A época 2016/17 está só no início, mas quem assistiu à Supertaça Cândido de Oliveira, entre SL Benfica e SC Braga, certamente pensou tratar-se de uma partida de meio da temporada.

O Benfica conquistou a sua sexta Supertaça, graças ao 3-0 averbado ante os minhotos, e muito deve aos primeiros 25 minutos de jogo, nos quais mostrou uma forma invejável para início de Agosto. Mas o Braga soube acompanhar o ritmo e pode-se dizer que este é um resultado pesado para aquilo que os “arsenalistas” produziram.

O 1-0, da autoria do reforço Franco Cervi – após uma brilhante jogada individual pela esquerda, na qual deixou pelo caminho três adversários, antes de rematar de pé direito -, surgiu no melhor período dos “encarnados”, num jogo que ameaçou ser de sentido único.

Supertaça 2016 | Benfica vs Sporting de Braga | 45 minutos
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Apesar do forcing “encarnado” inicial  o jogo tornou-se, aos poucos, um excelente espectáculo de futebol, com perigo a rondar as duas balizas e um Braga a responder muito bem, colectivamente, aos diversos rasgos individuais dos jogadores do Benfica.

No segundo tempo até deu mais Braga, mas com Jonas em campo o golo está sempre à espreita e foi dele o 2-0, antes de Pizzi fechar a contagem.

Supertaça 2016 | Benfica vs Sporting de Braga | 90 minutos
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O “diabo” pelas alas

O Braga iniciou o jogo num 4-3-3 cauteloso, com Pedro Santos e Rafa nas alas, mas sempre com a preocupação de fechar muito no meio. No início a equipa de José Peseiro deu-se mal, pois o Benfica privilegiou as alas para canalizar o seu futebol, pelo que o povoamento no eixo central de nada serviu.

Nélson Semedo, na direita, Alex Grimaldo e Cervi, na esquerda, dinamitaram a estratégia inicial bracarense, numa fase em que os homens da Luz poderiam ter marcado mais do que uma vez. Mas aos poucos o Braga acertou o seu jogo e, por volta dos 25 minutos, as jogadas de perigo começaram a surgir em catadupa junto das duas balizas. Valeu o desacerto benfiquista no ataque e Júlio César na baliza contrária.

Rafa começou a abrir o livro aos poucos, com triangulações e lances a flectir para o meio, com boa envolvência colectiva, demasiado para apenas André Horta – bem a atacar, menos bem no posicionamento defensivo – e Fejsa. O intervalo chegou com as duas formações perto de marcar e sentia-se que a vantagem das “águias” era já algo lisonjeira.

Mais Braga, mas Jonas…

No segundo tempo o Braga aproveitou bem o estilo de jogo do Benfica para surgir em inúmeras ocasiões com muito perigo, e por vezes em superioridade numérica junto à grande área de Júlio César. As ocasiões de golo pertenceram na maioria ao Braga, mas o desperdício acabaria por sair caro aos minhotos.

O melhor exemplo disso saiu dos pés de Rafa, que estava a ser um dos melhores em campo mas, aos 69 minutos, depois de se isolar e contornar Júlio César, conseguiu o mais difícil e acertou nas malhas laterais da baliza.

Do outro lado a eficácia foi maior. Aos 75 minutos, Pizzi arrancou uma assistência primorosa, isolou Jonas e este, perante Marafona, garantiu a vitória para os “encarnados”.

Pizzi de classe, Júlio César como o vinho

Uma assistência sublime para Jonas e um golo de bandeira aos 93 minutos. Não precisamos mais do que isto para realçar a grande exibição de Pizzi, o melhor em campo nesta partida no Municipal de Aveiro. O médio foi fundamental a fazer jogar e desequilibrou nos momentos certos. Na retina o chapéu a Marafona para o 3-0. Fantástico.

O jogo foi intenso, ofensivamente bem jogado, de parada e resposta, e nesta vertigem de duas equipas à procura do golo os jogadores do Braga obrigaram Júlio César a muito trabalho, devido aos muitos remates colocados. Desde a primeira defesa, aos 22 minutos, a remate de Pedro Santos, até ao fim, o brasileiro – que vinha de longa ausência por lesão – mostrou que não perdeu nenhuma das suas qualidades e foi fundamental no triunfo benfiquista, somando nada menos do que sete defesas.

Conclusão? Benfica e Braga prometem bom futebol já para o arranque da Liga NOS 16/17. A confirmar.