Ballon D’Or 2021: Como se comparam os favoritos? 🟡

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Quem sucederá a Lionel Messi como vencedor do Ballon D’Or? O argentino venceu a última edição (2019) e, após um ano de pausa “pandémica”, o conceituado (e polémico) troféu do L’ Équipe regressa para premiar o melhor jogador do mundo de 2021. Os 30 nomeados, anunciados a 8 de Outubro darão lugar ainda a um pódio de candidatos, a descobrir nas vésperas da revelação do grande vencedor, agendada para 29 de Novembro.

Prémios que já não são o que eram… mas que todos gostam de conquistar

A validade e relevância de prémios como o Ballon D’Or tem vindo a ser questionada, em crescendo, na última década. As críticas centram-se sobretudo nos critérios de escolha e na composição do colégio eleitoral (no caso do prémio do L’ Équipe composto por 180 jornalistas espalhados pelo mundo). O peso excessivo (para alguns) de feitos eminentemente colectivos é outro aspecto que gera críticas frequentes. No que nos toca, apontamos (sem surpresa) o facto de o prémio valorizar muito pouco o desempenho individual mensurável, para lá dos indicadores mais óbvios – golos e assistências – e sempre de forma superficial e secundária.

Pouco ou mesmo nada mudou neste aspecto, desde a última vez que publicámos a nossa “Pepita de Ouro”, pelo que quem sabe não será hora de voltarmos a um exclusivo tão trabalhoso para nós quão requisitado pelos GoalPointers mais veteranos. Mas, até tomarmos essa decisão, avançamos com um exercício não menos interessante, respondendo à seguinte questão: o que fizeram em campo os principais favoritos (comparáveis) ao Ballon D’Or 2021?

Os analytics dos candidatos ao “pisa-papéis”

Para te oferecer os resultados deste exercício optámos por comparar o desempenho dos principais candidatos ao Ballon D’Or seguindo os seguintes critérios:

  • Identificámos primeiro os principais favoritos ao troféu, com base nas probabilidades de vitória decorrentes da odd média atribuída pelo mercado de apostas (britânico)
  • Escolhemos os seis favoritos (Messi, Lewandowski, Cristiano Ronaldo, Mbappé, Benzema, De Bruyne), deixando de fora jogadores que, apesar do favoritismo, não se adequam a uma comparação justa no quadro das métricas escolhidas (Jorginho, Kanté)
  • Seleccionámos métricas menos óbvias, mas cuja relevância será cada vez maior no futuro, pelo facto de simplificarem/agregarem a quantificação do que outrora era discutido com recurso a um número alargado de variáveis
  • Recolhemos então o desempenho agregado dos seis candidatos, entre 01 de Janeiro e 13 de Outubro de 2021, para um conjunto de competições “premium” (clubes e selecções) disputadas no período em causa. A saber: Ligas domésticas, Champions League, Europa League, EURO 2020 e Copa América 2020

O Antunes atirou-se ao trabalho e eis o que saiu da “panela”, seguido dos nossos comentários/destaques, jogador a jogador.

[ Os analytics dos favoritos. Podes encontrar as definições das métricas no final deste artigo ]

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Leo Messi 🇦🇷: o favorito (68,8%)

O actual “Bola de Ouro” em título teve um ano de 8 ou 80, mas nem por isso deixa de ser o (claro) favorito para as casas de apostas. Os títulos colectivos, para o que era seu hábito, nem foram muitos, mas à Copa del Rey, pelo Barça, junta-se um a há muito perseguido: o seu primeiro título internacional sénior com a camisola da Argentina, a Copa América 2021, torneio onde foi também eleito o melhor jogador. O ano de Messi fica igualmente marcado pela até então impensável saída do seu clube de sempre, para rumar a Paris, onde vai protagonizando um até agora “morno” novo capítulo.

Pese os solavancos pessoais, Messi continua incomparável dentro das quatro linhas, como aliás resulta claro dos analytics apurados. Entre os favoritos ao Ballon D’Or há quem tenha marcado mais golos (Lewandowski) e também quem tenha somado quase tantas assistências (Benzema), mas ninguém o bate em Contribuição Ofensiva (% de participação nos golos marcados pela equipa enquanto está em campo). A “pulga” não se fica por aí: os 30 golos que somou (nas provas analisadas) suplantam em nove o total de golos que seria expectável, face ao contexto das situações de remate de que usufruiu (Expected Goals), o maior sobre aproveitamento do comparativo. O que quer isto dizer? Que Leo é o jogador que marca mais golos em contextos que desafiam as probabilidades, facto ao qual não são alheios os 12 golos de fora da área que somou, registo que nem o segundo melhor – De Bruyne, com 5 – apoquenta.

Os seus números de Expected Assists e somatório de passes e conduções aproximativas (que aproximam a equipa da baliza contrária em pelo menos 25% da distância inicial) ajudam a relembrar que, para lá do golo, Messi continua a ser o candidato que mais participa no jogo da sua equipa. Factos? Leo registou uma média de 88 acções a cada 90 minutos, batendo as 79 do jogador cuja liderança seria expectável neste domínio: De Bruyne.

