Benfica 1 – Mónaco 0: “Carteiro” Talisca não falha

Os “encarnados” reacenderam as suas aspirações na Liga dos Campeões graças a um golo de Talisca que desbloqueou um jogo equilibrado. Júlio César fechou a porta da “águia”.

Talisca ofereceu finalmente a sua influência ao Benfica no contexto da Liga dos Campeões (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Talisca ofereceu finalmente a sua influência ao Benfica no contexto da Liga dos Campeões (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Jogo praticamente de “tudo ou nada” para o Benfica na Champions League. Após o triunfo do Leverkusen na visita ao Zenit, os comandados de Jorge Jesus sabiam que uma derrota deitava por terra as aspirações da equipa, mas que os três pontos baralhariam todas as contas do grupo. E foi isso que aconteceu, no triunfo por 1-0 sobre o Mónaco. Talisca, sempre ele, desatou um nó que parecia cada vez mais apertado e Leonardo Jardim continua sem vencer Jorge Jesus.

A estratégia “encarnada” baseou-se, numa visão mais simples, no garantir da consistência do meio-campo, com Enzo Pérez e Samaris no meio e Talisca a servir de “carteiro”, numa posição entre o “miolo” e Derley, de frente para a baliza e com ordens claras de receber a bola e distribui-la. Um 4-4-1-1 que, durante o primeiro tempo, não deu grandes veleidades ao Mónaco, que apostou no seu 4-3-3 habitual. Os monegascos apenas através da pressão de João Moutinho e das combinações e desmarcações entre os extremos Lucas Ocampos e Yannick Ferreira-Carrasco, e os laterais Fabinho e Layvin Kurzawa conseguiam criar jogadas de algum perigo. Contudo, e ao contrário do que muitas vezes se viu com Eliseu do lado esquerdo, noutros jogos, André Almeida (na canhota) e Maxi Pereira nunca deram grandes espaços para os adversários alvejarem a baliza de Júlio César. Contudo, quando o fizeram, o internacional brasileiro mostrou segurança e efectuou diversas defesas de monta, mais concretamente cinco, algumas que garantiram os três pontos.

Mais Benfica no arranque

Foi assim a primeira parte. Benfica superior, com Samaris e Enzo Pérez muito bem na luta a meio-campo e a alternarem posições, mas também a distribuir, Talisca com os seus passes de grande qualidade para ocasião (dois na primeira parte) a rasgar a defesa contrária, Salvio muito activo e desequilibrador com Maxi na direita, e Gaitán esforçado mas menos inspirado na esquerda – Samaris sairia aos 62 minutos para o forcing final, registando 49 passes com apreciáveis 83,7% de eficácia, apenas 18 no meio-campo adversário (77,8%). Faltou, porém, poder de fogo às “águias”. Talisca respeitou em demasia as prováveis ordens de Jorge Jesus no que toca à distribuição e não efectuou um único remate na primeira metade, restando um desamparado Derley na frente. Salvio (que atirou ao lado na melhor oportunidade da equipa) e Gaitán assumiram a responsabilidade da “artilharia”, mas estiveram desinspirados (seis disparos em conjunto até ao intervalo, apenas um enquadrado).

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

No descanso, o Benfica somava sete remates contra quatro do Mónaco, ambas as equipas acertaram uma vez na baliza, com a agravante de que a falta de pontaria benfiquista aconteceu mesmo com quatro disparos efectuados na grande área contrária. Dos 249 passes, os da Luz acertaram 81,5%, contra 72,2% (176), e tiveram uma posse de bola superior: 58,3% para 41,7%.

O segundo tempo surgiu com uma toada semelhante, apesar de o Mónaco surgir mais afoito e com um nome a destacar-se dos demais: o extremo Yannick Ferreira-Carrasco, belga de ascendência portuguesa, de 21 anos. Foi um autêntico quebra-cabeças para André Almeida e para o esforçado Gaitán, criando os melhores lances da sua equipa e rematando mais. Disparou quatro vezes, duas enquadradas, criou uma oportunidade de golo e efectuou seis cruzamentos em jogadas de futebol corrido (nenhum com aproveitamento). Técnica, velocidade, inteligência e visão de jogo. Por ele e por João Moutinho passou a maior parte do jogo do Mónaco (67 e 72 toques, respectivamente). O médio luso fez 72 passes (menos um que Geoffrey Kondogbia) com 81% de acerto (Kondogbia com 86%). Jérémy Toulalan, a “trinco” destacou-se a defender, com duas intercepções, sete entradas e dez recuperações de bola, e Ricardo Carvalho esteve imperial na retaguarda, registando três entradas, seis alívios, uma intercepção e cinco recuperações.

Risco compensado

Jorge Jesus tirou Samaris e lançou Lima depois da hora de jogo, para forçar o ataque, e a boa qualidade do meio-campo do Mónaco acabou por se superiorizar ao do Benfica, que ficou com Enzo Pérez a médio-defensivo e Talisca à sua frente. O Benfica perdeu bola, mas quando a teve foi rápido nas transições e colocou mais gente na frente. Foi assim que conseguiu o golo, já aos 82 minutos, com o brasileiro a emendar após cruzamento da esquerda. Uma superioridade numérica na frente que acabou por dar frutos. Bryan Cristante entrou para segurar o “miolo”.

Os números finais mostram equilíbrio. Ambas as formações acabaram com 15 remates, o Benfica com três enquadrados e o Mónaco com cinco (mais aproveitamento “encarnado”) – 8-7 em disparos dentro da grande área. Os da casa terminaram com 79,5% de passes certos contra 75,1% e 56,1% de posse de bola, para 43,9%. Talisca, autor do golo, acabou com quatro remates, dois enquadrados, três oportunidades criadas e muitos passes no meio-campo adversário: 30 de um total de 37, com aproveitamento de 76,7%, muito bom para esta zona do terreno.