Benfica | Ferreyra perdeu a cabeça 👌

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O argentino Facundo Ferreyra foi, indiscutivelmente, um dos mais sonantes reforços do Benfica para a época 2018/2019. No currículo trazia o “carimbo” de melhor marcador do último campeonato ucraniano, com 21 golos, e um registo de 46 tentos em 70 jogos nas últimas duas épocas ao serviço do Shakhtar, se incluirmos todas as competições oficiais. Mas as coisas não estão a começar da melhor forma na Luz.

Apenas um golo em seis jogos Рcinco deles como titular Р̩ pouco para o que se esperava de Ferreyra. Num percurso que at̩ uma grande penalidade falhada inclui, as presta̵̤es do argentino t̻m sido marcadas pela mediocridade e t̻m estado bem longe da bitola que trazia, mesmo se deixarmos de lado a quesṭo da escassez de golos.

Muito se tem falado da falta de entrosamento com a equipa, um tema de análise pertinente, mas nos números não se notam particulares diferenças nesse aspecto em relação aos tempos do Shakhtar. Ferreyra tem uma média de 26 acções com bola a cada 90 minutos de “encarnado”, apenas uma a menos do que registou nas últimas duas épocas (dados das competições europeias apenas), e faz 16 passes contra os habituais 18 pelo Shakhtar, com uma alta eficácia de 79%, até maior do que os 77% que “trazia”.

Quanto às principais ligações, Grimaldo (2,6 passes para Ferreyra a cada 90 minutos) e Pizzi (2,3) são quem mais liga com o argentino, destacando-se a curiosidade de uma das médias mais baixas ser a ligação com Gedson (apenas um passe por jogo recebido do jovem médio). Mas não há aqui nada que fuja muito da norma, pois Grimaldo e Pizzi são, de longe, os dois jogadores com mais passes/cruzamentos por jogo na equipa do Benfica.

Ferreyra é, isso sim, um ponta-de-lança bem diferente daquilo que o Benfica estava habituado com Jonas ou Jiménez. O brasileiro tinha uma média de 55 acções com bola a cada jogo, mais do dobro de Ferreyra, e mesmo o mexicano era bastante mais móvel, com 48 acções a cada 90 minutos. É algo para que já tínhamos alertado quando o analisámos em conjunto com Castillo. Na altura escrevemos que o chileno era bem mais parecido com Jonas, tanto pela dinâmica como pela capacidade de individual no drible e na conquista de faltas, ou até na meia distância.

A somar a tudo isso, há sinais nos números de Ferreyra que deixam a entender alguma má forma ou falta de confiança. Para além de não ter convertido nenhuma das três ocasiões flagrantes de que dispôs, há uma apatia e ineficácia na disputa dos duelos que não são normais no argentino.

Ao fim de seis jogos, foram 15 os duelos aéreos ofensivos que Facundo Ferreyra disputou, não tendo ganho qualquer um. A sua eficácia neste aspecto do jogo rondava os 36% ao serviço do Shakhtar, por isso seria de esperar que já tivesse ganho pelo menos cinco. Não ganhou e, já que falamos de jogo aéreo, ainda está para acontecer o primeiro remate de cabeça de Ferreyra.

Logo para azar do “camisola 19”, o menino João Félix – que até tem uns centímetro e quilos a menos – marcou dessa forma o golo do empate no dérbi, “destapando” ainda mais essa carência do argentino até ao momento, e até Castillo e Seferovic, que juntos somam apenas 98 minutos de utilização, já ganharam pelo menos um duelo aéreo ofensivo, cada um.

Essa apatia nos duelos nota-se também no reduzido número de faltas que conquista. Foram apenas quatro nos 456 minutos que esteve em campo. Muito pouco, se pensarmos que Castillo conquistou três em 60 minutos e João Félix duas em 44 minutos.

Resumindo, o estilo de jogo do Benfica está muito mais adaptado a um ponta-de-lança dinâmico, capaz de oferecer coisas à equipa que Ferreyra não consegue, nem nunca conseguiu, mas ainda assim o argentino pode e deve fazer mais e melhor. Para já, com Jonas e Castillo lesionados, a concorrência não é grande, mas até João Félix já apareceu para mostrar que pode ser considerado como alternativa para a posição que tem sido do argentino. Tem a palavra Rui Vitória.

Hernâni Ribeiro
Hernâni Ribeiro
Formado em estatística e gestão de informação, e Data Scientist profissional. É Head of Analytics na GoalPoint e responsável pela GoalPointPro
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