Com a saída de Nélson Semedo, a posição de lateral-direito tornou-se numa das mais carenciadas do plantel do Benfica. Os jovens Pedro Pereira e Aurélio Buta não deram na pré-época as garantias suficientes, pelo menos no curto prazo, e até Mato Milos, o croata que chegou do Istra, acabou emprestado sem fazer sequer qualquer jogo com a camisola “encarnada”. Ficava, por isso, evidente a necessidade de “ir ao mercado” procurar outra solução.

Entre todas as hipóteses apontadas, o reforço acabaria por chegar por empréstimo, do clube que foi destino para Nélson Semedo, o Barcelona. Jogador muito pouco popular entre os adeptos “blaugrana”, Douglas Santos é encarado pelos adeptos “encarnados” com bastante desconfiança, e vai ter a árdua tarefa de substituir aquele que foi o melhor lateral-direito da Liga NOS em 2016/2017.

GoalPoint-Douglas-Benfica-ApresentacaoTravessia do deserto em Barcelona

Douglas foi formado no Goiás, clube de média dimensão no Brasil, tendo sido lançado no Brasileirão em 2009 por Paulo Bonamigo (antigo treinador do Marítimo), quando tinha apenas 17 anos. Após dar nas vistas pelo “esmeraldino”, acabaria por ser contratado pelo São Paulo em 2012, onde ganhou, na época seguinte, uma Copa Sudamericana (equivalente à Liga Europa). Quase sempre titular no clube tricolor, teve um excelente início de temporada em 2014, e assinaria pelo Barcelona a troco de €4M, como alternativa a Dani Alves.

Na Catalunha a carreira de Douglas entrou em fase descendente. Pouco feliz nas escassas aparições que fez de azul e grená, o brasileiro passou dois anos com cerca de apenas 400 minutos de utilização, sendo muitas vezes “achincalhado” pelos adeptos, e até categorizado como uma das piores contratações de sempre do clube.

No entanto, as coisas começaram a mudar na época passada. Emprestado ao Sporting de Gijón, Douglas foi titular praticamente toda a temporada e alcançou registos positivos, a fazer lembrar o Douglas do Brasil. De seguida, analisaremos os seus dados estatísticos ao serviço dos “rojiblancos”, em comparação com as últimas duas épocas de Nélson Semedo e André Almeida na Luz.

GoalPoint-Douglas-GijonMuito mais lateral do que defesa

Apesar de vir suprir a vaga de defesa-direito, Douglas é um jogador com mentalidade sobretudo atacante, e é no momento ofensivo que se encontram as suas melhores qualidades. Prova disso é o facto de, mesmo a actuar num clube da segunda metade da tabela em Espanha ter, tanto nas médias como na eficácia, números melhores que Nélson Semedo e (sobretudo) André Almeida, ao nível do cruzamento e capacidade de drible. Outra das boas características do lateral é a chegada à área, o que fica corroborado pelo facto de ter marcado três golos, tantos como Nélson e André somados nas últimas duas épocas.

É no momento defensivo que os defeitos de Douglas vêm ao de cima. O brasileiro até consegue uma elevada média de 3,1 desarmes por jogo, o problema está naqueles que falha, ou seja, na quantidade de vezes que é driblado. De facto, 37% das tentativas de desarme de Douglas foram ineficazes, um número que fica bem acima dos 13% de Nelsinho e dos 25% de Almeida, e que revela grandes dificuldades na marcação.

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Conclusão

Douglas está longe de ser motivo de pânico para os benfiquistas. Na realidade, se pensarmos na maioria dos jogos que o Benfica disputa, sobretudo internamente, o novo “camisola 8” da Luz até pode vir a ser muito útil devido à sua capacidade desequilibrar ofensivamente. O brasileiro tem golo, chega com facilidade à linha e cruza com qualidade, tudo o que o Benfica precisa de um lateral em 80% dos jogos da Liga NOS, o problema são os outros 20%…

Quando o grau de dificuldade aumentar, sobretudo nos jogos da Liga dos Campeões, é possível que o Benfica tenha que vir a recorrer a André Almeida. Imaginar Douglas a encarar de frente os melhores extremos do mundo pode ser motivo de preocupação, tendo em conta a falta de eficácia que apresenta na marcação e as dificuldades no posicionamento mas, quando há fogo… chamam-se os bombeiros, e por alguma razão André Almeida tem essa alcunha.