Assistências: Benfica e Académica lideram mundos distintos

O regresso do Boavista trouxe uma nova média de assistências interessante mas a divisão da Liga em dois mundos distintos, no que concerne a espectadores, é indisfarçavel e preocupante.

Os "dragões" registam uma das poucas variações positivas de assistências, ultrapassados apenas pelo Vitória de Guimarães (foto: J. Trindade)
Os “dragões” registam uma das poucas variações positivas de assistências, ultrapassados apenas pelo Vitória de Guimarães (foto: J. Trindade)

Ao fim da 16ª jornada, e a uma ronda de completar a primeira volta, a Liga Portugal regista uma média de assistência de 9,113 adeptos por jogo. Colocando de parte realidades incomparáveis com Portugal e procurando aquela que pelo peso futebolístico e dimensão do país em que se insere permite uma comparação mais justa, este número significa menos de metade da média de assistências da Eredivisie (Liga holandesa), também ela com 18 clubes, que se cifra no momento actual em 18.598 espectadores.

Um pelotão distante

O problema de assistências do futebol português não reside tanto nos chamados clubes “grandes”, apesar de Sporting e Benfica terem perdido espectadores face ao mesmo período da época passada, ainda que marginalmente: o campeão nacional regista menos 707 espectadores e os “leões” menos 311 do que em 2013/14. Em contrapartida o Porto apresenta mais 4685 adeptos por jogo do que na complicada época anterior. Os “dragões” só são ultrapassados como factor positivo da Liga neste domínio pelo Vitória de Guimarães, que certamente fruto da excelente campanha que vem protagonizando conquistou mais 5505 vitorianos nas bancadas face ao período homólogo. Ao Vitória junta-se  o Braga que, com uma média de cerca de 11 mil adeptos (e um crescimento de 1492 em média) encerram o lote de clubes da Liga com uma média superior a 10 mil adeptos.

Um enorme vazio

A partir daqui surge um enorme vazio, no qual apenas despontam a Académica com uma média de 6295 adeptos (curiosamente quase dois mil acima do registo de 2013/14, apesar da época preocupante que os “estudantes” vêm realizando, seguido pelo Boavista, que apesar da história recente se “apresenta” neste regresso ao máximo escalão com uma média de 4412 espectadores. São assim 13 os clubes (72% dos emblemas da Liga) que não só apresentam uma média inferior a dez mil adeptos como o fazem de forma significativa, ao registarem entre si uma média de 2727 adeptos, contra 25.716 de média do pelotão de cinco clubes referidos anteriormente.

Os números confirmam um futebol português dividido em dois mundos com mais uma particularidade preocupante quando completamos a comparação com a Eredivisie: na Liga holandesa nenhum clube apresenta uma média abaixo dos 10 mil espectadores. Em Portugal, como vimos, apenas cinco clubes se situam acima deste limiar. Apesar de tudo é importante contextualizar os casos dos clubes que, nesta fase de campeonato, já receberam (ou não) os “grandes”, outro factor que não só influencia de forma determinante a média de espectadores de cada emblema, com particular incidência naqueles que não se inscrevem no referido “pelotão”, como também sentencia a macrocefalia da máxima competição nacional.