A época 2019/20 termina este sábado com a final da Taça de Portugal, um jogo que coloca frente-a-frente Benfica e Porto, em Coimbra. Nas nove edições deste embate na prova (o que mais se repetiu na História da prova), o Benfica dominou claramente, tendo ganho oito e perdido apenas uma – na época 1957/58, por 1-0, no segundo embate entre as duas equipas na decisão. A última final entre os dois emblemas aconteceu em 2003/04, com os “encarnados” a vencerem por 2-1 após prolongamento, poucos dias antes de os “dragões” de José Mourinho vencerem a Liga dos Campeões, na final ante o Mónaco em Gelsenkirchen.

Esta será a terceira final da prova para Sérgio Conceição enquanto treinador, uma ao serviço do Sporting de Braga, outra pelo Porto, e em ambas as ocasiões saiu derrotado nas grandes penalidades ante o mesmo adversário: o Sporting. Mas enquanto jogador, Conceição conquistou duas Taças, ambas no Porto, claro está, sendo que Nélson Veríssimo também conquistou o troféu, em 2004/05, pelo Vitória de Setúbal, graças a um 2-1 na final ante o… Benfica.

EXTRA SLB x FCP 👉 Aposta 10€, com odd mínima de 1.80 e ganha 2€ por cada golo marcado, independentemente do resultado da tua aposta!

Este jogo concluí uma época complicada para todos. O Porto foi a equipa que melhor se adaptou a todas as contingências, tendo garantido o título da Liga NOS com cinco pontos de vantagem sobre as “águias”. Nos últimos cinco jogos do campeonato – numa óptica de percebermos em que forma chegam as duas equipas a esta partida -, vemos duas equipas que, estatisticamente, mantiveram uma certa coerência com o que foram fazendo ao longo da época.

[ O desempenho de Benfica e Porto nos cinco jogos que precederam a final ]

GoalPoint-Preview-Taca-Portugal-Benfica-Porto-201920-betpt-infog
Clique para ampliar

É certo que mas últimas cinco partidas, o Porto foi, destacado, o melhor ataque, com 17 golos apontados, e o Benfica a melhor defesa, com três sofridos, mas a frieza dos golos choca com outros números. Entre a 30ª e a 34ª jornadas, o Benfica foi a equipa mais rematadora da Liga (17,0) e a que mais disparos enquadrados conseguiu (7,6) – o Porto foi somente a sexto no número médio de remates (12,2) e terceiro nos enquadrados (5.8). Mas o cenário muda radicalmente quando olhamos para números de eficácia. Se o Benfica foi apenas a sétima equipa na taxa de conversão de remates, com 14,1%, o Porto “demoliu” a concorrência com 27,9% de disparos transformados em golo.

Ainda no ataque, o Benfica beneficiou de quase sete cantos por jogo (6,8), contra parcos 3,2 dos portistas, isto perante uma “águia” que apresentou uma eficácia nos duelos aéreos (66%) bem superior à do seu adversário deste sábado (52%). Contudo, a consistência defensiva portista não se ausentou, sendo que os “azuis-e-brancos” foram a formação que menos remates permitiram na sua grande área (4,4), contra os 5,0 que colocaram os lisboetas em quinto neste parâmetro. Que “pontos fortes” terão mais peso?

1X2 no Jogo 👉 Apostar!

Ainda assim, importa olhar para outro facto incontornável. É certo que já muita “água” passou por debaixo da “ponte” e que o Benfica até já trocou de treinador, mas não podemos ignorar os dois confrontos directos entre as duas equipas esta temporada, ambos para a Liga. Na primeira volta, os “dragões” foram à Luz dominar e vencer tranquilamente por 2-0, e no início de Fevereiro os “azuis-e-brancos” bateram os “encarnados” por 3-2, reduzindo para quatro os pontos de desvantagem e assinalando o ponto de viragem no destino das duas equipas.

[ O resumo do Benfica 0-2 Porto, da 3ª jornada da Liga NOS ]

Se ao longo da época o Benfica mostrou ser uma formação de produção ofensiva mais acentuada, nos embates entre os dois rivais o cenário alterou-se por completo quando olhamos para os números agregados. Nos dois jogos do campeonato o Porto rematou 28 vezes, o dobro do que conseguiu a equipa então orientada por Bruno Lage. Nos enquadrados fez o triplo (9-3), sendo que apesar de o Benfica ter tido mais bola nesses dois encontros (55%), os portistas remataram 17 vezes na área contrária, contra nove dos homens da Luz. Explicações?

