Benfica 0 – Leverkusen 0: “Águia” ganha reforços internos

No último jogo do Benfica em competições europeias esta temporada, Jorge Jesus apostou em jogadores menos rodados e ganhou reforços para o resto da época.

Bébé foi um dos jogadores chamados por Jorge Jesus para uma partida que servia, sobretudo, para ganhar soluções e... prémio UEFA (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Bébé foi um dos jogadores chamados por Jorge Jesus para uma partida que servia, sobretudo, para ganhar soluções e… prémio UEFA (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Do ponto de vista do Benfica, a última jornada da Liga dos Campeões apenas servia para cumprir calendário. Jorge Jesus teve em consideração o jogo de domingo frente ao Porto e colocou em campo uma equipa pouco rotinada, promovendo várias alterações na recepção ao Bayer Leverkusen. Os alemães orientados por Roger Schmidt entraram em campo para decidir o primeiro lugar do Grupo C.

Numa noite fria e com o Estádio da Luz despido, poucos eram os adeptos que acreditavam que o Benfica conseguia carimbar uma exibição personalizada e capaz de travar a intensidade do Bayer, mas a verdade é que as melhores oportunidades surgiram do lado dos “encarnados”.

Cristante e Pizzi constituíram a dupla do meio-campo, com Ola John e Tiago a jogarem sobre as alas, servindo Lima e Derley. O Benfica conseguiu anular a manobra ofensiva do Bayer e retirar o espaço interior que os germânicos tanto exploram, graças a um bloco compacto e capaz de tirar o conjunto alemão da zona de finalização, apostando depois em transições rápidas através dos extremos.

Lima dispôs da grande oportunidade do encontro logo aos 11 minutos. O avançado brasileiro desperdiçou o 1-0 com um remate à barra. Depois do período inicial de adaptação e encaixe do 4x1x3x2 do Benfica no 4x3x3 do Bayer, o conjunto português conseguiu sacudir a pressão dos alemães e assumir o jogo.

A equipa soltou-se da pressão e, através da incorporação dos laterais, Benito e André Almeida, no ataque e consequentemente no apoio a Ola John e Tiago, conseguiu desequilibrar a defesa contrária.

Com Son e Kiessling no banco de suplentes, foi a vez de Calhanoglu e Bellarabi assumirem as despesas ofensivas, mas sem sucesso. A falta de entrosamento defensivo da parte do Benfica não se fez sentir, antes pelo contrário. A defesa composta por Artur, André Almeida, César, Lisandro e Benito esteve sempre à altura dos duelos disputados.

As estatísticas ao intervalo evidenciavam um equilíbrio táctico, com ligeira superioridade para a equipa da casa. O Benfica somou 56,2% de posse de bola, 74,6% de eficácia de passes e 49,4% dos duelos ganhos contra 64,8% de eficácia de passe e 50,6% de superioridade nos duelos por parte do Bayer.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Reforços

A segunda parte começou da mesma maneira que a primeira. O Bayer entrou mais forte e com a identidade que lhe é característica. Uma equipa dinâmica, intensa e que privilegia a pressão alta para recuperar a bola no meio-campo contrário para aparecer rapidamente em zona de finalização.

O Benfica conseguiu acalmar o ritmo de jogo e passou a controlar a partir, novamente depois dos dez minutos iniciais, do segundo tempo. Jorge Jesus tirou partido da velocidade de Ola John e Tiago, unidades mais irreverentes do ataque benfiquista. Derley segurou os centrais, para depois soltar nos extremos. A aposta no jogo lateral foi criando sucessivas jogadas de perigo para a baliza defendida por Leno mas sem materialização.

Pizzi foi um dos grandes responsáveis pela dinâmica ofensiva do Benfica. O internacional português apresentou uma eficácia de passe de 83,3% de um total de 54 passes realizados, tantos como Rolfes e menos um e dois que Calhanoglu e Castro, respectivamente.

Foi dos pés de Pizzi que saíram duas das 11 oportunidades que o Benfica criou. Nélson Oliveira também criou duas ocasiões. O avançado português entrou aos 76 minutos para substituir Derley e conseguiu mexer com um jogo, numa altura em que o Bayer tentava chegar ao golo para atingir o primeiro lugar do grupo, dada a vitória do Mónaco frente ao Zenit.

Minutos antes, aos 63, Jorge Jesus lançou Talisca e tirou Lima. Uma substituição a pensar no clássico mas que podia ter corrido mal, com o jovem brasileiro a fazer o técnico dos “encarnados” suster a respiração depois de ter sido assistido no relvado. Talisca rematou por duas vezes, contra três de Lima, mas sem qualquer enquadramento com a baliza. Aos 88 minutos, Tiago deu o seu lugar a João Teixeira, com Pizzi a descair para o flanco direito. O extremo português apresentou números idênticos ao de Lima.

Segurança defensiva

Defensivamente, a equipa comportou-se com personalidade. Artur realizou uma defesa apertada à passagem do minuto 86, numa altura em que o Bayer arriscava tudo. Neste capítulo, nota para André Almeida. O capitão do Benfica esta terça-feira venceu 90% dos duelos disputados, somando ainda seis desarmes, dez alívios, cinco intercepções e ganhou oito vezes a posse de bola.

Ao intervalo, Kruse ficou no balneário e entrou Brandt para o lado esquerdo do ataque. Foi pelo flanco esquerdo que o Bayer atacou mais, 41,8% contra 31,5% do corredor direito. Aos 71 minutos foi a vez de Drmic ceder o lugar a Son. A última cartada de Roger Schmidt aconteceu aos 83 minutos quando Rolfes saiu para a entrada de Kiessling.

O médio alemão Rolfes apresentou uma eficácia de passe de 79,6%, destacando-se também pela sua qualidade defensiva, onde ganhou por 15 vezes a posse de bola. Ofensivamente, Bellarabi e Calhanoglu foram as grandes dores de cabeça para o Benfica. Com os seus movimentos imprevisíveis, os irreverentes médios-ofensivos criaram três oportunidades, duas protagonizadas por Bellarabi, que actuou nas duas faixas. O extremo de 24 anos conseguiu três remates.

No segundo tempo, o Bayer procurou de forma mais vincada o golo, pelo que no final da partida os alemães apresentavam números superiores ao Benfica no que toca à posse de bola – 48% dos “encarnados” contra 52% dos germânicos. A eficácia de passe e os duelos ganhos foram equilibrados, bem como nos restantes momentos do encontro. O Benfica despediu-se das competições europeias com um empate sem golos frente ao Bayer Leverkusen. Um adeus que ficou marcado pela garantia de reforços internos.