “escrete” perdeu por 7-1 com a Alemanha, no Mundial de 2014 -, em Belo Horizonte, pelas 01h30 de Portugal continental, nas meias-finais da Copa América.

Um “Superclásico” é sempre apetecível, seja qual for o contexto que o envolve. Neste caso temos um Brasil sem Neymar, mas a jogar em casa e sem qualquer golo sofrido em quatro partidas na competição, embora com críticas diversas em relação ao seu futebol. Do outro uma Argentina que tem estado longe de agradar aos seus adeptos, mas que tem em Lionel Messi um elemento que, de um momento para o outro, pode decidir tudo.

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Clique para ampliar (as equipas realizaram somente 4 jogos na prova até ao momento)

Antes do apito inicial, contudo, “jogam” os números. Estes não definem quem é favorito, mas apontam para tendências colectivas que podem ter peso durante um confronto. E neste momento, no comparativo entre a “canarinha” e a “albiceleste”, só dá Brasil. Muitos mais remates, um pouco menos de remates permitidos, uma maior capacidade para entrar na grande área e um número elevado de cantos a cada 90 minutos.

A média de 70% de posse “canarinha” mostra o cariz do jogo da formação da casa, completamente dominadora até agora na prova, frente a uma formação argentina cujos jogos se têm pautado pelo equilíbrio, valendo-se da qualidade dos seus executantes para marcar mais golos (1,3) do que aqueles que sofreu até ao momento (0,8). À primeira vista, o Brasil é claramente a selecção em melhor forma, e essa noção transporta-se também para o plano individual.

Os jogadores das duas equipas em destaque nesta competição têm poucos pontos em que se tocam. A começar pelo GoalPoint Rating, com o brasileiro Philippe Coutinho a apresentar um excelente 7.38, graças a números que vão muito para além dos dois golos e uma assistência até ao momento – destaque para os 4,2 remates por 90 minutos, os 3,4 passes para finalização e até as acções defensivas (5,8), sendo que peca na eficácia de disparo (25%). Coutinho, aliás, é o jogador com envolvimento em mais remates até ao momento, nada menos que 29 (16 disparos por conta própria, 13 passes para remates efectuados por colegas), pelo menos mais 12 que qualquer outro brasileiro ou argentino (17 de Roberto Firmino, Sergio Agüero e Lionel Messi).

O brasileiro é um jogador eminentemente de ataque, enquanto o melhor da Argentina até agora é um médio-defensivo – algo que diz muito sobre o que as duas equipas têm mostrado. Trata-se de Leandro Paredes, jogador do Paris Saint-Germain que tem sido um verdadeiro pêndulo na “albiceleste”, pela qualidade no passe (91%), passes para finalização (1,8), mas acima de tudo pela extraordinária capacidade de recuperação de bola (9,5).

Factos e curiosidades

  • Este é o jogo mais disputado na História da Copa América. As duas selecções encontraram-se 32 vezes na competição, com 15 triunfos para a Argentina, nove para o Brasil e oito empates. Porém, em todas as competições a “canarinha” sai por cima, com 42 vitórias e 38 derrotas em 105 embates com os argentinos (25 empates).
  • O Brasil nunca perdeu um jogo oficial em casa ante a Argentina – oito vitórias e dois empates) e não saiu derrotado em nenhum dos últimos sete encontros com os argentinos em todas as competições (seis triunfos e uma igualdade).
  • O “escrete” não perdeu nos últimos cinco encontros com a Argentina na Copa América (duas vitórias e três empates) e saiu batido em apenas dois dos derradeiros 13 jogos entre as duas selecções na prova (seis vitórias e cinco empates).
  • O Brasil eliminou a Argentina nas últimas quatro vezes que as equipas se encontraram na Copa América – 1995, 1999, 2004 e 2007.
  • A Argentina atingiu a final nas últimas cinco vezes em que chegou às meias-finais, fase em que saiu derrotada apenas na edição de 1987, quando perdeu em cada por 1-0 com o Uruguai.
  • O Brasil apurou-se para a final nas últimas seis vezes em que chegou às meias-finais, sendo que a última vez que não o conseguiu foi em 1979, frente ao Paraguai, numa eliminatória a duas mãos.
  • A “canarinha” é a selecção que tentou mais (84) e enfrentou menos (24) remates até agora na Copa América de 2019 – permitiu somente cinco disparos enquadrados.

Peru para “alimentar” ou travar campeão

A outra meia-final, disputada na madrugada de quarta para quinta-feira, irá opor o actual bicampeão Chile ao Peru. Ambas as selecções somam dois troféus de campeão da Copa América, sendo que os chilenos conquistaram as duas últimas edições (foram vencedores pela primeira vez em 2015) e os peruanos triunfaram nas duas únicas finais que disputaram (1939 e 1975).

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As duas selecções chegam a estas meias-finais com números não muito desequilibrados, com ligeira vantagem para os actuais campeões em algumas estatísticas, como os remates, capacidade de entrada na área contrária e coesão defensiva, que lhes permitiu limitar os disparos contrários para 8,5 por 90 minutos e sofrer apenas 0,5 golos. Números que o Peru não consegue imitar, em grande parte mercê da goleada por 5-0 sofrida ante o Brasil.

Os chilenos surgem, assim, como potenciais favoritos a atingir a terceira final consecutiva, pois até em termos individuais mostram estar em melhor forma que os peruanos.

Erick Pulgar tem sido a estrela da companhia do lado do Chile. O médio-defensivo tem dado uma consistência importante aos campeões, em especial no momento de recuperar a posse de bola, registando nesta altura 9,5 a cada 90 minutos, mais 3,8 desarmes e 3,0 intercepções. Uma autêntica “carraça”.

Do outro lado há um veterano em evidência. Jefferson Farfán, de 34 anos, tem sido o médio-ofensivo do Peru, com exibições que lhe valeram um golo e uma assistência, com destaque para os 3,3 remates a cada 90 minutos (com fraca eficácia de 10%), mas também as 5,3 acções defensivas, algo relevante para um jogador na sua posição.

O Chile eliminou o Peru nas duas anteriores ocasiões em que as equipas se encontraram nas meias-finais da prova (em 1979 e 2015). Como será desta feita?