Quem nos conhece poderá pensar “tu queres ver que estes tipos se vão espalhar ao comprido?” ao ler o título desta análise. Mas não. Não vamos dar uma opinião sobre quem mais merece conquistar (se é que alguém está nessa posição) um dos mais disputados títulos de sempre do futebol português. Especialistas do “achómetro” não faltam, com muita clubite à mistura. Nós seguimos, como sempre, outro caminho.

A nossa proposta é outra: entregamos-lhe os números que interessam, a uma jornada do fim e quando tudo ainda é possível, ainda que em graus diferentes de probabilidade. A conclusão, se a quiser tirar, fica por sua conta, seja ela qual for. Vamos a isso?

Contra a baliza rematar, rematar

Benfica vs. Sporting | Quem merece ser campeão Liga NOS 15/16?
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Se durante boa parte da Liga NOS 15/16 o Benfica se revelou no capítulo da concretização mais eficaz que o Sporting, com o aproximar do final da prova essa diferença esbateu-se, não tanto no número de golos (as “águias” ainda somam mais nove tentos), mas sobretudo na taxa de aproveitamento. É que o Sporting, mesmo rematando menos que o Benfica (menos 41 tiros), não só ultrapassa marginalmente o líder em remates enquadrados (por três), como iguala o aproveitamento retirado dos mesmos, sobretudo após descontarmos os três autogolos que beneficiaram a concretização “encarnada”.

No entanto, para lá dos remates e golos… sobram as ocasiões flagrantes desperdiçadas.  Por cada ocasião flagrante (na cara do golo, com apenas o guarda-redes ou nem esse pela frente) desperdiçada pelo Benfica, o Sporting esbanjou… duas. Fixe este número pois no desempenho comparado entre duas equipas com um rendimento excepcional, esta é das poucas variáveis realmente desequilibradas e, não sendo a primeira vez que a destacamos, é também uma das poucas nas quais os “leões” se distanciaram negativamente face ao rival, ao longo da prova.

Passar muito ou passar bem?

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A infografia não o mostra mas o Sporting é a equipa que mais tentativas de passe soma na Liga NOS. No entanto, na hora de contabilizar os passes que realmente chegam a um colega é o Benfica que sobressai, ainda que por uma curta margem a não ser… no último terço, zona para a qual os “leões” conseguiram passar com sucesso mais 46 vezes que o rival.

No entanto, e apesar de um bom passe para o último terço ser meio caminho andado para criar mais perigo, a verdade é que o Benfica soma mais passes para ocasião de golo (mais 14) e mais 11 assistências do que os “verdes-e-brancos”. Embora também aqui falemos de indicadores nos quais as “águias” já tiveram maior vantagem, o maior aproveitamento “encarnado” é evidente.

Objectividade? Se, a olho, o futebol leonino aparenta ser mais directo (o maior número de passes eficazes para o último terço reforça essa ideia), a verdade é que o Benfica precisou até agora de fazer menos (quase) dois passes do que o Sporting para criar cada ocasião de golo nesta Liga.

A luta pela bola

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As equipas de Jorge Jesus são conhecidas pela pressão e agressividade na tentativa de recuperação da posse. Essa característica nota-se no diferencial de recuperações de posse existente entre os candidatos. O total de duelos individuais ganhos (ofensivos e defensivos) também pende para o Sporting, ainda que com menor eficácia que o rival: o Benfica procurou/enfrentou menos vezes o um-para-um, mas foi mais eficaz nessas disputas do que o Sporting, com destaque para os duelos aéreos.

À maior vertigem ofensiva procurada por Jorge Jesus também corresponde um número claramente superior de perdas de posse: os “leões” perderam a posse da bola em mais 450 ocasiões do que o rival.

O último reduto
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A defesa foi claramente o ponto forte dos “leões” ao longo da época, o que se torna ainda mais surpreendente tendo em conta que, na segunda volta, Jorge Jesus usou uma linha defensiva inteiramente nova, com excepção de Rui Patrício, contrariando o “mito” de que a um bom processo defensivo corresponde alguma estabilidade nas opções.

Os “leões” foram entretanto “apanhados” pelo Benfica no (baixo) número de tentos sofridos (e remates enquadrados permitidos, indicador liderado pelo Sporting durante quase toda a época), mas a maior eficácia do guardião leonino por um lado (parou 75% dos remates enquadrados sofridos) e os números mais generosos na hora de desarmar adversários e interceptar os seus passes não deixam dúvidas de que o Sporting foi mais competente numa das variáveis mais importantes num campeão: a coesão defensiva colectiva.

Outras curiosidades…

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O campeonato do “tivemos tanto azar” também passa pelas bolas nos ferros. Nesse capítulo o Benfica ultrapassa em cinco o já elevado número de dez bolas leoninas que terminaram na “madeira”.

 

 

 

 

 

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Se o Benfica beneficiou de três autogolos, contra zero do Sporting, já os “leões” somaram oito golos directamente resultantes de erros defensivos grosseiros dos seus adversários. O Benfica amealhou dois e no mesmo encontro (vs. Belenenses, fora).

 

 

 

 

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Apesar de ser ao Sporting que se associa o perigo aéreo, personificado em Islam Slimani, a verdade é que o Benfica não só soma mais golos de cabeça (17 contra 12) como uma maior eficácia na execução do gesto técnico: 43% dos cabeceamentos “encarnados” foram na direcção da baliza, contra 33% dos “verde-e-brancos”.

 

 

 

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Com “mestres” na arte do drible em ambos os emblemas, os números de Benfica e Sporting são bastante aproximados neste domínio: o Benfica foi mais driblador (24 “fintas” a cada 90 minutos, contra 21) mas os “leões” foram mais eficazes (42% das “fintas” com sucesso, contra 40%).

 

 

 

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Para terminar… as luvas. Rui Patrício pode ser por vezes um “mal amado”, até pelos adeptos leoninos, mas a sua eficácia salta à vista nesta campanha: o português travou 75% dos remates que se dirigiram à baliza sportinguista (num total de 61 defesas), contra 71% da dupla Júlio César/Ederson, que juntos somam 52 “paradas” a uma jornada do fim da prova.

 

 

Conclusões?

A nossa opinião? Num ano normal qualquer um dos rivais asseguraria um título não só merecido como provavelmente destacado. Ambos apresentam virtudes e defeitos, quantificáveis, para lá da discussão subjectiva do “quem jogou mais bonito/melhor”. O título estará bem entregue a qualquer um, num ano em que o epicentro do futebol nacional voltou a localizar-se em Lisboa, algo que já não sucedia há muitos anos.