Benfica 1 – Gil Vicente 0: Vitória fria em noite gelada

Gaitán marcou o tento solitário, num jogo onde o SL Benfica não contou com sete jogadores habitualmente utilizados e pareceu ressentir-se da eliminação da Taça a meio da semana.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Na ressaca da eliminação para a Taça e com quatro alterações no “onze” em relação à vitória no Estádio do Dragão, Jorge Jesus apresentou três estreias – Benito, César e Ola John.

Apesar de defrontar o último classificado da Liga, ainda sem vitórias, a equipa da casa entrou lenta e com pouca clarividência no seu processo ofensivo, permitindo ao Gil Vicente dominar os primeiros dez minutos, criando duas situações de finalização. A partir daqui os campeões nacionais subiram as linhas e aumentaram a agressividade e passaram a controlar o jogo. Resultado disso os “encarnados” só criaram uma clara ocasião de golo com Jonas isolado a rematar para defesa destemida de Adriano Facchini, aos 20 minutos.

Para melhor aproveitar este espaço e criar superioridade numérica, Ola John passou a aparecer junto de Talisca. Esta alteração táctica por parte de Jorge Jesus permitiu o 1-0 que decidiu o jogo. Ola John, numa excelente abertura no meio-campo, isolou Maxi, para uma das suas habituais diagonais. O capitão do SL Benfica atirou ao poste, aparecendo Gaitán na recarga a fazer o seu terceiro golo na Liga Portugal.

Ao ver-se em desvantagem, o Gil Vicente avançou no terreno e o Benfica pôde voltar a colocar velocidade nos corredores com Maxi, Ola John e Gaitán a construírem o jogo ofensivo das “águias”, criando sobressalto até ao final da primeira parte. Acabando com nove remates, 78,3% de posse de bola e 59,2% de duelos ganhos.

O Gil apesar do bom início, com atitude e muito crer dos seus jogadores, revelou as suas fragilidades. A falta de critério no último terço ofensivo é preocupante e a falta de apoios na criação de linhas de passe é problemática e só foi disfarçada pelo ritmo imposto pelo SL Benfica.

Mais do mesmo

A segunda parte começou com o mesmo ritmo da primeira. Os “encarnados” com muita lentidão de processos, os jogadores pouco dinâmicos, a viverem da entrega de Gaitán ao jogo. Aos 65 minutos, com a entrada de Tiago e saída de Jonas, Jesus procurou alterar o esquema novamente. Tiago e Ola John ocuparam corredores e Gaitán apareceu nas costas de Lima. Contudo Tiago esteve muito desamparado no jogo, e nada acrescentou.

Esta falta de intensidade do SL Benfica deu azo à esperança da equipa de Barcelos. Os “galos” aumentaram a agressividade e foram ganhando espaço e faltas que poderiam ter colocado em cheque a vantagem de seis pontos que o actual líder tem para o FC Porto. Criando duas boas situações de golo aos 72 e aos 82 minutos, José Mota acreditou no empate e reforçou a equipa ofensivamente com a entrada de Caetano (saindo Jander) para os corredores, mas sem efeito. Apesar de os “encarnados” apenas terem feito um remate nos últimos 25 minutos, o resultado manteve-se inalterado até ao fim.

Individualmente, no Gil Vicente, João Vilela foi de vital importância. Não só a defender (83,3% de duelos ganhos, sete recuperações, quatro desarmes, três alívios e uma intercepção) como ofensivamente, com três remates (67% de eficácia) e uma ocasião de golo criada.

Contudo a figura do jogo acaba por ser Gaitán. Não pelo que produziu ofensivamente – e por ter marcado o golo que deu os três pontos. Mas pelo que deu à equipa defensivamente. Apoiou bastante Benito na sua estreia a titular, com 61,5% de duelos ganhos e cinco recuperações. Ofensivamente esteve no seu patamar – 100% de eficácia com um remate e um golo, quatro faltas ganhas e três oportunidades de golo criadas.

O SL Benfica vai assim para esta pausa natalícia na frente do campeonato fruto de uma vitória sofrida frente a um Gil Vicente esforçado mas incapaz de colocar em causa a vitória “encarnada”.