O SL Benfica empatou 2-2 em casa frente ao Bayern de Munique e ficou-se pelos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Um resultado insuficiente, mas que não deslustra a formação benfiquista, que realizou uma exibição de qualidade e chegou a empatar a eliminatória – isto mesmo sem o contributo de Nico Gaitán e Kostas Mitroglou, que não recuperaram de lesões, e de Jonas, castigado.

Porém, o potencial individual e colectivo dos bávaros acabou por vir ao de cima através das habituais trocas de bola e, a espaços, com recurso a uma simplicidade de processos extraordinária. Os números finais mostram-no.

Liga dos Campeões 2015/16 - Benfica vs Benfica
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Raúl Jiménez colocou o Estádio da Luz em erupção aos 27 minutos, com um golo de cabeça a centro de Eliseu, no segundo remate dos da casa, primeiro enquadrado – Manuel Neuer ficou mal na fotografia. A esperança “encarnada” aumentou, mas já nesta altura se via que a tarefa iria ser complicada. À meia-hora o Bayern tinha 75% de posse de bola e atacava bastante pelas faixas, quer por Franck Ribéry na esquerda, quer por Douglas Costa na direita. O 1-1 acabou por surgir com naturalidade, por Arturo Vidal (38′), um golo que o Benfica sentiu. E ao intervalo já os números eram esclarecedores: 4-8 em remates (2-4 enquadrados), 75% de posse para os alemães, impressionantes 400 passes para os homens de Pep Guardiola, com 93% de eficácia.

O segundo tempo não mudou nada. O golo de Thomas Müller (52′) surgiu novamente com normalidade, pois o Bayern explanava o seu “carrossel” de passes que adormecia a “águia” e empurrava-a para trás. E só o grande espírito da equipa de Rui Vitória lhe permitiu reagir e reduzir, por Talisca, de livre, aos 76 minutos. No final o 2-2 assenta bem e a superioridade alemã nos números, apesar de evidente, não acabou por ser tão esmagadora como aconteceu já esta época com outras equipas que defrontaram os bávaros.

Alonso o espelho da simplicidade

Um pêndulo. O “trinco” espanhol do Bayern, Xabi Alonso, equilibra toda a equipa, pelo seu posicionamento exemplar, capacidade de recuperação e de passe e, acima de tudo, pela simplicidade geométrica como define os lances e pela forma como comanda seus companheiros. Foi o mais valioso jogador em campo, com 7.4 no nosso GoalPoint Ratings (GPR), não pelo que atacou, mas pelo que fez jogar. Realizou três passes para ocasião, esteve directamente envolvido no segundo golo – bateu o canto para o amortecimento de Javi Martínez -, acertou 94,3% dos 87 passes que realizou (91,8% para o meio-campo contrário), tocou 105 vezes na bola (o máximo neste jogo) e ganhou 71,4% dos 14 duelos individuais que disputou. Mais: realizou 13 acções defensivas – seis alívios, uma intercepção, seis desarmes (cinco deles eficazes) -, recuperando 11 vezes a bola. Fantástico!

O melhor do Benfica acabou por ser Talisca. O médio brasileiro registou 6.9 no GPR pelos 22 minutos que esteve em campo, nos quais marcou um golo em dois remates (um enquadrado), fez um passe para ocasião e ganhou metade dos seis duelos. O seu golo, de livre, ficou na retina pela qualidade técnica. Depois houve Ederson (6.3 GPR). O guardião benfiquista esteve em grande plano – apesar de um lapso que poderia ter tido outro desfecho -, ao realizar cinco defesas e várias acções determinantes e determinadas.

Nota: Os GoalPoint Ratings resultam de um algoritmo proprietário desenvolvido pela GoalPoint que pondera exclusivamente o desempenho estatístico dos jogadores ao longo da partida, sem intervenção humana. Clique para saber mais.

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