Benfica 1 – Rio Ave 0: Talisca evita “travessura”

Em noite de "Talisca ou travessura", o médio brasileiro voltou a ser decisivo, marcando o único golo da partida.

Talisca foi novamente fundamental na vitória do Benfica num jogo em que o Rio Ave complicou e muito a gestão "encarnada" (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Talisca foi novamente fundamental na vitória do Benfica num jogo em que o Rio Ave complicou e muito a gestão “encarnada” (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O Benfica apresentou-se na Luz perante os seus adeptos no seu tradicional sistema táctico mas com algumas novidades no “onze”. Júlio César, André Almeida, e Jonas entraram de início. Na tentativa de terminar com a sequência de maus resultados, os “encarnados” entraram determinados em impor o seu próprio ritmo de jogo e para tal instalaram-se no meio-campo do Rio Ave. A equipa de Vila do Conde alinhou em 4x3x3, entregando a iniciativa de jogo ao Benfica para depois explorar os espaços deixados na defesa através de transições rápidas.

Meio gás

O maior domínio da equipa orientada por Jorge Jesus não se traduziu em oportunidades de golo. O Benfica entrou com um ritmo lento e a falta de profundidade no flanco esquerdo limitou muito as acções ofensivas protagonizadas por este corredor com Maxi e Salvio a serem responsáveis por 44,6% dos ataques do Benfica contra 29,3% de André Almeida e Talisca, na primeira parte.

Nuno Lopes não teve dificuldades para travar Talisca, que actuou no primeiro tempo como extremo-esquerdo. As investidas do Benfica apareceram por intermédio de Salvio, Enzo, Lima e Jonas mas as suas intenções esbarram na qualidade de Cássio, que travou os quatro remates que as “águias” fizeram ainda no primeiro período do jogo. Júlio César também esteve em bom plano quando à passagem do minuto 32 mostrou os seus reflexos após um remate potente de Wakaso.

O Benfica foi crescendo e foi para o intervalo por cima do jogo, com 70,2% de posse de bola, 81,1% de eficácia de passes e 55% dos duelos ganhos. Jorge Jesus sentiu que precisava de abanar a equipa e dar mais velocidade e intensidade à partida. Os campeões nacionais aproveitaram os minutos finais da primeira parte para entrarem com uma atitude diferente nos últimos 45 minutos. Gaitán entrou no início da segunda parte para o lugar de Samaris num jogo pouco habitual por parte do grego no que toca à eficácia de passe, apenas à frente de Gaitán com 72,7%. Com o recuo de Enzo e a passagem de Talisca para o lugar de organizador, a equipa ganhou outra dinâmica ofensiva. Gaitán também entrou bem no encontro e conseguiu oferecer a profundidade que faltava à asa esquerda dos “encarnados”.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Equilíbrio

Embora a supremacia do Benfica fosse evidente em termos estatísticos o equilíbrio também era notório. As “águias” criaram situações de perigo mas não conseguiam finalizar com sucesso, muito devido à consistência com que o Rio Ave se apresentou. A equipa treinada por Pedro Martins, ao sentir dificuldades para quebrar o ímpeto do Benfica, decidiu recuar as suas linhas, com Cássio, Marcelo, Prince, Wakaso e Tarantini a destacaram-se pela solidez defensiva. O capitão, Tarantini, completou cinco desarmes, três alívios, seis intercepções e recuperou dez bolas. Nota ainda para os 80% de duelos ganhos por Prince.

Ofensivamente, Diego Lopes e Ukra foram as unidades mais interventivas. O médio brasileiro e antigo jogador das camadas jovens do Benfica somou 32 passes com uma eficácia de 75%. Os números ganham outra dimensão quando olhamos para os passes no meio-campo adversário, com 72,7% de eficácia em 22 passes efectuados, traduzindo-se no jogador do Rio Ave com mais passes feitos em todo o campo. O extremo-direito gerou dificuldades a André Almeida e foi a grande referência ofensiva dos vila-condenses. Com seis oportunidades criadas, Ukra foi a unidade mais irreverente. O Rio Ave valeu pelo seu colectivo pelo que se torna complicado destacar uma individualidade contrariamente ao Benfica, que teve Talisca como protagonista.

Aos 60 minutos, o médio brasileiro apareceu à entrada da área e rematou sem hipóteses para Cássio. Foi, a par de Lima, o jogador com mais remates no Benfica, três. A jogar de forma mais recuada no apoio à dupla de avançados, Talisca assumiu uma maior preponderância ofensiva, sendo decisivo no desfecho deste jogo.

Enzo e Salvio também rubricaram uma exibição de grande qualidade. O médio argentino alinhou como “8” e “6” e em ambas as situações conseguiu imprimir velocidade e dinâmica ao meio-campo, contra a corrente do jogo. Com 57 passes realizados e 87,7% de eficácia, Enzo foi o jogador que melhor se apresentou no capítulo do passe. Salvio ganhou vantagem na maioria dos duelos individuais que disputou com Tiago Pinto. O extremo desequilibrou no corredor direito e, com os seus movimentos imprevisíveis, criou dificuldades ao Rio Ave para travar as suas acções.

Jorge Jesus lançou Pizzi e Derley para os lugares de Lima e Jonas aos 76 e 88 minutos. Do outro lado, Pedro Martins decidiu arriscar e fez uma dupla alteração aos 76, com as saídas de Wakaso e Del Valle para as entradas de Vilas Boas e Zeegelaar. Esmael, aos 84 deu lugar a Hassan na tentativa derradeira de chegar ao empate.

No final do jogo o Benfica venceu pela margem mínima, mas foi o Rio Ave que dispôs de maior número de oportunidades, 11 contra nove. Em véspera de jogo decisivo para o futuro dos “encarnados” na Liga dos Campeões, fica a história de um jogo equilibrado e com o Benfica a falhar muito na concretização. Com 69% de posse de bola, 82% de eficácia de passe e 59% de duelos ganhos, as “águias” sentiram dificuldades para ultrapassar a barreira defensiva que o Rio Ave apresentou esta sexta-feira.