Benfica 19/20 | Raio-X ao campeão em xeque ⚽

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O regresso da Liga NOS, apesar de estar a ser planeado, parece ainda uma realidade longínqua nesta fase da pandemia, altura em que aproveitamos para olhar os desempenhos colectivos e individuais dos principais emblemas do nosso futebol.

Esta análise começou com o líder do campeonato, o FC Porto, e segue agora para o campeão em título, o Benfica, que até foi comandante – até destacado – até pouco tempo antes da suspensão da competição e que correrá contra o tempo, se e quando a Liga voltar. Em que varáveis se destaca e peca a formação de Bruno Lage? Quais os jogadores em evidência e qual o “onze-tipo”? Que GoalPoint Ratings alcançam as principais figuras e que peso têm no futebol “encarnado”?

Vamos descobrir.

Os números da época benfiquista

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O Benfica cimentou uma liderança que, contudo, nem sempre foi alicerçada em exibições consistentes, acabando o Porto por recuperar os sete pontos que tinha em atraso e chegar a esta paragem forçada na frente e a depender apenas de si para reaver o título. Olhando para os números do Benfica – que ainda assim se mantém como o melhor ataque e a melhor defesa (na visão clássica e simplista de olhar apenas a golos marcados e sofridos) -, não fica difícil perceber que as “águias” viveram muito tempo “acima das suas possibilidades”, contrariando temporariamente as estatísticas que apontavam sintomas preocupantes.

Essas debilidades não conseguiram ser disfarçadas eternamente, apesar da ajuda de um nome de que todos falam: Odysseas Vlachodimos. Mas já lá vamos. Importa perceber alguns dados que explicam a quebra (quase inevitável) de rendimento dos “encarnados”, e esses remetem-nos para a defesa. Há números reveladores de lacunas profundas na equipa, a começar por um que já referimos em diversas situações: a incapacidade para travar as incursões dos adversários, em particular aquelas que são feitas em drible.

Permeabilidade atenuada por “Vlacho”

Apesar de ser a terceira equipa com mais acções defensivas eficazes no meio-campo e no terço ofensivo, o Benfica é o conjunto que mais dribles permite, nada menos que 11,2 por jogo. Para termos uma ideia, o outro “grande” mais perto é o Porto, com 8,5, e está a “meio da tabela” neste detalhe. A “águia” é mesmo a quarta formação com maior percentagem de desarmes falhados (37,2%), apesar de ser a equipa com mais desarmes realizados (19,0).

Este problema, que a dada altura do campeonato se sentia mais no meio-campo, acabou contaminar também a defesa na segunda metade da época, facto que se materializou nas evidentes dificuldades do sector mais recuado para travar adversários. Assim, não espanta que o Benfica permita um valor muito elevado de metros verticais que os seus adversários conseguem galgar através de passes progressivos (38,5m) – a circulação progressiva permitida, sendo que o Porto, por exemplo, não passa dos 31,5, melhor registo na Liga portuguesa. O Benfica é 12º neste parâmetro em Portugal, o que explica as dificuldades defensivas que vem apresentando.

Consequências? À primeira vista apenas nas últimas jornadas tiveram peso, mas se olharmos para um indicador “invisível”, mas muito útil no trabalho de análise, os expected goals (xG), percebemos que o problema é mais amplo. O Benfica tem 14 golos sofridos, mas os xG permitidos chegam aos 24,1. Assim, em condições normais, a equipa “encarnada” deveria ter mais dez golos sofridos do que tem na realidade. Culpado de tal não ter acontecido? Vlachodimos.

Para lá do guarda-redes, o ponto forte benfiquista é o ataque. O vice-líder tem mais 3,6 golos marcados do que os xG que constrói (48,4), que já são, por si, o mais elevado da Liga. As “águias” são especialmente perigosas no último terço, sendo a formação com mais passes eficazes nesta zona do terreno (100,1, reflectindo uma percentagem de acerto de 71%, apenas duas décimas atrás do líder neste pormenor, o Sporting). O Benfica é também a segunda equipa com mais ocasiões flagrantes (2,7), concretizando 42% destas situações. Na altura de finalizar é também a segunda com melhor taxa de concretização (14%), seis décimas atrás do surpreendente Moreirense.

