Otema dos guarda-redes tem sido dos mais discutidos quando se fala do Benfica, versão 2017/2018. Das contratações falhadas de Joel Pereira e André Moreira, à abrupta saída de Júlio César, passando pelas apostas pouco seguras em Bruno Varela e Mile Svilar e até pela contratação-fantasma do alemão Vlachodimos, tem sido muito o falatório em torno de uma função que se quer o mais estável possível.

Após um início marcado pelos erros de Bruno Varela, que nos fizeram recordar o seu nada famoso registo estatístico da época passada, seguiu-se uma aposta em Mile Svilar que ficou marcada por falhas comprometedoras, mas justificáveis pela falta de experiência, nos jogos ao mais alto nível. O belga acabaria por se “constipar”, abrindo assim caminho ao regresso de Bruno Varela à baliza, mas a segurança não voltou, longe disso.

Quando se fala do guarda-redes português, estamos quase a falar de dois guarda-redes num só. Entre os postes, os seus números são bastante interessantes, com uma percentagem de remates enquadrados defendidos situada actualmente em 74,5%. Este é o 15º melhor registo a nível europeu e o terceiro melhor da Liga NOS, apenas atrás de Rui Patrício (80,9%) e António Filipe (75,4%). Mas as coisas mudam (bastante) de figura na hora de sair da baliza.

Este lance de ontem em Portimão, foi só mais um exemplo de um dos “ataques de pânico” provocados em milhões de benfiquistas ao longo da época. Com o resultado em 1-2, Bruno Varela falha por completo uma saída da baliza e põe em causa de forma perfeitamente escusada a recuperação encetada por Franco Cervi.

Uma análise aos números mostra uma tendência preocupante. Provavelmente consciente das suas limitações nestes capítulos, Bruno Varela é dos guarda-redes que menos sai da baliza em toda a Europa, tanto pelo ar como pelo chão, mas se junto à relva as coisas correram bem nas duas vezes em que o tentou (uma delas ontem e outra no Dragão), pelo ar a coisa muda de figura, e Varela é líder de um ranking preocupante.

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Nenhum outro guarda-redes a nível europeu regista tão baixa eficácia neste tipo de lances. Curiosamente, o guarda-redes do Barcelona é o segundo pior da Europa neste tipo de acções, mas entre os postes tem também o segundo melhor registo (atrás do ex-Benfica, Oblak) e não falhou nenhuma das 11 saídas que tentou pelo chão, número bem superior às duas de Varela. Em Portugal, Rui Patrício só falha 7% das suas saídas aéreas, enquanto José Sá falha em 14% das ocasiões. A diferença é bem clara.

É caso para dizer que o Benfica anda a “brincar com o fogo”. Para já, mesmo com Bruno Varela na baliza, a luta pelo título está em aberto, mas lances como o de ontem podem vir a custar muito caro aos “encarnados”. Ter um guarda-redes confortável e eficaz no controlo de uma zona frontal alargada é, hoje em dia, essencial numa equipa grande que se quer a lutar por títulos. Bruno Varela – os números estão à vista – está longe de oferecer esse conforto, e a não ser que se assinale uma grande e inesperada evolução até ao final da temporada, pode estar aqui a chave de uma luta que depende de todos os pormenores.