[ O resumo do Porto 3-2 Benfica, da 20ª jornada da Liga NOS ]

Haverá muitas, certamente. Salta, contudo, à vista a grande capacidade física dos comandados de Sérgio Conceição, face a um Benfica mais “levezinho”, apesar de mais técnico e criativo. Se no global da Liga essas características poderão promover estatísticas como a que observámos no “preview” acima, já no confronto directo poderá causar uma inversão de papéis. Basta analisar o tema pelos duelos individuais, nos quais o Porto foi superior ao Benfica em 20 (146 contra 126 ganhos), e sem recorrer tanto à falta, tendo acumulado 24, contra 34 dos benfiquistas. E depois foi só apelar à objectividade, com os “dragões” a registarem 63% de eficácia do passe vertical, contra 59% dos “encarnados”. Lutar, recuperar a bola e colocá-la rápido na frente foi um dos segredos dos homens da Invicta. Será assim desta feita em Coimbra?

Ambas As Equipas Marcam Sim/Não 👉 Apostar!

Estrelas que reflectem o colectivo

A imagem que as duas equipas transmitiram nesta época foi mais ou menos pacífica entre os adeptos. O Benfica apresentou-se sempre como uma equipa muito vocacionada para o ataque, por vezes esquecendo-se de que também é necessário defender, daí os muitos números ofensivos acima dos demais. O Porto, por seu turno, embora também uma formação ofensiva, sempre deu mostras de privilegiar o equilíbrio das suas acções. E os jogadores dos dois lados que chegaram em melhor forma a este jogo são o reflexo dessas diferenças.

GoalPoint-Pizzi_2019_vs_Otávio_Monteiro_2019-1-infog
Clique para ampliar

Pizzi, o Jogador do Ano GoalPoint da Liga em 19/20, é o paradigma do jogador ofensivo. Nos últimos cinco jogos atingiu um GoalPoint Rating acumulado de 7.77 – em toda a temporada no campeonato terminou com 6.87 – e a sua influência no Benfica é eminentemente de ataque. O brigantino fez 18 golos, tantos quanto o melhor marcador da prova, Carlos Vinícius (e Mehdi Taremi), e foi o “rei” das assistências, com impressionantes 14. Ao todo, Pizzi teve intervenção directa em 45% dos 71 golos do Benfica esta temporada no campeonato, número que sobe para 54% dos golos marcados pela equipa enquanto esteve em campo.

Otávio Monteiro – que registou um rating acumulado de 7.40 nos últimos 5 jogos do campeonato e o terceiro global mais elevado 6.67 -, é um jogador criativo, sim, mas o que empresta ao jogo portista é bem diferente. Foram apenas dois golos, mas importantes nove assistências, fruto de ter sido o jogador com mais passes para finalização de bola corrida (1,8). No trabalho colectivo destaca-se ainda mais, sendo que ninguém teve mais acções defensivas no último terço que o brasileiro, nem recuperações de nessas zonas adiantadas (1,5/90m no último terço). E ainda registou 3,3 desarmes por jogo, algo extraordinário num jogador que actua na sua posição.

Jogo de extremos

Vamos agora aos extremos, não os que percorrem os crredores mas sim os jogadores que fecham ambas as equipas, da baliza à área contrária. Na grande final, os guarda-redes e os homens da frente podem ter um peso decisivo no desfecho do encontro, pelo que nada melhor do que olhar para os números dos habituais titulares nas balizas e dos dois goleadores da frente de ataque. Mesmo estando perante atletas bem diferentes.

O diagnóstico aos guarda-redes da Liga foi já feito por nós, num artigo dedicado (link), e neste caso o cenário favorece individualmente o guardião do Benfica – ao mesmo tempo que favorece o colectivo portista. Os problemas defensivos do Benfica estiveram quase sempre presentes ao longo do campeonato, mesmo no melhor período das “águias”. Odysseas Vlachodimos ia disfarçando as debilidades. O grego evitou 8,4 golos na Liga – tendo como base os Expected Goals (xG) e os Expected Goals On Target (xGOT).

Ao invés, Agustín Marchesín acabou por beneficiar da grande competência colectiva dos “azuis-e-bancos” para sair bem na “fotografia”, mas ainda assim sofreu mais 1,5 golos do que deveria, apesar de ter enfrentado menos remates enquadrados que o rival benfiquista – mais uma vez, fruto da consistência do “dragão”.

Vinícius/Marega a marcar 3.20/3.10 👉 Apostar!

Na frente, dois perigos à solta. Carlos Vinícius nem começou o jogo a titular, terminou a Liga num momento de forma pálido, mas ainda assim foi o melhor marcador do campeonato, com 18 tentos, mais seis que o melhor marcador do Porto, Moussa Marega. O brasileiro esteve melhor no número de remates, pior na eficácia dos mesmos na grande área, de resto, os dois jogadores terminaram com estatísticas semelhantes. Ambos, contudo, dão coisas diferentes às suas equipas: inconfundível a capacidade de Vinícius na grande área, imprescindível a força física e explosão de Marega a “destruir” as defesas contrárias. Quem levará a melhor?

[ Veja os 74 golos marcados pelo novo campeão FC Porto na Liga 19/20 ]