O arranque de época oscilante do Benfica esta temporada, mais vincado em termos exibicionais do que por maus resultados na Liga, tem despertado debate ha hora de identificar as causas do momento menos brilhante. Sendo cedo para análises profundas, identificamos um detalhe concreto do futebol “encarnado” que ajuda a explicar alguns registos pouco favoráveis, em particular um: o Benfica leva apenas 1,9 golos marcados por jogo.

Ao olharmos para um dos momentos mais importantes do futebol e sucesso de qualquer equipa, a qualidade e eficácia de remate, surge-nos como evidente que o Benfica destes primeiros meses de Liga deixa algo a desejar neste particular. Já no passado havíamos percebido que a eficácia dos disparos têm um peso significativo nas tabelas classificativas e no alcançar dos objectivos das equipas, sendo que a “águia” recupera o tema em forma de alerta: O Benfica é apenas a nona equipa em remates enquadrados a cada 90 minutos, à passagem da sétima jornada.

 

A equipa de Bruno Lage regista somente 3,7 disparos enquadrados, muito longe dos 6,9 do FC Porto, o conjunto que mais acerta na baliza, ou dos 4,2 do Sporting, e atrás de emblemas como (o líder) Famalicão, Gil Vicente e Santa Clara.

Este número representa 26% de enquadrados em relação ao total de remates (14,2, o quarto valor mais alto da Liga). Em comparação com a temporada anterior, é notória uma quebra acentuada na eficácia de remate dos “encarnados”, pois em 2018/19 os campeões nacionais foram a equipa que mais acertou com a baliza (6,8 por 90 minutos, em linha com o que o Porto regista esta época), correspondendo a 40% de enquadrados, também o máximo da temporada transacta.

Muitas serão ser as explicações para esse facto, mas olhando para alguns dos protagonistas da equipa no momento do remate, nomeadamente os dois pontas-de-lança mais utilizados – Haris Seferovic e Raúl de Tomás -, parece claro que a desinspiração dos dois jogadores na altura de alvejar a baliza é uma das causas destes números. Seferovic terminou a época passada como melhor marcador da Liga e com uma eficácia de remate de 54%, não passando dos 16% esta temporada. Raúl de Tomás, com 19%, não tem ajudado. Vai valendo Pizzi à equipa benfiquista, com 67%.