Benfica 3 – Moreirense 1: Expulsão desata o nó

Os campeões nacionais estiveram a perder durante 66 minutos e podem agradecer a uma imprudência de um jogador do Moreirense por terem conseguido, finalmente, dar a volta ao jogo.

Lima regressou aos golos na partida frente ao Moreirense (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Lima regressou aos golos na partida frente ao Moreirense (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O SL Benfica somou a quarta vitória em cinco jogos na Liga portuguesa, mas no Estádio da Luz, no rescaldo da derrota com o Zenit a meio da semana, os comandados de Jorge Jesus viram a vida muito complicada. Não fosse a expulsão de Marcelo Oliveira aos 57 minutos e a análise seguinte poderia ser muito diferente.

Desde os primeiros minutos, as “águias” depararam-se com uma autêntica muralha montada pelo Moreirense, com organização, mas sem “estacionar o autocarro”, como é hábito dizer. Os minhotos assentaram o seu jogo numa defesa subida, mas não em demasia, o suficiente para encurtar os espaços entre linhas, dificultando a tarefa de ataque a Anderson Talisca. O meio-campo visitante tinha, assim, a sua retaguarda protegida, conseguindo anular os espaços à circulação de bola “encarnada” e limitando a integração dos centrocampistas benfiquistas nas acções ofensivas. Vítor Gomes, Filipe Melo, André Simões estiveram muito bem no “miolo”, partindo depois em bloco para o contra-golpe. O primeiro conseguiu mesmo três desarmes, um alívio, duas intercepções e três recuperações de bola.

A estes três juntaram-se Arsénio na esquerda e João Pedro na direita. A dupla ajudou sobremaneira os laterais a anularem Salvio e Gaitán no primeiro tempo, conseguindo quatro recuperações de bola cada um, com o primeiro a somar mais três intercepções. Esta ajuda permitiu ao lateral-esquerdo André Marques brilhar a grande altura, em especial a travar Salvio. O ex-Sporting terminou a partida com nove entradas, oito alívios e quatro recuperações de bola, contribuindo para o desacerto benfiquista nos (muitos) cruzamentos que efectuou – muitos deles de zonas mais recuadas.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

Sem chave para abrir portas

Perante este cenário, jogadores como Gaitán, Salvio (18 perdas de bola na etapa inicial) e, em especial, Enzo Pérez (17) passaram ao lado do jogo na primeira parte, com este último muito abaixo do habitual em termos de precisão de passe – 73,8% em 42 efectuados na primeira parte, 30 deles no meio-campo contrário e apenas 66,7% de acerto nesta zona do terreno. O último passe não saía, os elementos da frente de ataque do Benfica estavam estáticos e, perante um eixo central muito povoado, a solução passava mesmo por despejar bolas para a grande área contrária. Os campeões nacionais chegaram ao intervalo com apenas quatro remates, dois enquadrados, 14 cruzamentos com apenas dois a terem sequência, 76% de posse de bola contra 24%, 312 passes e 81,7% de precisão. Números que demonstram o padrão de jogo… passes e mais passes para os lados, à procura de uma abertura que nunca surgiu.

Entretanto, em desvantagem (o golo do Moreirense foi marcado por João Pedro, aos 16 minutos, num raro lance em que Eliseu deixou-se antecipar), Jorge Jesus tirou de campo Samaris (33 passes com 84,8% de acerto), lançando Derley, que veio dar outra dinâmica ao ataque. E o segundo tempo começou com um Benfica afoito, mas ainda sem espaços, até que se deu o momento que virou a partida, o segundo amarelo a Marcelo Oliveira, por falta que acabou por tirar Talisca do jogo, lesionado – Talisca não resolveu mas quando saiu, aos 67 minutos, tinha 33 passes com 93,9% de acerto, sendo que ao intervalo tinha 21 com 100%!

A partir daqui o esforço do Moreirense para travar o ataque constante do Benfica por todos os lados acabou por ter o seu peso. Os elementos que seguravam o meio-campo começaram a mostrar sinais de grande desgaste físico na luta de dez contra 11. O Benfica empurrou, descobriu espaços e tudo mudou. Enzo Pérez transfigurou-se e pegou no jogo, e Eliseu fez o mais difícil, que foi empatar, através de um portentoso remate a 30 metros da baliza. Os visitantes caíram a pique e Maxi Pereira e Lima (de penalty) deram a volta ao jogo.

Enzo volta ao “normal”

Na avalanche ofensiva “encarnada”, os números de Enzo brilham: 92 passes e 83,7% de acerto; 62 passes no meio-campo contrário (77,4% certos, uma grande diferença para a primeira metade), 117 toques na bola (Maxi foi o segundo com 106), 72,2% dos 18 duelos ganhos, três oportunidades criadas, quatro entradas, três intercepções, quatro bolas recuperadas (embora com 24 perdas, mas apenas sete no segundo tempo).

Colectivamente, o Benfica terminou em grande, com 19 remates (15 no segundo tempo), nove enquadrados, 13 disparos da grande área, 85,2% de acerto no passe (de 615), 77,1% de posse de bola (contra 22,9%), e 26 cruzamentos de bola corrida, capítulo onde Nico Gaitán esteve muito activo, com oito, num total de 11. O problema foi mesmo o (não) acerto nos centros… destes 26 apenas três encontraram correspondência.