O primeiro grande “clássico” da Liga NOS está à porta. É já este sábado, no Estádio da Luz, e opõe o Benfica ao FC Porto, numa partida referente à terceira jornada do campeonato luso. Os dados estatísticos acumulados são poucos, sustentados em somente dois jogos, pelo que uma análise mais profunda aos números das duas equipas, como é nosso timbre, ainda não é possível.

Contudo, já dá para percebermos um pouco das ideias das duas formações nesta fase precoce da temporada, as estratégias dos dois treinadores e os jogadores que mostram estar em melhor forma. As filosofias de Bruno Lage e Sérgio Conceição não andarão longe do demonstrado na época passada, pelo que resta saber como os dois técnicos irão potenciar os futebolistas em melhor forma e encaixar os reforços da temporada. As “águias” parecem mais adiantadas neste particular, mas nem tudo são certezas.

O facto de a partida se registar logo à terceira jornada poderá ser um factor favorável à realização de um bom espectáculo, aberto e com golos, por estarmos ainda longe das decisões. Muito pode acontecer até final.

Benfica com pouco para mudar

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O Benfica tem apresentado, neste início de época, um “onze” bem definido, o mesmo que venceu, por exemplo, o Belenenses na última jornada. Tendo em conta o perfil do treinador benfiquista, não será muito expectável assistirmos a alterações de fundo nos titulares, pelo que o mais provável é manter-se tudo exactamente igual ao jogo do Jamor. A acontecer mudanças, estas poderão incidir no ataque.

Haris Seferovic e Raúl de Tomás não têm estado particularmente felizes na sua principal tarefa, marcar golos. O espanhol está ainda em branco em jogos oficiais de “águia” ao peito e o suíço tem um só golo, marcado na primeira jornada ao Paços de Ferreira. Por outro lado, sempre que tem entrado, o português Chiquinho tem causado impacto no futebol ofensivo “encarnado”, ajudando a desbloquear algumas situações. Não seria uma grande surpresa, portanto, se o ex-Moreirense começasse a partida de início, com Raúl de Tomás ou até Seferovic a ficarem no banco.

Tendo em conta a boa capacidade dos centrais portistas no futebol aéreo (Marcano, por exemplo, ganhou todos os duelos aéreos defensivos até ao momento), Bruno Lage pode optar por deixar o suíço em campo para equilibrar no futebol aéreo ou, simplesmente, dar “como perdido” este detalhe e apostar na velocidade e mobilidade de Chiquinho em detrimento de Seferovic. Mas há dois jogadores de que o treinador não prescinde.

Rafa Silva e Pizzi têm sido os grandes catalisadores do futebol ofensivo benfiquista, com exibições de grande nível, assistências, golos e um excelente entendimento. O extremo soma dois tentos na Liga e um passe para golo, o médio três golos e duas assistências. E cada um já deu um tento a marcar ao outro.

A boa ligação entre ambos estende-se também aos passes para finalização e aí, o brigantino tem sido muito generoso para com Rafa, somando já quatro entregas para remate para o colega de selecção – máximo da Liga. Dois jogadores que jogam a partir de alas distintas, mas que por diversas vezes se cruzam nas mesmas zonas do terreno.

Porto com referência de peso na área

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A realidade portista é algo diferente. Com um plantel afectado por muitas saídas e entradas durante este mercado de Verão, Sérgio Conceição ainda não terá encontrado a receita ideal para fazer a equipa render como no passado – as duas derrotas esta época, na Liga dos Campeões e na Liga portuguesa parecem demonstrá-lo -, mas a última prestação, em casa frente ao Vitória de Setúbal, deu novos e animadores indicadores à formação portista.

A superioridade ante os sadinos foi total, coroada com quatro golos, três da autoria de Zé Luís. O ponta-de-lança aproveitou da melhor forma a saúde colectiva apresentada, com o Porto a surgir no seu típico 4-4-2, com Marega a acompanhar o cabo-verdiano na frente de ataque. A mobilidade de ambos permitiu ao reforço proveniente do Spartak facturar e aproveitar espaços, pelo que certamente a ideia de Conceição para a Luz será a de montar a equipa de forma a servir o atacante da melhor maneira possível. A dúvida reside na forma de o fazer, pois o técnico portista não tem problemas em mudar de sistema conforme o adversário.

Tendo em conta a fase embrionária da Liga, não seria de espantar que o Porto surgisse em casa do Benfica sem grandes cautelas defensivas, apostando na sua versão mais atacante, a mesma que apresentou frente ao Vitória, apenas com uma mudança táctica – eventualmente uma forçada, a do lesionado Sérgio Oliveira -, a inclusão de Wilson Manafá na lateral-direita e a subida de Jesús Corona para extremo. Caso a prioridade seja evitar que o seu adversário fique a seis pontos de distância na tabela, então é bem provável que o treinador aposte num 4-3-3, com Marega na direita e Luis Díaz na esquerda, com Uribe e Romário Baró à frente de Danilo Pereira.

Quanto aos jogadores do momento, Zé Luís é incontornável e as atenções benfiquistas na defesa deverão incidir sobre a melhor forma de travar a velocidade e força física do ponta-de-lança, que apresenta grande facilidade no jogo aéreo e uma eficácia de remate assinalável. Perante estas características, Alex Telles surge como um dos elementos em melhores condições de servir o atacante. O brasileiro imita Pizzi na dupla com Rafa no que toca aos passes para finalização, registando já quatro entregas para remate de Zé Luís, um deles convertido em golo – a única assistência de Telles neste momento.

A preponderância do lateral nos lances de bola parada (é ele que cobra a maior parte dos cantos e livres indirectos) tem um peso grande nestes números, pelo que este tipo de jogadas – em que o Benfica também é forte – poderá ser decisiva no “clássico” de sábado, agendado para as 19h00. Cá estaremos para o analisar.