O Benfica iniciou a sua participação na Liga dos Campeões 2016/17 com um empate, selado nos instantes finais por um… jogador do Benfica.

Num jogo “morno”,  desinteressante e sem a qualidade nem a intensidade que costuma caracterizar a “Champions”, a equipa encarnada esteve perto de conseguir o mais importante, os três pontos, mas Talisca, emprestado pelo clube da Luz ao Besiktas, apontou um golo de livre que deixa as “águias” a dois pontos do líder do grupo, o Nápoles.

Quando o plano b resulta

Sem algumas das suas principais peças ofensivas, fruto das baixas por lesão de Mitroglou, Jonas, Jiménez e Rafa, Rui Vitória teve de improvisar na construção do onze inicial, apostando em Franco Cervi no apoio à unidade mais avançada, Gonçalo Guedes.

Os primeiros avisos foram dados pelo Besiktas, mais concretamente por Ricardo Quaresma, que, sempre irrequieto, ia encontrando brechas na linha defensiva encarnada, respondendo assim aos muitos assobios vindos das bancadas. A reacção do Benfica acabou por resultar no golo, que contou com a preciosa colaboração do guarda-redes Tolga Zengin, a deixar a bola bem ao jeito de Cervi, na sequência de uma defesa incompleta a remate de Salvio.

O golo assentava que nem uma luva nos planos de Rui Vitória, que via a sua equipa dominar as incidências do jogo, somando quatro remates enquadrados no final da primeira parte (contra um do Besiktas), apesar de a posse de bola favorecer ligeiramente os turcos. E o marcador intercalar até podia ter sido mais dilatado, não fosse Zengin negar o golo a André Horta (uma das boas exibições “encarnadas”) com uma grande defesa, já perto do apito do árbitro.

Ao intervalo, era normal falar-se de Cervi, que, com o golo apontado e um passe para ocasião, tinha um GoalPoint Rating de 6.2, seguido de perto por Salvio, sempre muito rematador, com 5.9, e de Tosic, do Besiktas, com 5.8.

Cedência de terreno… fatal

A segunda parte começou de forma algo lenta, com o Benfica a perder gradualmente o controlo das incidências. Antecipando grandes dificuldades nos últimos 20 minutos, Rui Vitória tirou Cervi e apostou em Samaris, na esperança de que, com o grego em campo, a equipa fosse capaz de segurar o meio-campo.

Foi nessa altura que começaram as “dores de cabeça” para Ederson, que, aos 72 minutos, teve de correr para fora da área para tirar “o pão da boca” de Quaresma. Momentos depois, Tosun, completamente isolado na grande área, falhava o golo ao atirar por cima da baliza.

Os minutos passavam e a pressão do Besiktas aumentava. Depois de verem Ederson negar o golo a Hutchinson com uma espantosa defesa, os turcos acabariam por chegar ao golo já no último minuto dos descontos, através de um livre cobrado por Talisca.

“Balde de água fria” na Luz, ainda para mais por ter sido um jogador “da casa” a tirar dois pontos que pareciam certos ao Benfica. O golo tardio acabou por premiar o esforço dos atletas turcos, que fizeram mais do que os da casa no segundo tempo (um total de nove remates, quatro deles enquadrados, contra seis do Benfica, dois deles enquadrados).

A “vingança” de Talisca

Embora tenha estado em campo apenas 45 minutos, Talisca foi um verdadeiro quebra-cabeças para os jogadores do Benfica. O brasileiro foi o jogador do Besiktas que mais remates fez (três ao todo, dois deles enquadrados), registo ao qual somou um passe para ocasião e 63% de duelos ganhos, terminando a partida com um rating de 7.1. Números que certamente farão Rui Vitória pensar…

De salientar que Cervi liderou os GoalPoint Ratings até à sua saída de campo. Nos últimos 15 minutos, o Besiktas soube aproveitar a queda abrupta do Benfica, o que também se reflectiu nos ratings individuais dos turcos, que venceram 68 duelos contra apenas 49 das “águias”, registo númerico elucidativo das razões da factura paga pelo Benfica neste arranque de Champions.

Outros números:

  • Tosic 6.9 – Exibição impressionante do defesa-central sérvio. Somou 17 acções defensivas e ganhou 13 dos 15 duelos que disputou.
  • André Horta 6.4 –  O golo do Benfica nasce de um passe seu e foi nesse capítulo que se destacou, com uma eficácia de 90%. Ainda teve um grande remate a fechar a 1ª parte.
  • Cervi 6.3 – Para além do golo foi surpreendentemente o benfiquista que fez mais desarmes (6).
  • Fejsa 6.0 – Recuperou por dez vezes a posse de bola e quando saiu a equipa estava a ganhar…
  • Salvio 4.7 – Perdeu a bola 23 vezes e concretizou apenas duas das suas sete tentativas de drible. Noite para esquecer do argentino.
GoalPoint | Benfica vs Besiktas | Champions League 2016/17 | Ratings
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GoalPoint | Benfica vs Besiktas | Champions League 2016/17 | MVP
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GoalPoint | Benfica vs Besiktas | Champions League 2016/17 | 45m
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GoalPoint | Benfica vs Besiktas | Champions League 2016/17 | 90m
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