Benfica 3 – Belenenses 0: Jogo interior devora “pastéis”

Lima entrou para desatar o nó, num jogo onde Enzo, pela consistência, e Gaitán, pelo génio, foram os destaques na vitória por 3-0 dos campeões nacionais.

Enzo foi protagonista central na vitória fácil do Benfica, evitando inclusive o impeditivo amarelo em véspera de "clássico" (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Enzo foi protagonista central na vitória fácil do Benfica, evitando inclusive o impeditivo amarelo em véspera de “clássico” (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O campeão nacional entrou em campo para defrontar uma das equipas-sensação da Liga portuguesa e ganhou, com três golos sem resposta. Com esta vitória o SL Benfica garantiu três pontos de vantagem na visita a um dos concorrentes directos na luta pelo título, no próximo domingo.

O jogo começou num ritmo baixo com o primeiro remate a acontecer apenas aos dez minutos de jogo, com uma boa oportunidade de Gaitán já dentro da área. Aos 18 Talisca, de fora da área, ia abrindo o activo, respondendo dois minutos depois Tiago Caeiro para defesa apertada de Júlio César. E de bola parada Luisão colocou o Benfica novamente perto do 1-0, mas falhou por pouco o cabeceamento.

Litos Vidigal dispôs a sua equipa com as linhas muito baixas e juntas, confirmando o pragmatismo que lhe é conhecido e tem levado ao excelente início de época. Isto permitiu ao Benfica dominar o jogo do início até ao fim. Contudo, a falta de velocidade no processo ofensivo e a falta de espaço a que a estratégia dos “azuis” do Restelo obrigou, adiaram o inevitável para a segunda parte.

Ao intervalo Jorge Jesus fez entrar Lima para o lugar do desinspirado Talisca – um remate (interceptado), quatro duelos perdidos em cinco, e sete perdas de bola. E na segunda parte manteve-se a toada, com o Benfica em cima do adversário, mas sem a velocidade habitual dos últimos jogos e dependendo dos rasgos de Gaitán e das combinações entre Salvio e Maxi Pereira, e dos movimentos interiores de Enzo Pérez. A estratégia da equipa do Restelo manteve-se com as linhas muito juntas, 11 jogadores a defender atrás da linha da bola, praticamente abdicando de posicionamentos estratégicos para a transição ofensiva.

E seria exactamente o melhor marcador “encarnado” na temporada passada, entrado ao intervalo, a fazer o 1-0, na sequência de um canto cobrado por Salvio e assistido pelo brasileiro Jonas. Lima colocou as “águias” em vantagem, algo que, pelo caudal ofensivo “encarnado” e inoperância nas transições do Belenenses, já se justificava. Três minutos depois o árbitro assinalou penalty por alegada falta cometida por João Afonso sobre Enzo Pérez. O próprio cobrou o castigo e colocou o resultado em 2-0, tranquilizando os mais de 46 mil adeptos no Estádio da Luz.

A partir daqui o Belenenses tentou chegar-se à frente, mas viveu da velocidade de Camará e Sturgeon, este entrado aos 50 minutos. O Benfica soube aproveitar os espaços que apareciam e, aos 83 minutos, Gaitán libertou mais uma vez o seu génio e construiu o 3-0 com uma bela assistência para Salvio marcar o seu quinto golo no campeonato.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Estratégias

O Benfica sabia que teria pela frente uma equipa muito recolhida no seu terço defensivo, com as linhas muito juntas. E para isso Jorge Jesus soltou mais Samaris para a primeira fase de construção, tendo o médio grego feito o jogo mais completo desde que chegou ao Benfica, acabando o jogo com 83 passes completos (83,9% de eficácia) e sete recuperações de bola, mostrando que está a subir de forma e a integrar-se cada vez mais no esquema de Jorge Jesus.

Isto permitiu que Enzo Pérez aparecesse mais à frente para apoiar tanto os movimentos interiores de Gaitán e Salvio, como para manter Jonas e Lima mais perto da área a dar trabalho à defesa adversária, acabando o jogo com oito recuperações de bola, 77 passes (79,2% de eficácia) e um golo.

Do Belenenses, pela atitude defensiva que assumiu em todo o jogo, seria expectável que aproveitasse as alas para explorar o contra-ataque. Se de um lado apanharia o habitualmente ofensivo Maxi Pereira, onde apareceu Camará com relativo perigo. Do outro encontrou André Almeida numa tarde particularmente bem conseguida, com quatro desarmes e cinco intercepções, não dando grandes oportunidades nem a Tiago Caeiro na primeira parte, nem a Sturgeon na segunda parte.

No Belenenses destaque para João Afonso. Apesar do penalty cometido, foi o esteio da muralha que se manteve intacta até aos 64 minutos – acabando com quatro desarmes, seis alívios e duas intercepções. Colectivamente o destaque vai para a qualidade (ou falta dela) apresentada no processo ofensivo – 25,7% de posse de bola e apenas 61,1% de eficácia de passe é claramente pouco. Mesmo se tivermos em conta que a estratégia de transição rápida tende a potencial valores destes em ambos os vectores.

Um facto que nos permite justificar particularmente a diferença da primeira para a segunda parte em termos de eficácia é precisamente a insistência pelos movimentos interiores. O Benfica rematou o dobro no segundo tempo (sete contra 14), contudo teve menos cruzamentos (14 na primeira parte contra dez na segunda metade) –isto dá-nos a entender que procurou outras formas de chegar à baliza e aí residiu o factor-chave do jogo e da vitória. Foi exactamente neste espaço que deambulou Enzo Pérez, enchendo o campo tanto no processo ofensivo como no processo defensivo, culminando mais uma excelente exibição com um golo de penalty.