Argentina 0 – Portugal 1: Valeu pelo golo e resultado

Portugal e Argentina disputaram um jogo morno e desinteressante, que valeu sobretudo pelas três estreias e pelo golo do jovem Raphael Guerreiro, que teve uma semana em cheio.

Guerreiro tem razões para recordar o amigável frente à Argentina (foto: J. Trindade)
Guerreiro tem razões para recordar o amigável frente à Argentina (foto: J. Trindade)

O embate entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi… ou melhor, entre Portugal e Argentina, acabou decidido com um golo ao cair do pano do jovem Raphael Guerreiro. Uma semana de sonho do jovem luso-francês que estreou-se, e logo a titular, contra a Arménia, e resolveu a partida amigável desta terça-feira, em Manchester, dando à formação das “quinas” o primeiro triunfo sobre a das Pampas em 42 anos e a segunda da história.

Raphael Guerreiro já havia dado boas indicações no jogo do Estádio Algarve, como o GoalPoint assinalou, e desta feita foi mesmo decisivo, apesar de ter entrado apenas aos 51 minutos, para o lugar do lesionado Tiago Gomes. Gomes, lateral do Sp. Braga, foi uma das estreias absolutas na selecção lusa, seguindo-se José Fonte e Adrien Silva, ao longo da segunda parte. Estes foram, talvez, os factos mais relevantes de uma partida sem brilho, com poucas oportunidades de golo e que, no segundo tempo, com as muitas substituições, tornou-se ainda mais confuso.

Domínio argentino

A Argentina entrou melhor em campo. Dominou por completo a primeira parte, com 68% de posse de bola contra 32% dos portugueses, uma muito maior capacidade de circulação de bola (87% de passes certos para 73% de Portugal), seis remates à baliza (dois enquadrados) contra dois dos lusos (nenhum à baliza) e um remate ao poste, por parte de Messi, logo a abrir o jogo. Essa superioridade deveu-se em grande medida ao modelo que os vice-campeões do Mundo apresentaram em Old Trafford, assente num sistema de 4x2x3x1 muito flexível e em constante mutação, com as suas pedras mais influentes – Messi, Javier Pastore, Di Maria e até Higuaín – a trocarem constantemente de posição. Perante a ausência de um elemento na esquerda de Portugal, o lateral-direito Roncaglia apareceu inúmeras vezes como um autêntico extremo, liberto de tarefas defensivas, permitindo a Messi integrar-se no meio e criar ainda mais linhas de passe e desequilíbrios nesta zona nevrálgica.

Portugal, por seu turno, nunca conseguiu acompanhar o futebol de passe curto e rápido, ao estilo do Barcelona (que Tata Martino orientou na época passada), parecendo sempre que os comandados de Fernando Santos chegavam atrasados aos duelos no “miolo”. Os lusos apresentaram-se num 4x4x2 no momento defensivo, que passava rapidamente a 4x3x3 em posse, com Nani a fazer a transição entre sistemas com o seu posicionamento ora mais recuado, ora mais adiantado. João Moutinho começou a fechar à esquerda quando sem a bola.

Só quando Fernando Santos ordenou a André Gomes para recuar para “trinco”, por troca com Tiago, é que a pressão lusa mais à frente passou a funcionar um pouco melhor. Ainda assim, a Argentina foi sempre superior, como mostra, por exemplo, o facto de o guarda-redes Beto ter sido o melhor dos portugueses na primeira parte, em contraponto com o adversário, pelo qual Pastore conseguiu 96,3% de passes certos em 27, e Lucas Biglia 94,7% em 38.

Muitas substituições

Com as muitas substituições o jogo descaracterizou-se um pouco na etapa complementar, embora mantendo-se a tendência. A Argentina terminou com 69% de posse de bola para 31% de Portugal, ainda conseguiu aumentar a eficácia de passe (86%) e os lusos diminuir a sua (66%). Os sul-americanos conseguiram dez remates, três à baliza, contra quatro dos portugueses e apenas um enquadrado. Mas esse foi o suficiente. Em tempo de compensação, Ricardo Quaresma cruzou da direita e Guerreiro, sem marcação, cabeceou para o único golo do jogo.

Beto estava a ser o destaque luso, com um punhado de boas intervenções, mas Guerreiro decidiu o jogo, pelo que é, sem dúvida, o destaque, com um remate, um golo e um passe para ocasião, uma intercepção e um alívio, para além de dois cruzamentos e 100% de eficácia nos dez passes que efectuou. Isto em menos de metade da partida.

Quanto aos cabeças-de-cartaz da noite, Cristiano Ronaldo terminou com um remate (por cima), uma intercepção e um alívio, 12 passes com 100% de acerto; Messi esteve mais em jogo, com dois disparos (um ao poste, outro para fora), um passe para ocasião e 78,4% de eficácia nos 37 passes efectuados.