Benfica 3 – Guimarães 0: Intensidade e eficácia ditam leis

As “águias” ganharam tranquilamente em noite de homenagem a Eusébio, numa exibição assente na intensidade inicial e na inteligente gestão dos momentos de jogo.

Em noite de homenagem a Eusébio, o Benfica conseguiu um triunfo fácil e cheio de simbolismo, por 3-0, frente ao V. Guimarães. Aos 13 segundos Jonas ia abrindo o activo, mas acabou por fazê-lo aos 13 minutos, o mesmo em que, há um ano, Rodrigo havia marcado ao FC Porto, no Estádio da Luz, também em dia de homenagem ao “Pantera Negra” – que usava o 13 na camisola no Mundial de 1966, por Portugal.

Treze foi também o número de vezes que os minhotos remataram à baliza do Benfica, contra nove dos homens da casa. Porém, este número acaba por ser enganador em relação ao que se passou em campo, pois os “encarnados” nunca tiveram a vitória em causa, e os números finais até poderiam ter sido diferentes, não tivesse o Benfica acertado por três vezes nos ferros da baliza contrária.

Os comandados de Jorge Jesus terão mesmo realizado uma das melhores primeiras partes desta Liga. No regresso de Eliseu após lesão, as “águias” dominaram por completo graças a uma grande intensidade inicial, rápidas trocas de bola e triangulações, constantes movimentações e diagonais, e passes de ruptura, os quais o 4x2x3x1 dos homens de Rui Vitória não conseguiu contrariar. O recuo em demasia de André André não ajudou ao habitual dinamismo do médio e deixou Bernard Mensah demasiado isolado do resto dos colegas. Depois, a eficácia ofensiva foi praticamente nula.

Qualidade táctica

Os três remates do Benfica aos ferros (por Gaitán, Talisca e Jonas) aconteceram na primeira parte, a melhor dos “encarnados”, numa exibição assente também na responsabilidade táctica dos médios. Talisca tentou ajudar mais Samaris em zonas mais recuadas, Ola John e Nico Gaitán fecharam muito bem as zonas mais interiores, parecendo resolver assim em conjunto a perda de Enzo Pérez.

Tudo correu bem aos homens da Luz, que mostraram eficácia e excelente aproveitamento (33,3%) dos seus remates em golo. Dos nove disparos, quatro foram enquadrados, e três entraram mesmo. Dos 13 do Vitória, apenas cinco tiveram a direcção certa, mesmo perante os seis conseguidos na grande área benfiquista. Esta superioridade do Vitória em números baseou-se essencialmente na reacção a equipa na segunda parte, na qual o Benfica abrandou o seu ritmo e geriu com inteligência os momentos de jogo – os minhotos fizeram oito disparos no segundo tempo, contra três dos lisboetas.

Nos restantes vectores, o Benfica foi melhor. Teve mais bola (59,8% para 40,2%), mais passes (477 contra 307) e melhor eficácia de passe (76,9% vs 71%). A grande diferença aqui esteve mesmo na tal primeira parte de total domínio benfiquista, uma vez que nesta fase o Vitória não foi além de 58,2% de acerto nas entregas, mercê da sua inoperância no “miolo”.

Depois de ver-se em vantagem, as “águias” geriram os acontecimentos e fizeram o resultado no segundo tempo com tranquilidade, aproveitando o balanceamento contrário. Se Jonas esteve em destaque no primeiro tempo, Ola John e Gaitán acabaram por ser as figuras benfiquistas. Ambos facturaram, sendo que Gaitán somou também uma assistência, três passes para ocasião e esteve muito em jogo, com 70 toques na bola (terceiro da sua equipa com mais intervenções). O holandês, por seu turno, mostrou confiança e desequilibrou, com três passes para ocasião, 72% de passes certos e quatro cruzamentos. No Vitória, destaque para Hernâni, o mais perigoso e inconformado, mostrando velocidade e técnica, que permitiram três disparos (embora sem pontaria) e um passe para ocasião.