Lewandowski 🇵🇱, o  goleador (22,2%)

Em 2020 não houve Ballon D’Or, mas houve The Best, o prémio “concorrente” da FIFA, e o polaco levou para casa o troféu, após uma época fulminante. Em 2021 Lewa não abrandou (apesar da lesão que o afastou numa fase decisiva, em Abril) e decorou com muitos golos os títulos amealhados: Bundesliga, Mundial de Clubes e Supertaça alemã. Pelo caminho bateu ainda o difícil recorde de máximo goleador numa só época na Bundesliga, com 41 golos, até então pertença de Gerd Muller.

Autor do maior registo de acções para golo (44) do comparativo, Lewa brilha sobretudo com os olhos postos nas redes, suplantando até o imparável Cristiano Ronaldo, o seu grande rival nessa especialização. Surgem rumores de que, mesmo que não ganhe a edição 2021, o polaco poderá ser surpreendido com uma inesperada Bola de Ouro relativa ao ano de 2020. Qualquer um dos desfechos seria justo, premiando o “monstro” goleador em que se tornou ao longo dos anos.

Cristiano Ronaldo 🇵🇹, o desafiador (5,8%)

O ano foi fraco em títulos (Taça e Supertaça italianas), mas nem por isso pobre naquilo em que Cristiano se especializou: o golo. Protagonista também ele de uma mudança de clube, Ronaldo continua a marcar e a bater recordes. Desta feita, e apesar de também se ter destacado no EURO 2020 como melhor marcador (5 golos), o contexto não o aponta como forte favorito ao Ballon D’Or. Ainda assim Cristiano figura nos top-5 de candidatos favoritos das casas de apostas.

Os seus analytics podem não impressionar, quando comparados com os rivais, mas continuam sobre-humanos, sendo justo relembrar que é o mais velho dos favoritos, embora faça por mitigar esse facto com grande eficácia e disciplina. A natureza dos seus golos – cada vez menos obtidos em situações “improváveis” – percebe-se claramente na comparação entre os tentos esperados e os que marcou: o português já não questiona as expectativas como outrora, mas cumpre quase na perfeição (-0,5) o que as probabilidades esperam dele. CR7 dificilmente ganhará o troféu este ano, mas continua a desafiar o tempo como mais ninguém.

Benzema (3,4%) … e os outros

Karim Benzema não é o senhor que se segue no ranking dos favoritos à Bola de Ouro, mas merece um destaque antecipado. O avançado ganhou “apenas” a Liga das Nações e já após o anúncio dos candidatos, mas quem acompanha o seu futebol sabe o “abono” em que se transformou nos últimos anos ao serviço do Real Madrid.

Benzema é, para muitos, o candidato em melhor forma neste momento, merecendo provavelmente maior reconhecimento do que o que lhe é conferido, até pelos seus números atípicos. Apesar de ser um homem-golo, Karim é o único favorito que rivaliza com Leo Messi em dois indicadores relevantes: no número de assistências somadas (11) e na capacidade de marcar golos que suplantam a “qualidade” contextual da oportunidades de remate que enfrentou (+9 golos do que lhe seria exigível). O seu mais recente golo (final da Liga das Nações) não contou para estes cálculos, mas é um excelente exemplo dessa capacidade para fazer o improvável.

Mbappé e De Bruyne fecham o sexteto de principais favoritos (ofensivos) analisados, mas ambos apresentam números mais modestos (no mundo dos gigantes), quando comparados com os restantes. Há ainda outros dois homens que merecem referência óbvia, mas que, pela sua natureza posicional, não fazia sentido incluir neste comparativo. Falamos dos médios, Jorginho e N’Golo Kanté. Sendo certo que o seu favoritismo (no caso de Jorginho já considerável) resulta sobretudo dos títulos colectivos conquistados (ambos venceram a Champions e a Supertaça da UEFA), Jorginho somou-lhe ainda o EURO a sua qualidade no cumprimento específico das suas funções não deve ser desvalorizada.

Definições das métricas utilizadas

  • Goal Involvements (Acções para Golo) – Somatório dos golos e assistências do jogador no período em análise.
  • % Offensive Contribution (% Contribuição Ofensiva) – Percentagem de envolvimento directo do jogador (golo ou assistência) nos golos marcados pela equipa durante os minutos em que o jogador está em campo.
  • Expected Goals (xG) / Assists (xA) – Total de golos / assistências esperadas, com base na média da probabilidade de conversão das situações de remate de que o jogador beneficiou / ofereceu.
  • xG Overperformance (G – XG) – Cálculo da diferença entre os golos efectivamente marcados pelo jogador e os Expected Goals (xG) que acumulou nas situações de remate de que dispôs. Um valor positivo traduz um contexto em que o jogador marcou um número de golos acima das probabilidades.
  • Approach passes / carries (Passes / conduções aproximativas) – Passes e conduções de bola eficazes, cujo desfecho aproximou a equipa da baliza contrária em pelo menos 25% da distância inicial.
  • % Ballon D’Or Win Probability – A probabilidade resultante da média de odds atribuídas pelas casas de apostas (Reino Unido) à possibilidade de cada um dos 30 candidatos vencer a Bola de Ouro.
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