Benfica 🆚 Porto | Quem voa mais alto, “águia” ou “dragão”?

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A Liga NOS vai ainda na sétima jornada e já conta com dois “clássicos” – tendo em conta que um dérbi também o é. Após o empate 1-1 entre Benfica e Sporting no Estádio da Luz, chegou a hora de as “águias” receberem o FC Porto, num jogo que, apesar de sempre importante para as contas do título, está longe de ser decisivo.

Apenas um ponto separam as duas formações, com os campeões nacionais em segundo e os benfiquistas em terceiro. Na última vez que os dois rivais se defrontaram, os “dragões” venceram, por 1-0 na Luz, sentenciando praticamente a questão do título a seu favor. Meses passaram sobre esse embate, muita coisa mudou, os plantéis foram reformulados e torna-se cedo tirar conclusões do que valem as duas equipas em comparação uma com a outra. Se em 2017/18 o FC Porto acabou por confirmar, nesse jogo, a consistência que vinha a apresentar desde o arranque da temporada, desta feita estamos perante uma espécie de diagnóstico inicial do que os dois emblemas valem, em confronto directo. “Prognósticos só no fim do jogo”, ou, adaptando ao momento, “diagnósticos” podia ser a palavra. Porém, há já dados suficientes para tirar um primeiro raio-x a Benfica e Porto, antes do embate deste domingo, às 17h30.

Esta época já decorreram seis jornadas e estes são os principais números do desempenho das duas equipas em confronto. O Porto tem mais dois golos marcados (16-14), as defesas consentiram os mesmos cinco golos, mas há outros dados que nos fazem crer que alguns pormenores, como o jogo pelos flancos ou os lances de bola parada, poderão ser decisivos neste embate de gigantes.

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Pragmatismo e sangue frio

Num primeiro olhar, destaque para o facto de o Benfica enquadrar mais remates que o FC Porto (8,0 contra 6,7), sendo que ambos apresentam um número médio de remates por 90 minutos muito semelhante (18,5 e 18,3). As “águias” mostram uma eficácia de disparos dentro (53,8% vs 42,7%) e fora da área (25,6% vs 21,4%) também superior, mas os portistas não só criam mais ocasiões flagrantes (embora os benfiquistas as aproveitem melhor, com 58,8% contra 36,8%), como apresentam uma percentagem de remates convertidos superior (12,6% vs 14,5%). Muitas serão as razões para este facto, como a qualidade dos remates e os locais onde são efectuados, mas certamente que o estilo de jogo de ambas as equipas terá influência.

Tal como acontecia na época passada, o conjunto de Sérgio Conceição é mais objectivo a construir jogo. O Benfica faz mais passes por 90 minutos, mais concretamente 482,1 contra 455,5, e apresenta um número absoluto de passes certos mais elevado, como pode constatar na infografia em cima. Porém, os “dragões” precisam de menos entregas para realizar um passe para finalização (33,7 para 37,5 das “águias”). Isto apesar da aparente contradição de o Benfica apostar mais em passes de ruptura (1,3 contra 0,8) e o Porto ser mais adepto de entregas curtas para desmarcação (4,3 para 6,3).

Se é expectável, pelo facto de jogar em casa, que os “encarnados” assumam um pouco mais o jogo (ambas as formações têm uma média de posse de bola semelhante – 57,2% e 57,7%, respectivamente), este mais evidente pragmatismo portista poderá ter um peso na partida. Restará saber, nestes dois casos, se será a maior pontaria benfiquista no momento do remate ou essa maior objectividade dos “azuis-e-brancos” a ditar leis.

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Os números de Benfica e Porto nos últimos cinco jogos da Liga e os jogadores em foco (clique para ampliar)

Os flancos e as bolas paradas

Os dois conjuntos, é sabido, possuem bastantes soluções para os seus flancos. Franco Cervi e Eduardo Salvio (ou Rafa), no Benfica; Yacine Brahimi e Otávio (ou Jesús Corona), no Porto, são as opções mais utilizadas e estes poderão ser alguns dos nomes a decidir a partida, pela sua qualidade, mas também pela capacidade colectiva dos dois conjuntos em anular alguns dos pontos fortes do adversário.

