Benfica 0 – Zenit 2: “Czar” Villas-Boas não esquece receita

O treinador regressou a Portugal e ao Estádio da Luz para voltar a levar a melhor sobre Jorge Jesus, algo que sucedeu pela terceira vez em Lisboa.

Hulk é sinónimo de perigo no Estádio da Luz (foto: Y. Kourt / Shutterstock)
Hulk é sinónimo de perigo no Estádio da Luz (foto: Y. Kourt / Shutterstock)

André Villas-Boas voltou à Luz para infernizar de novo a vida ao treinador do SL Benfica, Jorge Jesus, e somou a sua quarta vitória nos últimos cinco embates entre ambos, a quinta num total de oito. Com um jogo que contou com uma expulsão para os “encarnados” logo aos dezoito minutos da primeira parte, os da Luz não tiveram desde início uma missão fácil.

Nesta estreia na Liga milionária 2014/15, Jorge Jesus optou pela segurança do seu sistema táctico-base assente num 1-4-4-2 clássico, onde Talisca joga no apoio a Lima e com Enzo ligeiramente mais subido que Samaris no centro do terreno. Esta abordagem, porém, saiu algo furada  ao timoneiro, uma vez que enquanto o jovem brasileiro Anderson Talisca esteve em campo o Benfica insistiu demasiado no jogo directo para este. Sendo que o brasileiro apenas ganhou 33,3% dos duelos com os adversários.

Apesar de o Zenit ter conseguido ganhar por confortáveis 2-0, ambas as equipas efectuaram um total de 17 remates, com uma média de acerto na baliza quase igual. O Benfica conseguiu ganhar 54,5 % dos duelos, mas mesmo assim o meio-campo russo denotava alguma superioridade, sobretudo ofensivamente. Os forasteiros tiveram uma posse de bola de 58,8% com 90,5% dos passes a terem sucesso, números portanto bastante bons neste capítulo.

No momento defensivo Samaris desposicionava-se demasiado pois marcava de forma individual o belga Witsel. Um facto que acabou por estragar a estratégia de contenção a Jesus, pois Danny, apesar de se posicionar nas costas de Rondón, jogou como “vagabundo” e, sendo o principal organizador de jogo do Zenit, aparecia em inúmeras zonas para pegar na bola, em especial no espaço vazio deixado pelo arrastamento que Witsel fazia do grego Samaris. Acresce ainda que não havia depois ninguém para fazer as coberturas aos laterais quando subiam no terreno ou quando tinham situações de 2×1 no corredor.

Os russos de São Petesburgo, com Hulk na esquerda sempre a ganhar na velocidade a Eliseu e a flectir para o centro do terreno de forma a rematar – em conjunto com Shatov que demonstrou ser um perigo constante na direita devido à sua excelente rapidez e técnica na condução de bola -, causaram o descalabro defensivo da equipa portuguesa. Rondón conseguiu sempre explorar bem os corredores laterais de forma a desposicionar ao máximo a defensiva “encarnada”, que pareceu estar complemente descoordenada e sem rotinas.

clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Enzo ao leme

Após a expulsão de Artur o treinador português tirou Talisca por troca com Paulo Lopes, jogando o Benfica num 1-4-1-4-1 com Samaris como pivot único à frente da defesa, e com Lima isolado no ataque. Ao contrário do que seria de pensar do ponto de vista ofensivo, o Benfica melhorou bastante, em grande parte devido ao grande jogo que Enzo Pérez fez. O argentino jogou como médio box-to-box e desempenhou este papel na perfeição. Sem Talisca como jogador-alvo, Enzo assumiu um papel prepronderante na organização de jogo das “águias” e sobretudo nas transições ofensivas, onde transortava a bola com muita qualidade. Enzo fez um total de 56 passes, sendo que 38 deles foram no meio-campo ofensivo do SL Benfica, todos eles com uma taxa a rondar os 92% de sucesso. A nível defensivo fez ainda nove recuperações de bola, número que mostra bem a capacidade deste jogador também a defender. Foi um verdadeiro todo-o-terreno.

Nas alas Salvio e Gaitán demonstraram estar em boa forma e tentaram atacar os russos por todos os lados. Enquanto Salvio apostava nas jogadas individuas e em lances muito verticais onde pudesse chegar à linha de fundo, Gaitán optava pelas diagonais pelo centro do terreno de forma a transportar a bola e poder combinar com Lima. O extremo direito Salvio foi o atleta mais rematador com cinco disparos, enquanto Nico Gaitán criou três oportunidades de golo mas teve algo infeliz no passe com apenas 54,8% certos.

Destaque ainda para Luisão que foi dos jogadores mais inconformados, mesmo ofensivamente. Dele partiram quatro remates, com dois na direcção da baliza, e criou ainda duas oportunidades de finalização. E para Derley que entrou muito bem no jogo ao ser o ponta-de-lança que o Benfica necessitava para tabelar e segurar jogo, para que pudesse haver ataque de segunda vaga.

Os números finais indicam que os “encarnados” tentaram por 16 vezes os cruzamentos para a área e fizeram um total de 368 passes contra 555 do Zenit. O Benfica teve ainda um total de oito tiros bloqueados pelos adversários. O corredor direito foi o mais solicitado pela equipa de Jesus, com uma média de 47,2% dos ataques feitos por essa ala, sendo portanto Salvio e Maxi muito chamados ao momento ofensivo.