Fica pintado o quadro geral de define a “personalidade” deste Benfica versão 2019/20.

O onze-tipo da “águia”

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Vamos então a Vlachodimos. Como referimos anteriormente, as debilidades defensivas do Benfica não surgiram só nestas últimas jornadas, eram já patentes em alguns detalhes do seu jogo, expressas estatisticamente, e o guardião grego ia disfarçando esses problemas com exibições de grande calibre, e uma consistência que o coloca, em 2019/20, entre os melhores da Europa na sua posição.

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Odysseas defendeu nada menos que 81% dos remates enquadrados, a percentagem mais elevada das principais Ligas europeias e à qual apenas Alisson, guardião do Liverpool, se aproximou, com 80%. O grego realizou, em média, 2,5 defesas por 90 minutos, dos 9,7 que a equipa permitiu por partida. Conseguirá o leitor, perante as estatísticas defensivas apresentadas anteriormente, imaginar qual seria o cenário de golos sofridos sem “São Odysseas”?

Virando agulhas para zonas mais adiantadas, há jogadores que surgem como apostas firmes de Bruno Lage, e com desempenhos que acabam por o justificar. Começamos por Adel Taarabt, que sofreu uma autêntica transformação enquanto jogador e tem sido um dos que mais contribuem para os momentos defensivos, demonstrando, de certa forma, que os problemas nesta área são mais colectivos que individuais.

O marroquino não pára, está em todo o lado do terreno – o que pode, por outro lado, potenciar alguns desequilíbrios por desposicionamento -, mas os números mostram um empenho notável: 5,2 acções defensivas, com incidência no primeiro terço e terço intermédio, e o número mais elevado de recuperações de posse na Liga (8,1). A sua apurada técnica e capacidade de drible (2,4 eficazes) permitem-lhe ter somente 16% de perdas de posse.

Depois há Pizzi. O médio é o segundo melhor marcador da Liga, com 14 golos, e soma oito assistências, tendo assim uma impressionante influência em 42% dos tentos benfiquistas. O brigantino é, assim, um dos principais contribuidores para os números ofensivos bastante positivos de que falámos anteriormente. E na frente há outro jogador que tem deixado uma marca vincada dos momentos ofensivos. Falamos de Carlos Vinícius.

O Benfica é o melhor ataque, com 52 golos, e o melhor marcador da prova, com 15, é o ponta-de-lança brasileiro, que contribui também com cinco assistências de 38% de influência no ataque das “águias”. A formação da Luz é a segunda com melhor taxa de conversão de remates em golo, com 14%, mas Vinícius é mesmo o ponta-de-lança com melhores números nessa variável, com 32% de disparos convertidos, ele que faz 3,3 por 90 minutos. Não é difícil de perceber a importância verdadeiramente decisiva do ainda jovem atacante esta temporada nos campeões nacionais.

Menos exuberante que em outras épocas, marcado por uma lesão que o afastou por alguns meses, Rafa Silva também tem surgido em grande em alguns momentos da temporada, como foram os dois golos que marcou no triunfo da “águia” em Alvalade. São cinco golos e três assistências para o internacional luso, que desequilibra (48% de dribles eficazes em 5,9 tentativas por jogo) quer vindo da ala, quer nas costas do ponta-de-lança, como surge no “onze” que aqui apresentamos.

Não dá para esquecer, também, a importância que outros jogadores tiveram no arranque do campeonato. Florentino Luís vinha a mostrar alguma consistência e, coincidência ou não, os problemas defensivos da equipa começaram a notar-se mais após a sua saída das opções de Lage. E olhando para o rating que apresenta, as dúvidas mantêm-se. Chiquinho surgiu também como alternativa válida para segundo avançado, quando a aposta em Raúl de Tomás se começou a figurar como pouco produtiva. Falta-lhe golo para ter um peso diferente nestas contas parciais.

Terminamos com “BIs” dos restantes destaques individuais do Benfica.

Não perca em breve o raio-X a mais emblemas da Liga NOS 19/20. Pode conferir entretanto a análise ao líder FC Porto, já publicada neste link.

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