No seu 4-3-3, o Benfica é, dos dois rivais, o que mais aposta nas variações de flanco (7,7 para 4,0). Tal poderá constituir uma mera opção, pelo “triângulo” de meio-campo que a equipa apresenta e pelo papel de Pizzi, que realiza 3,1 variações de flanco por 90 minutos, quase o dobro de qualquer outro jogador que pisará o relvado este domingo. Mas tal acontecerá, também, por necessidade perante a eficácia dos extremos e laterais no momento do drible. O Porto não só tenta mais o drible (17,0 contra 14,9), como o faz com maior eficácia (46,1% para 39,3%), apesar de esta temporada Brahimi estar longe dos melhores registos individuais (4,1 tentativas, 1,4 completos por 90 minutos) e Salvio ser, dos dois emblemas, o que melhores valores apresenta nesta fase (6,1 – 3,1).

Estes números mostram uma qualidade superior do Porto na progressão e combinação pelos flancos, sem grande necessidade de variar jogo, o que obrigará o Benfica a lidar com estas situações com redobrado cuidado. Isto tendo em conta as estatísticas até agora, sem levar em consideração que, com a lesão de Vincent Aboubakar, é mais que expectável que os “dragões” surjam também em 4-3-3, o que pode mudar um pouco este cenário. Ainda no que toca aos flancos, o Benfica poderá, também, aproveitar uma das suas qualidades. A facilidade de chegar à linha tem permitidos às “águias” apostar nos cruzamentos atrasados, o que faz 1,2 vezes a cada 90 minutos, contra 0,2 do Porto. A eficácia benfiquista nestes lances é de 57,1%, com Pizzi a registar já alguns golos na sequência destas jogadas. Sérgio Conceição terá de ter em atenção estes lances, sob pena de os homens da casa tirarem deles partido.

Do outro lado, Rui Vitória terá de trabalhar os lances defensivos de bola parada. O Benfica realizou todas as suas assistências para golo de bola corrida, ao contrário do Porto, que tem na bola parada (geralmente saída dos pés de Alex Telles) uma arma de peso. Os “dragões” participam (16,8 para 12,3) e ganham mais duelos aéreos ofensivos (46,5% – 44,6%) que os “encarnados”, mas também defensivos (67,0% – 59,7%), pelo que este tipo de lances poderá ser decisivo – mesmo perante a ausência de Aboubakar, sendo que Marega e Felipe são muito perigosos neste detalhe.

Permeabilidades

Finalmente, a retaguarda. O Porto “ganha” em quase todos os detalhes dos momentos defensivos, sejam eles desarmes, intercepções, alívios, os locais onde acontecem, e na soma total, regista 63,5 por 90 minutos, contra 55,1 do Benfica. Porém, com a curiosidade de consentir mais remates dentro da sua grande área (4,5 contra 3,7) do que o Benfica, que apresenta números opostos quando toca aos disparos de fora da área.

Podemos concluir que a qualidade dos remates dos jogadores adversários tem um peso grande nesta estatística, isto porque ambos os conjuntos têm o mesmo número de golos sofridos (5), mas os números dos seus guarda-redes difere bastante. Iker Casillas soma 1,3 defesas a cada 90 minutos, contra 2,7 de Odyssas Vlachodimos, sendo que o benfiquista travou 76,5% dos disparos enquadrados, para 61,5% do espanhol.

O peso dos detalhes

Em jeito de conclusão, estamos perante duas equipas com as suas ideias bem definidas e estruturadas na prática, com pontos fortes e fracos que podem ser explorados por cada um dos lados. Serão a eficácia de remate, a boa taxa de conversão de ocasiões flagrantes, a construção mais pausada, os cruzamentos atrasados do Benfica ou a qualidade do seu guarda-redes a levar a melhor? Ou serão o maior pragmatismo portista, a força nos duelos aéreos e lances de bola parada e a qualidade no drible dos portistas a colher os frutos finais? Não sabemos, mas parecem-nos “pormaiores” suficientemente relevantes para decidir o “clássico”.

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