As épocas de SL Benfica e FC Porto têm sido de total contraste. Um bom arranque portista e um mau começo benfiquista, que culminou com a vitória dos “dragões” sobre as “águias” por 1-0, na primeira volta, fazia prever um resto de temporada de sorrisos para os primeiros e dores de cabeça para as segundas. Mas passados poucos meses tudo se alterou. Agora é o Benfica que está em primeiro, com os mesmos pontos do Sporting, e o Porto em terceiro, a seis de distância. Mas afinal o que mudou?

Muita coisa certamente. Em primeiro lugar o comando técnico no FC Porto, as questões anímicas têm certamente peso, mas também a eficácia e competência de ambas as formações no ataque. O nosso Barómetro tem sido um bom indicador de alguns desses dados e, olhando por exemplo para o que se passava à quinta jornada – quando as duas equipas se defrontaram na Invicta – com a última “medição”, vemos que há um vector que mudou e de que maneira. Aquando do primeiro “clássico”, o Porto tinha uma taxa de concretização de 14,3% contra 12,6% do Benfica, mas a polaridade inverteu-se. À 20º jornada os lisboetas somavam 16,5% de eficácia na concretização contra 12,9% do seu adversário de sexta-feira.

Certamente que a capacidade dos atacantes tem tudo que ver com esta mudança, mas há outros dados a ter em conta, como a criação de golos, os passes para ocasião e as assistências. E a qualidade e quantidade destas acções ajudam, e de que maneira, os goleadores a fazerem bem o seu papel. E neste particular pode estar a chave do “clássico” desta sexta-feira – mais aqui do que, por exemplo, na defesa, pois ambos os clubes têm os mesmos 14 golos sofridos.

Olhámos para os principais criadores de situações de golo nas duas equipas, com especial incidência para os “onzes” que potencialmente subirão ao relvado, e detectámos algumas curiosidades.

Benfica vs Porto | Nos pés dos criadores?
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Benfica mais “criador”

Olhando para as 22 opções, o Benfica ganha claramente no que toca à competência de entrega nos momentos decisivos. Os totais dos respectivos plantéis não o reflectem, pois o Porto soma 283 passes para ocasião, o Benfica “apenas” 266 (44-38 em assistências a favor dos da Luz), mas se atentar nas nossas infografias repara certamente que há muito a separar as duas formações neste capítulo e com benefício para os campeões nacionais.

Só na frente, o já de si goleador Jonas soma nove assistências para golo e faz 2,1 passes para ocasião a cada 90 minutos. Nico Gaitán, que até falhou alguns jogos na primeira volta, também tem “pé quente” na altura de servir os seus companheiros, com nove assistências e 3,2 passes para ocasião por cada 90 minutos. Nas “águias” é Pizzi quem lidera neste último parâmetro, com 3,8 (e também seis assistências). Números muito acima dos do mais utilizado “onze” portista. Mas então como se explica esta disparidade?

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